31 dezembro, 2025

NEVES, Alexandre Antonio das -
COMPILAÇÃO // DE // REFLEXÕES // DE SANCHES, PRINGLE, MONRO, // VAN-SWIETEN, E OUTROS // ÁCERCA DAS // CAUSAS, PREVENÇÕES, // E REMEDIOS // DAS DOENÇAS DOS EXERCITOS // DEDICADA // AO // PRINCIPE DO BRAZIL // NOSSO SENHOR, // POR // ... //
E publicada de Ordem // da Academia Real das Sciencias // para distribuir-se ao Exercito Portuguez // LISBOA: 1797. // NA TYPOGRAFIA DA ACADEMIA. // Com licença de S. MAGESTADE. In-8.º (14x8,5 cm) de 82, [6] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante tratado médico, para uso do Exército, baseado nos escritos de alguns dos mais conceituados médicos da época.
Raro e muito curioso.
"He cousa tão perigosa, como ordinaria particularmente entre pessoas robustas, o não pôrem nenhumas cautelas, para não adoecerem: e se lhes são ordenadas, achão muitos modos de illudir essas ordens, porque se persuadem que nascem de extravagancia, ou de cobardia; como se tivessem huma particular natureza, ou não houvessem de morrer.
E nas doenças; bem se sabe, que huma grande difficuldade em curálas he o não se cumprirem exactamente as ordens, que dá o Medico; pois tudo alterão o enfermo appetitoso, e o Enfermeiro indulgente; torna o Medico, e dão-se-lhe partes falsas; expôe-se-lhe, por exemplo, ter havido aquelles symptomas, que a faltarem, elle disse seria preciso hum remedio mais violento; ou haver-se tomado todo o remedio, que ás vezes nem se chegou a ir buscar; ou deo-se comida differente da determinada, ou em maior quantidade. E fazendo isto de necessidade que vá a peior o doente, eis o Medico entendendo ser o doença mui grave, ou differente, e talvez que já o esteja. Não he preciso reflectir mais, para entender quantos danos daqui vem; e o peior he que estes desarranjos não se fazem só nas casas particulares, mas ainda nos mesmo Hospitaes; pois ahi, por exemplo, os conhecidos dos enfermos, a quem se precreveo dieta rigorosa, ouvindo-os lamentar de que lhes dão mui pouco de comer, e do que elles accusão a economia do Hospital, ou a malicia do Enfermeiro, esses conhecidos, digo, credulos a taes queixumes, levão ás escondidas de comer, de ordinario indigesto, aos seus doentes; e póde succeder que até lhes provênha dahi a morte.
Taes forão os motivos, que me resolvêrão a fazer esta Compilação das Obras de tão Célebres Medicos (na qual eu procurei conservar, quanto convinha, as proprias palavras de Sanches), mais das Reflexões de outros; a que somente fiz alguns pequenos accrescentamentos; e isto com o fim de que haja de servir aos Soldados  (e para o que tambem se reduzio a volume bem portatil), para elles conhecerem no estado de saude a utilidade das ordens, que se lhes prescrevem a beneficio della, quando se lhes determinem cousas semelhantes ás que vão indicadas nesta Obra."
(Excerto de Advertencia)
Encadernação em brochura da época, aparado à cabeça, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
30€
Reservado

30 dezembro, 2025

COUCEIRO, Henrique de Paiva - O SOLDADO PRÁTICO
. Lisboa, [Edição do Autor], 1936. In-4.º (23,5×14,5 cm) de 434, [2] p. ; B.

1.ª edição.
Obra polémica de Paiva CouceiroTrata-se de um ensaio de doutrina político-social com forte pendor nacionalista. O autor invoca os valores tradicionais fundados na gloriosa história pátria, preconizando para o país uma Idade Média renovada, "que guarde do modelo original o muito que êle tinha de bom, conservando ao mesmo tempo da Idade-Moderna os progressos da condição humana, que nela se incluem", não se coibindo de criticar o Estado Novo, embora reconheça méritos ao regime, como, entre outros, a "dispensa" dos partidos políticos.
Índice:
Parte I - Os Antecedentes: I. Raça e racismo. II. A Raça dos portugueses. III. O factor moral.
Parte II - O Presente e o Futuro: I. Aspirações. II. Situação Actual. III. Rumos Gerais. IV. Objectivos de hoje. V. A Reconstrução Nacional.
Henrique Mitchell de Paiva Cabral Couceiro (1861-1944). “Assentou praça como militar no Regimento de Cavalaria Lanceiros do Rei a 14 de Janeiro de 1879.
Teve sucesso na sua acção em Humpata, Angola (1889), na campanha militar de Angola (1889-1891), na campanha de Melilla, no Marrocos espanhol (1893) e nos combates de Marracuene e Magul, Moçambique (1895), tendo a sua coragem sido enaltecida.
Foi formado com o Curso de Artilharia da Escola do Exército (1881-1884); alferes (1881); foi promovido a segundo-tenente de Artilharia a 9 de Janeiro de 1884 e colocado no regimento de Artilharia n.º 1 em Campolide; serviu também nos regimentos de Artilharia n.º 3 em Santarém e nas Baterias a Cavalo de Queluz; passou a primeiro-tenente em 1889; comandante de Cavalaria da Humpata, Angola (1889-1891); cavaleiro da Ordem de Torre e Espada (1890); oficial da Ordem de Torre e Espada (1891); Medalha de Prata para distinção ao mérito, filantropia e generosidade (1892); condecorado com a Cruz de 1.ª Classe do Mérito Militar de Espanha (1893); ajudante do comando do Grupo de Baterias de Artilharia a Cavalo (1894); ajudante-de-campo do conselheiro António Eanes, Comissário Régio de Moçambique (1894-1895); foi promovido a capitão de Artilharia e tornado cavaleiro da Ordem Militar de São Bento de Avis em 1895. Em Magul foi infante Santo de Valverde. Distinguiu-se como cavaleiro e como artilheiro.
Foi ajudante-de-campo honorário do Rei Dom Carlos (1895); proclamado «benemérito da Pátria» (1896); comendador da Ordem de Torre e Espada (1896); conselheiro do Conselho de Sua Majestade; condecorado com a Medalha Militar de Ouro do Valor Militar (1896); condecorado com a Medalha Militar de Prata de Comportamento Exemplar; condecorado com a Medalha de Prata da Rainha Dona Amélia (1896); deputado da Nação (1906-1907); vogal da Comissão Parlamentar do Ultramar (1906); vogal da Comissão Parlamentar de Administração Pública (1906-1907); vogal da Comissão Parlamentar da Guerra (1906-1907); Governador-Geral de Angola entre 1907 e 1909 (indicado pelo rei Dom Carlos I; demitido do Exército (1911); comandante das Incursões Monárquicas de 1911 e 1912; Presidente da Junta Governativa do Reino, na Monarquia do Norte (1919); foi escritor.
Esteve exilado em Espanha algumas vezes, a maioria do tempo na Galiza. Os exílios primeiro estiveram relacionados com a defesa da restauração do regime monárquico, e após o falecimento de D. Manuel II (1932), com a sua opinião quanto aos assuntos relacionados com as colónias portuguesas.”
(Fonte: http://digitarq.arquivos.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequeno vinco no canto superior direito. Lombada "partida".
Invulgar.
20€

