GAVINHO, Elias - O CIGARRO E O HOMEM. O
produto líquido da presente edição, que reverterá a favor das Vitimas
da Guerra, destina-se ao cofre da Junta Patriotica do Norte. (Núcleo do
concelho de Caminha). Viana-do-Castelo, Tipografia de José Souza, 1917. In-8.º (19x13 cm) de 69, [3] p. ; B.1.ª edição.
Curioso trabalho sobre o cigarro e os prazeres do "vício".
"Não
procuro - Deus me livre de tal!, - mostrar o cigarro debaixo do ponto
de vista higiénico ou scientífico. Ha cigarros higiénicos, é bem
verdade, mas o facto é que quasi sempre o vicio do cigarro é condenavel.
Para certas organisações, porém, embora se reconheça o prejuiso que ele
lhes possa causar, os doutos aconselham a que se não abandone.
Constitue,
portanto, nestes casos, uma parte integrante da vida que o aprecia, e
como que balsamo salutar para as dôres. Muitas vezes o tenho ouvido
receitar para as dôres de dentes.
Ou
seja por adorno, ou vicio, ou distração, ou medicamento, o facto é que
ele constitue habito para a maior parte dos homens, e é sempre um tanto
estranhavel ouvirmos dizer: - muito obrigado, não fumo...
Alèm
d'isso, o cigarro é ainda muitas vezes o demonstrativo da classe social
e dos hábitos da terra a que o individuo pertence. Afóra raras
excepções, quasi todo o homem regularmente colocado compra cigarros
feitos, não sucedendo o mesmo com aqueles a quem a vida tanto não sorri.
Um
operario, um trabalhador, ou um carroceiro, fazem os seus cigarros; um
banqueiro, um advogado, um jornalista, ou um comerciante, compram-nos já
feitos.
Por
muito que se queira estabelecer a egualdade na nossa sociedade, é
sempre reparavel ver-se que alguem faz o seu cigarro. Porquê?! Talvez
por habito? talvez por snobismo? Por qualquer coisa emfim. Mas o facto é que é assim."
(Excerto de I - Psicologia do fumador)
Indice:
I
- Psicologia do fumador. II - O habito não faz o monge. III - Gavroche
fuma. IV - Faina alegre. V - No Teatro. VI - Nós e «Elas». VII - Lançar
da luva. VIII - Carta d'apresentação. IX - Historia triste. X - Amor com
amor se paga. XI - Traço-de-União. XII - Primavera e Inverno. XIII - Na
palestra e ao deitar. XIV - Sem reclamo. XV - Fecho.
Elias Lourenço Gavinho
(1895-1935). Jornalista e escritor português. Natural de Caminha, Viana
do Castelo. Com três anos foi para Manaus (Estado do Amazonas -
Brasil). Regressou a Portugal para fazer os seus estudos, tendo voltado
de novo ao Brasil. Aí, enveredou pela carreira de jornalista-boémio,
tendo chegado a redator-chefe de "O Lusitano". Regressou definitivamente
a Portugal, tendo-se estabelecido na sua terra natal, Caminha, onde
viria a falecer em 1935.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas.
Invulgar.
15€
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