12 junho, 2017

COSTA, Antonio da Penha e - SOL QUE NASCE... Porto, Magalhães & Moniz, Lda - Editores, 1915. In-8.º (19,5cm) de [4], 458, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Romance histórico redigido pouco tempo após a época dos acontecimentos. A acção decorre entre 1908 e 1910 - durante o efémero reinado de D. Manuel II -, entre o regicídio, a instauração da República e um curto período que se lhe seguiu. O sol que nasce... não é mais que, no dizer de um dos personagens do romance, a madrugada revolucionária de 5 de Outubro de 1910.
Prosa de qualidade, simples mas cuidada. Trata-se de um curioso exercício literário sobre a sociedade lisboeta da época, retratando o cinismo político e burguês com as suas tramas e influências partidárias, mexericos e casos amorosos, tudo pincelado de fina ironia satírica, bem ao estilo de Eça.
Sobre o autor não existem referências bibliográficas para além do registo do livro na Biblioteca Nacional, tendo esta sido, aparentemente, a única obra por si publicada.
"Nessa manhã de Setembro, linda e luminosa, uma aragem fresca d'outomno a derrubar as primeiras folhas, sem uma nuvem a manchar o azul purissimo do céu, estava deliciosa a perspectiva da Avenida da Liberdade; e Vasco de Mello ia subindo devagar os primeiros talhões, com olhares alegres á direita e á esquerda, a recordar antigos conhecimentos - aquella arvore ainda vista plantar e agora em plena adolescencia, os embrechados caprichosos do empedrado que pisava, as côres variadas e berrantes das frontarias de dezenas de predios, altos e feios, que os seus olhos alcançavam.
- Tudo na mesma, nada muda nesta terra! ia pensando elle.
Era um rapaz de 28 annos, olhos negros, grandes e vivos, quasi magro, mas adivinhava-se agilidade nos seus membros e o tronco proporcionado dizia força; a bocca encimada por um pequenino bigode castanho cortado á americana, fechava-lhe uma dentadura branca e sadia - a sua vaidade - e vestia sempre elegantemente, sem espaventos o - inglês puro - como, pelas portas da «Havaneza», murmuravam os graves conselheiros ou os leões do Chiado, de cada vez que elle passava á vista daquellas paragens.
Era secretario da Legação em Paris, onde se conservara agora dois annos seguidos sem vir a Portugal, e Paris representava para elle o ideal supremo."
(excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na primeira página de texto.
Raro.
30€

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