29 dezembro, 2025

CHAVES, Luís -
BIBLIOGRAFIA ARTÍSTICA DE D. ISABEL DE PORTUGAL A RAINHA SANTA : subsídios. Por...
Lisboa, Academia das Sciências de Lisboa, 1916. In-4.º (25x16,5 cm) de 22, [2] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Subsídio histórico para a bibliografia da Rainha Santa Isabel. Interessante estudo, anteriormente publicado no «Boletim Bibliográfico da Academia das Sciências de Lisboa», 1.ª série, vol. II, fascículo I.
Ilustrado em separado com duas estampas: Painel do Infante (Trípticos de S. Vicente), de Nuno Gonçalves; A Rainha Santa Isabel, de Teixeira Lopes.
Tiragem limitada a 102 exemplares.
"Da meia duzia de personagens reaes da história portuguêsa, que o povo fixou na sua essencial tradição longínqua, e as crianças na escola depressa fixam também, sobreleva a esposa de D. Denis - o lavrador. É a Rainha Santa, a Rainha Isabel da lenda perfumada e caritativa das rosas esmoleres, dos passarinhos que lhe levavam, no Paço Real de Extremoz, o fuso santo, que os seus dedos patrícios deixavam cair de alto balcão, virado ao Noroeste sobre a campina imensa."
(Excerto do Preâmbulo)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e bibliográfico.
10€

28 dezembro, 2025

M
ONIZ, Dr. Egas - A NEUROLOGIA NA GUERRA. Pelo... Professor de Neurologia na Faculdade de Medicina de Lisboa. Ilustrada com 91 gravuras no texto. Lisboa, Livraria Ferreira, 1917. In-4.º (23,5x15,5cm) de 334, [2] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Estudo pioneiro sobre o «stress pós-traumático» - sintomatologia presente em parte importante dos soldados que lutaram na Grande Guerra, o primeiro que sobre este assunto se publicou entre nós
, nunca reeditado.
Ilustrado no texto com inúmeras figuras.
"Quis a Faculdade de Medicina de Lisboa nomear-me seu delegado, a fim de estudar em França os últimos progressos da Neurologia a que a guerra veio trazer tão numerosos subsídios. Dessa missão me desempenhei o melhor que pude, e como me impus a obrigação de apresentar um relatório do que vi e estudei, resolvo fazê-lo um pouco mais extenso e documentado, dar-lhe mesmo uma forma didática e entregá-lo à publicidade, convencido de que com êle algum serviço posso prestar, pois contém doutrina que a todos os médicos portugueses interessa conhecer neste momento, atentas as nossas condições especiais perante o conflito europeu.
As novas aquisições da Neurologia não foram muito numerosas. Muitos dos assuntos se conheciam já, mas uns incompletamente, outros com deficientes aplicações clínicas e quási todos estavam mais ou menos esquecidos na prática corrente, por carência de material. Veio a guerra e êste aumentou tão prodigiosamente, que as séries intermináveis de perturbações, não examinadas normalmente, fez concentrar a atenção dos neurologistas sôbre assuntos que até aí lhes tinham sido quási indiferentes. E assim, se de facto as descobertas neurológicas - e algumas tem havido -  não têm sido extraordinárias, as aquisições que a clínica neurológica acaba de fazer são verdadeiramente notáveis.
Não só novas entidades nosológicas começam a definir-se, mas completam-se capítulos ainda não concluídos e confirmam-se factos sôbre que experiências numerosas e concludentes não tinham ainda pronunciado o último veredicto. O grande conflito fez avançar de muito anos a Neurologia e sobretudo demonstrou que esta especialidade é de tal forma indispensável na guerra que a França não julga ainda suficientes os seus 27 centros neurológicos, sendo 7 da frente e 20 da retaguarda. [...]
O livro que hoje publicamos representa um trabalho de momento que, em alguns casos, não pôde sequer socorrer-se de tudo o que acontece em França, pois há estatísticas que, por motivos militares, não foram ainda publicadas. Só terminada a guerra e conhecidos dos dois lados dos combatentes e em todas as frentes a estatística mórbida e os trabalhos realizados, se poderá fazer obra de conjunto bem documentada e de que as conclusões podem ser definitivas. O nosso propósito é muito modesto: levar aos médicos portugueses o conhecimento do que até hoje nos ensinou a guerra no campo neurológico e aconselhar a prática que reputamos mais vantajosa.
Nos dois últimos capítulos tratamos dos simuladores e dos direitos dos feridos de guerra. Êste último assunto apaixonou a França e, nomeadamente, os médicos e juristas, a propósito dum tratamento executado em Tours pelo neurologista Clovis Vincent e a que os soldados deram o nome de torpedeamento. A questão depois generalizou-se. Pretendeu-se saber se um ferido de guerra tinha ou não o direito de recusar não só os tratamentos eléctricos dolorosos, mas também os tratamentos cirúrgicos, fôsse qual fôsse a sua gravidade. Examiná-la hemos sob estes dois curiosos aspectos."
(Excerto do Prólogo)
"Dois assumtos importantes prendem neste momento a atenção dos neurologistas. Um, é a neurologia de guerra própriamente dita, visto a neurologia, e subsidiáriamente a psiquiatria, terem tomado no grande conflito um lugar importantíssimo entre as demais especialidades médico-cirúrgicas. Outro, ainda mais importante do que o primeiro, é a nova patologia neurológica nascida do exame de milhares de casos de perturbações e feridas nervosas que em tempo normal só raras vezes se observavam e algumas mesmo nunca se viam. E quantas correntes e orientações diversas surgiram após o estudo dêsse grande, dêsse imenso material clínico! E quantas decisões, scientificamente comprovadas, há ainda a tomar!"
(Excerto do Preâmbulo)
Indice:
- Lesões do crânio e cérebro. - Lesões do ráquis e da medula. - Lesões dos nervos periféricos. - Lesões dos nervos do membro superior. - Lesões dos nervos do membro inferior. - Os comocionados. - As perturbações chamadas de ordem reflexa. - Simuladores e exageradores. - Os direitos dos feridos de guerra. - Conclusão.
António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz (1874-1955). “Nasceu em Avanca, concelho de Estarreja, em 29 de Novembro de 1874. Formou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra em 1899, e defendeu a tese de licenciatura em 1900. Em 1901 prestou provas de doutoramento e em 1902 entrou para o quadro docente como professor substituto. Inicialmente trabalhou nas disciplinas de Anatomia, Histologia e, mais tarde, de Patologia Geral. Em 1910 tornou-se professor catedrático. Em 1911 transferiu-se para a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, onde ficou responsável pela cadeira de Clínica Neurológica. Abriu consultório em Lisboa e começou a fazer deslocações regulares a outros países, principalmente a França. Desde os seus tempos de estudante que tinha uma actividade política intensa. Era defensor activo da liberdade de expressão e pensamento e em 1908 foi preso por estar envolvido na tentativa de golpe de estado de 28 de Janeiro contra a ditadura de João Franco (1855-1929). Foi deputado em várias legislaturas, de 1903 a 1917. Em 1910 fez a sua iniciação na maçonaria, na Loja Simpatia e União, de Lisboa. Em 1917 fundou o Partido Centrista, que pretendia unir antigos monárquicos de corrente progressista e republicanos que se afastavam do Partido Evolucionista. Defendia uma aliança entre o capital e o trabalho e preconizava a aplicação de medidas de protecção das classes trabalhadoras. Defensor das liberdades públicas e dos direitos individuais, liderou a corrente parlamentarista do Partido Nacional Republicano resultante da aliança entre os Partido Centrista e os sidonistas, apoiantes do golpe que instaurou em 1917 a ditadura de Sidónio Pais (1872-1918). Em 1917 foi nomeado Ministro de Portugal em Madrid e em 1918 foi Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Sidónio Pais. No desempenho deste último cargo presidiu a delegação portuguesa na Conferência de Paz de Versalhes em 1918. Em 1919, após o assassinato de Sidónio Pais, foi substituído neste cargo por Afonso Costa (1871-1937) e decidiu abandonar a política activa. Passou então a dedicar-se à sua carreira científica, após ter publicado a obra Um Ano de Política, onde expõe os seus sentimentos e opiniões sobre o seu percurso político. Foi nomeado director do Hospital Escolar de Lisboa em 1922 e tornou-se sócio efectivo da Academias das Ciências de Lisboa em 1923, instituição de que veio a ser presidente pela primeira vez em 1928, vindo a ocupar posteriormente esse cargo por diversas vezes. Foi director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa entre 1929 e 1931. Em 1939, quando tinha 65 anos, sofreu um atentado no seu consultório, por parte de um seu doente, que o alvejou com oito tiros, dos quais cinco o atingiram. Sobreviveu e jubilou-se em 1944. Em 1945 foi-lhe entregue o prémio de Oslo e em 1949 foi-lhe atribuído o prémio Nobel de Medicina e Fisiologia. Faleceu em Lisboa em 13 de Dezembro de 1955."
(Fonte: cvc.instituto-camoes.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas com defeitos e falhas de papel. Lombada "partida". Interior correcto.
Raro.
45€

