23 fevereiro, 2016

RIBEIRO, Aquilino - É A GUERRA (diário). 2.º milhar. Lisboa, Livraria Bertrand, [1934]. In-8.º (19cm) de 302, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Escrito em 1914, e publicado apenas 20 depois, este diário é a visão crítica do autor sobre o 1.º conflito à escala mundial - a Grande Guerra.
"Em 1934, Aquilino Ribeiro publica o diário É a Guerra onde fixa a visão de estrangeiro sobre Paris, que mergulha gradualmente na escalada da I Guerra Mundial. As acusações de germanofilia dirigidas a Aquilino vêm da sua “imoderada franqueza” sobre o campo francês, revelada nesta obra. Escandido pelos dias que vão do eclodir do conflito ao regresso do escritor a Portugal, no fim de Setembro de 1914, É a Guerra é um texto híbrido que não foge ao registo ensaístico e jornalístico. Na mistura deliberada de géneros, Aquilino escreve a memória pessoal do século XX, a nascer a ferro e fogo entre derivas nacionalistas e imperialistas. Fala da efervescência humana da cidade de Paris, já transfigurada pelos crescentes sinais da guerra e que, para ele, em grande medida, se torna mal-amada e motivo de observação perplexa e reactiva."
(CARMO, Carina Infante, in Navegações : Revista de Cultura e Literaturas de Língua Portuguesa)
"Neste livro narro, em obediência sempre à minha divisa, como vejo e sinto; às vezes com imoderada franqueza. Se dou realce ao subjectivo aqui e além, é que foram as fôrças espirituais que prevaleceram na grande guerra. [...]
Nunca a guerra denunciou tão insofismàvelmente o descaro de se chamar juízo de Deus ou campo da honra. Pode sustentar-se que à obra necessária de transposição talvez o conceito imediato seja o menos adequado, porquanto de trata de fenómeno muito singular e complexo. Basta que constitua, hipótese aceitável, o produto duma segunda forma de mentalidade colectiva, disposição por assim dizer psicológica determinada pela contractura a que obriga a atitude de lutador, para que deva ser entrevista através de novo prisma. Independentemente dêste critério, há emergências, na vida das nações como na dos indivíduos, que justificam à saciedade o cometimento caviloso. De resto, tanto ou mais que a verdade, não é a mentira alicerce do mundo?"
(excerto da carta ao Dr. António Gomes Mota, em jeito de prefácio)
Aquilino Ribeiro (1885-1963). "Nasce na beira Alta, em 1885 e morre em Lisboa em 1963. Deixou uma vasta obra em que cultivou todos os géneros literários, partilhando com Fernando Pessoa, nas palavras de Óscar Lopes, lugar cimeiro nas Letras Portuguesas. Sócio de número da Academia das Ciências, foi reintegrado após o 25 de Abril, a título póstumo, na Biblioteca Nacional, condecorado com a Ordem da Liberdade e homenageado aquando do seu centenário pelo Ministério da Cultura. Em Setembro de 2007, por votação unânime da Assembleia da República, o seu corpo foi depositado no Panteão Nacional."
(fonte: wook.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na capa e na f. rosto.
Invulgar.
15€

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