27 dezembro, 2025

AYRES, Christovam -
LONGINQUAS.
(Phantasias Orientaes). Lisboa, Typographia do Jornal do Commercio, 1891. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 167, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante conjunto de contos de sabor oriental, bem redigidos, alguns históricos, mas todos relacionados com a Índia Portuguesa, de onde o autor era natural.
"Na base de um outeiro, vestido com a opulenta vegetação dos tropicos, escondia-se entre a verduras uma casita. As olas dos coqueiros, entretecidas, abrigavam-na lateralmente, formando grandes alpendres, e cobrindo-a de alto a baixo em camadas sobrepostas, protecção necessaria contra as fortes chuvas que costumam desabar do céu em catadupas. [...]
A espaços fuzilavam os relampagos, alumiando a vastidão dos campos, das verzeas e dos céus carregados de nuvens.
Estava iminente a tempestade.
A casita permanecia silenciosa e queda, como gazella timida que se tivesse agachado, com receio de ser presentida, e pedisse ao toldo das arvores e ás trevas da noite abrigo contra as iras do céu.
Quando o vento abrandou, sentiu-se no palmar um sussurro, similhante ao rastejar da bôa sobre folhas, e no silvo agudo como o silvo da capêllo.
Uma janella da casita se abriu para o lado do palmar, e uma cabeça de mulher espreitou, recolhendo espavorida.
Um grupo de homens que, cosidos com os troncos das arvores, e com a respiração tomada, como os pescadores de coral no fundo das aguas, deslizavam na sombra.
Nas trevas luziam-lhes sinistramen te os olhos, e uns punhaes curvos como crescentes.
- Segui-me! murmurou uma voz."
(Excerto de Os Salteadores)
Indice:
A Rainha | A Borboleta Azul | As Torres do Silencio | O Corvo | A Flôr Morta | Soror Maria | Os Salteadores.
Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda (Goa, 1853 - Lisboa, 1930). "Coronel de Cavalaria no Exército Português, deputado na Assembleia Portuguesa, Governador Civil de Bragança e de Coimbra e Membro da Academia das Ciências de Lisboa, percurso profissional que revela claras afiliações a uma identidade portuguesa. Em termos de percurso intelectual, Cristóvão Aires ficaria conhecido como historiador, prosador amador (Lentejoulas.Contos. (1890) Lisboa: Imprensa Nacional; Longínquas. Fantasias Orientais. (1891) Lisboa: Imprensa Nacional), e autor de várias antologias poéticas (Indianas e Portuguesas: 1870-1875 (1879, segunda edição 1881); Novos Horizontes: 1875-1881 (1882), Íntimas (1884, segunda edição 1889); Anoitecer. Versos. (1912) e Cinzas ao Vento (1921))."
(Fonte: https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/ea938b47-d143-493c-9245-a1c36530bfef/content)
Encadernação meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar por aparar em bom estado de conservação.
Raro.
50€

26 dezembro, 2025

SILVA, Germesindo -
OS GRANDOLENSES PERANTE A PESTE GRANDE DE 1569
. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso nas oficinas gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Lda. - Lisboa], 1989. In-8.º (19,5x13 cm) de 893, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho histórico com interesse regional.
Ilustrado com duas plantas no texto, e em página inteira, com a reprodução da 1.ª edição da obra Recopilacam das Covsas Que Conuem guardar Se no Modo de PreSeruar a cidade de Lixboa [...].
"Constata-se, com base nos documentos que chegaram até nós, que as primeiras notícias sobre a peste teriam chegado à vila de Grândola alguns meses antes da eclosão da Grande Peste em Lisboa. Teriam origem em informação resultante de foco esporádico aparecido em território nacional? Não parece, poi de acordo com Pedro Roiz Soares, cronista dessa época, «[...] avia 39 annos que a Portugal não viera este mal [...]», afirmação esta que é corroborada por Barbosa Machado quando nos diz que «[...] PaSSava de quarenta annos, que a Metropole deSte Reyno gozava de huma continuada corrente de tempos benignos, e Salutíferos [...]». O mais provável é que estas notícias fossem um eco distante de uma peste que grassou por esse tempo na Andaluzia e, designadamente, na cidade de Sevilha. Fosse como fosse, a verdade é que em 12 de Junho de 1568 «[...] Pella muyta nesesidade que esta villa [Grândola] tinha de se guardar das pessoas suspeitozas que podiam vir de de teRas Impididas de ares maos [...]», foi decidido em reunião efectuada nos paços do concelho:
- Colocar bandeiras brancas nas três principais entradas da vila;
- Nomear para guarda da saúde o sapateiro António Gonçalves para que, pelo pagamento de 20 reais diários a custear pelo concelho, verificasse se os caminheiros que desejavam entrar na vila estavam devidamente documentados sobre as terras de onde vinham;
- Facultar ou recusar a entrada aos caminheiros em função das terras de onde viessem (em caso de recusa de entrada na vila apenas lhes concederiam mantimentos)."
(Excerto de O Primeiro Rebate (1568))
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

25 dezembro, 2025

SIMÕES, Coronel Alves - MANUAL DO ENFERMEIRO HÍPICO. Coordenado pelo... Inspector Geral do Serviço Veterinário, Membro correspondente da Société de Pathologie Comparée de Paris, Cavaleiro da Legião de Honra, etc. Ministério da Guerra. Lisboa, Imprensa Nacional, 1924 [na capa, 1925]. In-8.º (21x15 cm) de 234, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada ao longo do livro com fotogravuras e desenhos exemplificativos.
"Denomina-se enfermagem a assistência aos doentes.
Enfermeiro é o indivíduo que se dedica à prática da enfermagem. Quando esta visa o tratamento dos animais, o profissional toma o nome de enfermeiro pecuário. Se a assistência se restringe aos solípedes, cabe-lhe a denominação de enfermeiro hípico. [...]
A profissão de enfermeiro obriga a fadigas, vigílias e trabalhos violentos, e requere, portanto, que o indivíduo seja novo, sàdio e robusto para suportar semelhante lida.
O asseio pessoal é uma qualidade que deve caracterizar o enfermeiro, em alto grau, tanto mais que pode, pelo fato, pelas mãos, calçado, etc., ser o transmissor de muitas doenças. O que não tiver amor à limpeza própria pouco se lhe dará do asseio dos doentes e da enfermaria, notando-se que a falta de limpeza é um obstáculo sério a vencer, no tratamento das doenças, mormente nas dos animais.
A outros requisitos, não menos importantes, deve satisfazer o enfermeiro, para merecer êste nome.
Precisa de possuir uma certa instrução a fim de compreender as prescrições do clínico, sagacidade para as executar, e memória para reter o que observar no doente e mais tarde o referir ao clínico.
A sinceridade e consciência são predicados que o bom enfermeiro possuirá, narrando ao clínico todos os factos ocorridos na sua ausência e de que tiver conhecimento, sem os alterar, embora daí lhe advenha qualquer compromisso.
Será um executor fiel das prescrições do clínico a quem deve a mais estrita obediência, confessando-lhe qualquer esquecimento ou engano.
A prática adquirida torná-lo há previdente, habituando-o a preparar tudo quanto o clínico necessita, para o exame dos doentes, para operar, etc., sem que o médico tenha necessidade de lhe fazer contínuas indicações.
O enfermeiro hípico, tendo de lidar incessantemente com irracionais, necessita de prudência, sem deixar de ser resoluto em caso de perigo.
Deve mostrar-se calmo no tratamento dos animais, revelando boa índole, não exercendo sôbre êles a menor violência nem agravando-lhes os sofrimentos; muito pelo contrário mostrar-se há caridoso e paciente e dará uma prova de abnegação servindo semelhante mester."
(Excerto de Preliminares)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas manchadas à cabeça.
Muito invulgar.
35€

24 dezembro, 2025

RIBEIRO, Julieta Adelina Menezes Rodrigues - CULINÁRIA VEGETARIANA, VEGETALINA E MENÚS FRUGÍVEROS. 
Livro dedicado às mulheres luso-brasileiras por... Quarta edição emendada e revista pela autora. Porto, Machado & Ribeiro, Lda, 1923. In-8.º (22x14 cm) de 359, [1] p. ; il. ; B.
Importante publicação sobre cozinha naturista, verdadeira "bíblia" da bibliografia vegetariana, contém 1264 receitas, as mais variadas. Apesar de se terem publicado quatro edições entre 1916 e 1923, sendo a presente a última e mais completa, trata-se de uma obra invulgar e muito procurada.
Livro ilustrado no texto com tabelas e cerca de oito dezenas de desenhos e fotogravuras.
"Ao esgotar-se a terceira edição dêste volume, escrito em momentos fugazes, roubados  às canceiras do lar, aos cuidados maternais e filiais que se impõem ao coração feminino, devotado ao culto da tradição que se esvai e ao amôr do porvir que renasce, seja-me lícito afirmar que a quarta edição, lançada ao público, representa apenas um atestado de glória para a doutrina que exemplifica e põe em prática. Só a verdade consegue vencer e perdurar. O que se baseia na fantasia e no devaneio estiola, cança e em  breve esquece.
As três edições esgotadas, em poucos anos desapareceram do mercado, o que prova que o livro correspondeu a uma necessidade do público estudioso.
Cada edição que reaparece limada, aperfeiçoada e corrigida, acompanha a evolução do pensamento em matéria naturista, actualisando-se, segue a esteira do ideal; a perfectibilidade ambicionada. [...]
São, pois, justificados os motivos do aparecimento da 4.ª edição da «Culinária Vegetariana», prevendo que os adeptos e mesmo os extranhos ao Naturismo se congratulem com o reaparecimento dêste livro necessário em todos os lares, indispensável a todas as managëres, ciosas de  espelharem a felicidade como anjos da família que devem ser."
A autora,
Julieta A. M. R. Ribeiro.
Quinta de Vil'Alva - Vila Real - Janeiro 1923
(Excerto do Prólogo da 4.ª edição)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa frágil, com pequenas falhas de papel. Sem contracapa. Interior correcto.
Raro.
35€

23 dezembro, 2025

SOUZA, Pereira de -
NO JULGAMENTO DE COUCEIRO.
Discurso de defeza proferido no Tribunal do 2.º Districto Criminal d'esta cidade em 17 de Junho de 1912. Porto, Edição do Auctor : Typ. da Emprêsa Litteraria e Typographica, [1912]. In-8.º (18,5x11,5 cm) de 62, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Defesa proferida pelo advogado oficioso de Paiva Couceiro - Pereira de Sousa - no julgamento que teve lugar no Tribunal do 2.º Distrito Criminal do Porto sem a presença de Couceiro, africanista e governador colonial, monárquico convicto, chefe das "incursões  monárquicas" no norte do país a partir da Galiza, movimento revoltoso que conheceria o seu epílogo após os combates de Chaves.
"No meio da derrocada monárquica no 5 de Outubro de 1910, um homem, mais do que qualquer outro, sentiu o amargo paladar da derrota. Henrique de Paiva Couceiro, herói militar dos últimos anos da monarquia, foi um dos poucos oficiais militares que se bateu até ao fim, defendendo o trono, combatendo a inexorável chegada da República.
A sua imagem de guerreiro corajoso, estratega respeitado e político feroz foi tal que, quando chegou o dia 6 de Outubro, o Governo Provisório que planeava a transição de regime foi ter com ele, queria saber como se sentia em relação a tudo aquilo. Couceiro foi diplomático: reconheceria o que o povo reconhecesse em eleição. Não queria divisões, e caso houvesse uma invasão estrangeira para um retorno à monarquia, assim sendo estaria na defesa de Portugal. Mas exigia um plebiscito à República. A população devia mostrar, em votos, que queria a mudança.
O regime republicano não lhe fez a vontade. Houve eleições em 1911, mas para constituir o primeiro parlamento, consumando o facto de que a República chegara para ficar. Couceiro não reconheceu estes resultados. Demitiu-se do seu cargo de oficial, em ruptura com as chefias militares e fiel ao escudo de armas que defendera durante quase toda a carreira, e entregou a espada de comando.
Porém, naquele Junho de 1911, alertou: saía do país e iria conspirar contra a República. Que o prendessem, se quisessem. Ninguém lhe ligou. Subiu então para a Galiza, e quatro meses depois cumpriu a sua promessa: entrou pelo distrito de Bragança à frente de uma coluna militar e tomou Chaves. Simbolicamente, hasteou a bandeira azul e branca da Monarquia na varanda da câmara municipal. Três dias depois, chegaram as forças republicanas e expulsaram novamente Paiva Couceiro para a Galiza. Uma vitória, mas com um aviso: a monarquia ainda mexia.
Couceiro não desarmou e continuou durante os anos seguintes aquilo que designou por “incursões monárquicas”. Em 1912, tentou outra, rumo a Chaves, mas desta vez foi derrotado de imediato. Nesse ano, é julgado à revelia pela participação no primeiro golpe e condenado."
(Fonte: https://www.nationalgeographic.pt/historia/monarquia-norte-1919-republica_4292)
"Isto de conspiração monarchica tem-me feito lembrar d'um ovo. Os ovos só depois de partidos é que se conhece se são frescos ou chocos. Só depois que aos tribunaes vieram os processos contra ella levantados é que se poude conhecer como a conspiração monarchica era uma coisa armada no ar, sem tom nem som, sem fundamento serio nem base solida! E se o centro do ovo é a gemma e se da conspiração monarchica é centro Paiva Couceiro, Paiva Couceiro não é monarchico, é apenas homo nobilis, é apenas uma figura que se destaca pela sua bravura de soldado, pela sua firmeza e lizura de caracter. E, sendo assim - o ovo nem gemma tem! Vamos partil-o, Senhores Jurados, vamos á ligeira analysar o processo e vereis como eu vi com assombro que este processo, se é historico pelas figuras que n'elle intreveem, é tambem historico pelo magno e tremendo disparate que representa.
E, tão disparatado elle é, que eu nem sei, Senhores Jurados, como houve homens, que alardeam de sensatos, que o fizessem nascer e chegar até aqui!
Produz, porventura, alguns resultados proveitosos para a Republica?
Consolida, por acaso, as instituições que a Revolução de 5 d'outubro implantou em Portugal?
Terá por qualquer circumstancia exequibilidade a sentença de condemnar estes Reus?
Não! Senhores Jurados! Não!
Porventura, por este processo, deixou de haver para a Republica o contínuo sobresalto de uma nova incursão armada?
Porventura com uma condemnação fica mais enraizada no sólo da Patria e Ideia que as novas instituições representam?
Porventura, com este processo, Paiva Couceiro e os seus serão lançados para a frialdade humida, ou atirados para as areas esbrazeadas dos sertões d'Africa?
Estas perguntas formulo-as á vossa consciencia e ao vosso apurado criterio! Se houvesse extradicção para os crimes politicos, vá! Mas assim, de que vale e de que serve tudo isto? Porventura Paiva Couceiro e os seus, embora absolvidos, voltam a Portugal? Porventura, uma vez condemnados, podem as auctoridades havel-os á mão? Que me responda a vossa consciencia!
Apezar da larga sementeira de injurias e de ultrages que se tem feito em redor do nome de Paiva Couceiro, elle é o homem nobilis, o homem de bem e de dignidade, o homem cuja espada valia tanto e era tão valorosa, que por elle se trocavam todos os adhesivos, no dizer de individuos que não podem ser suspeitos de thalassismo."
(Excerto da Defeza)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
45€
Reservado

22 dezembro, 2025

A CEIA DOS CARDEAIS - Acto único
. [S.l.], [s.n.], [19--]. In-4.º (28,5x22,5 cm) de 15 f. ; B.
1.ª edição.
Paródia "erótica" à Ceia dos Cardeais de Júlio Dantas. O diálogo dos religiosos e as descrições dos "feitos" carnais, inclui linguagem licenciosa. Trata-se do exemplar original desta peça, batido à máquina a duas cores. Na capa está desenhado o título com traços ondulados por baixo. Desconhece-se o autor e data (primeira metade do século XX?), e se foi reproduzido em livro ou de outra forma.

"A acção passa-se em Roma

Personagens:

Cardeal Pipia......... Sugeito com voz de mulher
Cardeal Rufo..........Tipo com fumaças de valente
Cardeal Vigni......... Sugeito com modos aristocráticos

A cena representa uma sala bem mobilada com estilo e elegância. A um canto, uma estante de música e instrumentos. Ao abrir o pano, os Cardeais sentados à mesa, ceiam. Os fâmulos servem-nos de joelhos.

Rufo

Vem amanhã o embaixador francês?!...
É preciso acabar com isto de uma vez.
(Outro tom). A França é um país que em tudo se intromete.
E um sujeito qualquer lá da terra do [...],
Vem abusar de nós com lérias e com tretas.
Ora que se deixe disso e vá fazer [...]!

Vigni

E Roma o que é então?... É uma santa gente,
E onde uns figurões se [...] mùtuamente!
Têm os vícios fatais de Sadoma e Gamorra
E quer dar leis ao mundo! Olha que porra! 
Sabe dos Cardeais que postos em fileira,
Gosavam todos três levando na [...]?
Oh!... Houve um escândalo tal no Vaticano
Que ao ouvido chegou, do Papa soberano!
E o Papa respondeu: Êle é de censurar.
Mas o que está no meio... Ai!... Muito há-de gosar!
(Outro tom). Veja lá se em França existe êste deboche?
(Orgulhoso). A França é grande em tudo!...

Rufo - (Atalhando)

Até em fazer [...].

Pipia - (Conciliando)

Não se zanguem, Iminências, então?! A zanga tem os seus perigos
E eu não quero ver ralhos entre amigos.

Vigni - (A um fâmulo)

Porto Velho

Rufo

Madeira.
Em tudo a primeira.

Vigni

É Roma. Não negue a própria luz do dia.

Rufo

É filho de francês, por isso se agonia.

Pipia (Intervindo conciliador)

Então, deixem-se disso e vamos cear.
Não viemos aqui para para estarmos a altercar.
Na pândega, passar alegre, a vida tôda,
É a nossa divisa. O mundo que se [...]."

(Excerto da Peça)

Exemplar em brochura, preso por atilho, em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas, apresentam pequenos cortes marginais.
Raro.
Peça de colecção.
100€
Reservado

21 dezembro, 2025

PIMENTA, Belisário -
MEMÓRIAS DUM APRENDIZ DE GRAVADOR.
Notas para a História da Gravura em Madeira em Portugal (Edição do Autor). Coimbra, Edição do autor, 1961. In-8.º (21,5x15 cm) de 26, [2] p. ; [2] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante contributo, autobiográfico, para a história da xilogravura nacional.
Tiragem limitada a 250 exemplares fora do mercado, rubricados pelo autor [chancela].
Livro ilustrado no texto com bonitos desenhos de capitulares e vinhetas tipográficas e, em separado, reproduzindo em duas folhas, respectivamente, a "Casa da Praça do Comércio, n.º 11" e o retrato de "Albino Caetano da Silva", tio do autor (c. 1880).
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Belisário Pimenta a José Maria da Silva Raposo.
"Andava eu pelos onze anos e meio quando meu tio materno Albino Caetano da Silva, sempre atento ao meu desenvolvimento, me prepôs ensinar a gravar em madeira, dada a minha aplicação a certos trabalhos que ele fazia ainda uma vez por outra. Aceitei com vontade e comecei.
Era no vão da porta da varanda do 1.º andar, do lado norte, no prédio da Praça do Comércio, n.º 11 (ver grav. junta), onde nasci e onde então ainda vivia, que meu tio tinha uma mesa em que estava o estojo de buris e a almofada de camurça já bastante usada. Foi ali que eu comecei a fazer os primeiros traços sobre uma chapa de buxo coberta de alvaiade e que eu comecei a sentir as picadas dos buris nos dedos da mão esquerda quando, por inexperiência, me fugiam do seu destino. E assim por algumas lições."
(Excerto das Memórias)
Belisário Maria Bustorf da Silva Pinto Pimenta (Coimbra, 1879 - Lisboa, 1969). "Nasceu em Coimbra em 1879. Frequentou o colégio externato do Padre Simões dos Reis e depois transitou para o Liceu. Aos 14 anos começou a formar a sua biblioteca pessoal, que no final da sua vida ultrapassava mais de oito mil obras. Seguiu a carreira militar ingressando como cadete na escola Prática de Infantaria de Mafra. Em 1903 foi promovido a alferes e em 1910 passou a ser Comissário da Polícia em Coimbra. A sua vida militar decorreu ainda por Valença, Portalegre, Castelo Branco, Lagos, Porto, Penafiel, Abrantes e Leiria. Em 1913 publica o seu primeiro trabalho sobre Miranda do Corvo, tema que foi uma das suas predileções e cultivou até ao final da sua vida. Os seus escritos sobre o concelho encontram-se dispersos por jornais (Alma Nova, Diário de Coimbra) e monografias, podendo ser considerado como o autor que mais se debruçou sobre o concelho. Privou com figuras ilustres da cultura como sejam Eugénio de Castro, António Nobre, António José de Almeida, Vitorino Nemésio, António Nogueira Gonçalves ou Álvaro Viana de Lemos, entre muitos outros."
(Fonte: https://cm-mirandadocorvo.pt/pt/menu/347/belisario-pimenta.aspx)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa manchada.
Muito invulgar.
Indisponível

20 dezembro, 2025

GAVINHO, Elias - O CIGARRO E O HOMEM. O produto líquido da presente edição, que reverterá a favor das Vitimas da Guerra, destina-se ao cofre da Junta Patriotica do Norte. (Núcleo do concelho de Caminha). Viana-do-Castelo, Tipografia de José Souza, 1917. In-8.º (19x13 cm) de 69, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho sobre o cigarro e os prazeres do "vício".
"Não procuro - Deus me livre de tal!, - mostrar o cigarro debaixo do ponto de vista higiénico ou scientífico. Ha cigarros higiénicos, é bem verdade, mas o facto é que quasi sempre o vicio do cigarro é condenavel. Para certas organisações, porém, embora se reconheça o prejuiso que ele lhes possa causar, os doutos aconselham a que se não abandone.
Constitue, portanto, nestes casos, uma parte integrante da vida que o aprecia, e como que balsamo salutar para as dôres. Muitas vezes o tenho ouvido receitar para as dôres de dentes.
Ou seja por adorno, ou vicio, ou distração, ou medicamento, o facto é que ele constitue habito para a maior parte dos homens, e é sempre um tanto estranhavel ouvirmos dizer: - muito obrigado, não fumo...
Alèm d'isso, o cigarro é ainda muitas vezes o demonstrativo da classe social e dos hábitos da terra a que o individuo pertence. Afóra raras excepções, quasi todo o homem regularmente colocado compra cigarros feitos, não sucedendo o mesmo com aqueles a quem a vida tanto não sorri.
Um operario, um trabalhador, ou um carroceiro, fazem os seus cigarros; um banqueiro, um advogado, um jornalista, ou um comerciante, compram-nos já feitos.
Por muito que se queira estabelecer a egualdade na nossa sociedade, é sempre reparavel ver-se que alguem faz o seu cigarro. Porquê?! Talvez por habito? talvez por snobismo? Por qualquer coisa emfim. Mas o facto é que é assim."
(Excerto de I - Psicologia do fumador)
Indice:
I - Psicologia do fumador. II - O habito não faz o monge. III - Gavroche fuma. IV - Faina alegre. V - No Teatro. VI - Nós e «Elas». VII - Lançar da luva. VIII - Carta d'apresentação. IX - Historia triste. X - Amor com amor se paga. XI - Traço-de-União. XII - Primavera e Inverno. XIII - Na palestra e ao deitar. XIV - Sem reclamo. XV - Fecho.
Elias Lourenço Gavinho (1895-1935). Jornalista e escritor português. Natural de Caminha, Viana do Castelo. Com três anos foi para Manaus (Estado do Amazonas - Brasil). Regressou a Portugal para fazer os seus estudos, tendo voltado de novo ao Brasil. Aí, enveredou pela carreira de jornalista-boémio, tendo chegado a redator-chefe de "O Lusitano". Regressou definitivamente a Portugal, tendo-se estabelecido na sua terra natal, Caminha, onde viria a falecer em 1935.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas.
Invulgar.
15€

19 dezembro, 2025

ESTAÇÃO ZOOTÉCNICA NACIONAL : Fonte-Boa
. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Imprensa Lucas & C.ª - Lisboa], [194?]. In-8.º (22,5 cm) de 17, [3] p. ; [14] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre a Estação Zootécnica Nacional, reputada instituição agro-pecuária situada na Quinta da Fonte-Boa, Santarém.
Livro ilustrado no texto com tabelas estatísticas, e em separado, com 14 estampas impressas sobre papel couché reproduzindo animais criados na Fonte-Boa, e algumas vistas das instalações da Estação.
"A Estação Zootécnica Nacional é hoje um estabelecimento de fomento pecuário e investigação científica, instalado a 9 quilómetros de Santarém, na quinta da Fonte-Boa, nome porque é vulgarmente conhecida.
A sua fundação data de 1887, então simplesmente como Coudelaria, só tendo oficialmente ampliado o seu âmbito de acção 26 anos mais tarde.Se. de princípio, foi a espécie cavalar a única cujo melhoramento e fomento se teve em vista, obedecendo às necessidades e solicitações da época e às tradições nacionais nesse capítulo, não decorreu muito tempo sem que se tornasse extensiva a outras espécies - e muito especialmente à ovina - semelhante acção.
Lenta mas progressivamente se tem feito a transformação dêste Estabelecimento, à medida que os trabalhos aqui realizados, os progressos da técnica e as necessidades nacionais o têm exigido.
Presentemente a organização da Estação Zootécnica Nacional abrange 5 secções às quais estão confiados outros tantos sectores de actividade:
Serviços Coudélicos;
Espécies Alimentares;
Serviços Laboratoriais;
Serviços Culturais;
Serviços Administrativos.
Para se poder avaliar da trajectória percorrida no meio século da sua existência é suficiente dizer que o primeiro dêstes sectores foi, durante bastantes anos, a razão de ser do Estabelecimento, sem que, a-pesar disso, tivesse atingido a amplitude e aperfeiçoamento presentes.
De facto, se durante os primeiros 51 anos de vida dêstes serviços se distribuïram gratuitamente pelo País 3.553 garanhões que beneficiaram 73.383 éguas, nos últimos 5 anos êsses números atingem, respectivamente, 1.0006 e 23.233, afora a cedência de 102 asininos pelos quais foram beneficiadas mais 1.855 éguas.
Êste ponto já de si importante pelo seu significado de progresso na acção fomentária, revestirá aspecto mais transcendente se considerarmos que, como lógica conseqüência, permitiu entre os técnicos e a lavoura relações mais íntimas e freqüentes, cujo proveito para ambos e para o País escusado será enaltecer.
Esta cooperação foi reforçada ainda com a passagem para êste estabelecimento, em 1940, dos serviços de registo do reprodutores destinados à produção de cavalos para o exército.
Assim, a Estação Zootécnica Nacional contrasta a produção cavalar de cêrca de 200 casas de lavoura, as quais possuem, aproximadamente, 4.000 éguas e 3.000 poldros, e presta-lhes toda a assistência técnica possível."
(Excerto do Estudo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

18 dezembro, 2025

MOTA, Valdemar -
O PASTEL NA CULTURA E COMÉRCIO DOS AÇORES.
Notas e apontamentos para o seu estudo. Angra do Heroísmo, [Instituto Açoriano de Cultura], 1976. In-8.º (22x15,5 cm) de 87, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre a cultura e comercialização do pastel, outrora importante fonte de receitas nos Açores, e na ilha Terceira em particular.
A BNP não menciona esta edição, apenas a segunda datada de 1991.
Livro ilustrado com quadros e tabelas no texto e 5 desenhos e fotografias reproduzidos em página inteira.
"A propósito do pregão lançado em Flandres por Guilherme da Silveira - fidalgo flamengo, que em fins do século XV se estabeleceu no Faial, passando depois à Terceira, habitando nas Quatro Ribeiras, depois às Flores, e, por fim, fixado em São Jorge a arrebanhar gente para colonizar o Faial, conta o cronista-mór dos Açores Gaspar Frutuoso, no livro sexto das «Saudades da Terra» que, com este pregão e largo partido que fazia, ajuntou muita cópia de gente de todos os ofícios, ferreiros, predreiros, tecelões, alfaiates, sapateiros e doutros ofícios mecânicos e homens trabalhadores, nos quais entraram pasteleiros, homens que sabiam fazer pastel, garaná-lo e beneficiá-lo como agora se benefecia nestas ilhas...
Foi Guilherme da Silveira originariamente Wuyllen Van Der Agem... Que era homem rico não restam dúvidas; e fidalgo com solar em Bruges, de onde também era natural Josse Van Hurtere, Jorge d'Utra ou Dutra, primeiro donatário das ilhas do Faial e Pico, a quem outros autores atribuem a primazia de haver sido ele o introdutor do pastem nos Açores."
(Excerto de I - Guilherme da Silveira e o começo da cultura no séc. XV)
Índice:
Valdemar Mota - por Monsenhor José Machado Lourenço | I - Guilherme da Silveira e o começo da cultura no séc. XV. II - Santa Ana de Porta Alegre e o primeiro donatário da Terceira. III - O desenvolvimento da cultura IV - Importância comercial das Ilhas. V - Surge uma nova personagem - João da Silveira. VI - Aumentam as dificuldades. VII - Fim do pastel nos Açores. | Errata.
Valdemar Mota de Ornelas da Silva Gonçalves (1933-2021). "Nasceu a 11 de abril de 1933, na freguesia de Nossa Senhora da Conceição, em Angra do Heroísmo, tendo frequentado o ensino na antiga Escola Comercial e Industrial Madeira Pinto daquela cidade. Foi um conhecido empresário, administrando a firma Frederico A. Vasconcelos, Herdeiros, Lda., de Angra do Heroísmo, concelho onde foi vereador da sua Câmara Municipal e deputado da Assembleia Municipal, sendo também membro da Comissão de Toponímia e da Comissão para as Comemorações da Batalha da Salga, assim como vogal do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados. Foi presidente da Real Associação da Ilha Terceira e do Conselho Particular das Conferências Vicentinas. Presidiu à direção do Recolhimento de Jesus Maria José (Mónicas) durante 12 anos, em cuja qualidade dirigiu as obras de reconstrução do edifício principal após o sismo de 1980. Foi presidente da Confederação Operária Terceirense e da Associação Cristã da Mocidade da Ilha Terceira. Mas foi igualmente como escritor, investigador, genealogista, jornalista, colunista e conferencista, que Valdemar Mota se notabilizou. Os jornais e as revistas da Região, assim como a imprensa da diáspora, comprovam-no, com os muitos apontamentos que relembram episódios, factos e personalidades da história açoriana. Durante vários anos dedicou-se ao jornalismo, perdendo-se quase a conta dos trabalhos publicados nos jornais angrenses “A União” e “Diário Insular”. Escreveu para as revistas “Portugal Maior” e “Ilha Terceira”. Foi correspondente na Terceira do “Diário de Notícias” e do Jornal Açoriano de Toronto, assim como correspondente da RTP/Açores para os noticiários."
(Fonte: file:///D:/Downloads/XII49.pdf)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na BNP.
Indisponível

17 dezembro, 2025

JARDIM, Cypriano -
PROJECTO DE AEROSTATO DIRIGIVEL.
Inventado por... Extracto do Jornal de Sciencias Mathematicas, Physicas e Naturaes : N.º XLVIII - Lisboa - 1888. Lisboa, [s.l.], 1888. In-4.º (25x16 cm) de 26, [2] p. ; [4] f. desdob. ; B.
1.ª edição independente.
Separata factícia do Jornal de Sciencias Mathematicas, Physicas e Naturaes, N.º XLVIII, 1888.
Importante projecto aeronáutico, pioneiro, com interesse para a história da aviação contemporânea portuguesa, o primeiro que entre nós se fez sobre este tema, na época ombreando com outros estudos do género desenvolvidos no estrangeiro, sobretudo em França, onde aliás, pela primeira vez, o invento foi testado pelo seu autor, sob o escrutínio atento e conhecedor de altas autoridades civis e militares internacionais.
Ilustrado com 4 folhas desdobráveis reproduzindo desenhos esquemáticos do aparelho.
Na primeira parte do livro, no I capítulo, o autor faz uma súmula dos vários projectos de aerostatos que antecederam o seu, apresentando de seguida, no II capítulo, o seu trabalho. A segunda parte do livro - págs 15/6 - dão lugar ao Supplemento ao Projecto de Aerostato Dirigivel, que contém um figura desdobrável não numerada. A terceira parte - a partir da pág. 17 até final - é preenchida pelo Additamento descriptivo ao Projecto de Aerostato Dirigivel, que inclui 3 figuras desdobráveis numeradas de 1 a 3.
Obra rara, histórica, e muitíssimo interessante. A BNP não menciona.
"Senhores. - Apesar de todos os esforços, até hoje empregados por tantos professores e sabios estrangeiros, a fim de ser resolvido o problema da navegação aerea, por meio pratico, e que previna todas as circumstancias calculadas pelas previsões feitas para cada experiencia, é certo, que ninguem chegou até hoje a uma solução cathegorica..."
(Excerto do Cap. I)
"Submetendo ao julgamento da Academia Real das Sciencias portugueza um projecto de aerostato, que porventura julguemos o mais pratico, e portanto o mais approximado do que em absoluto deve ser uma locomovel-aerea, não temos nós o assomo de achar a resolução definitiva de um problema, que ha tantos annos resiste aos esforços de quantos o têem atacado.
O nosso proposito é outro. Acceitando, como demonstrado, o principio de que a velocidade do aerostato será sempre alcançada para os ventos normaes, entendemos que, os que trabalham na solução pratica do problema, devem seguir novo caminho, e fazer convergir todos os seus esforços para a questão, principal hoje, de prolongar os meios de acção, tornando exequivel a viagem aerea, que deve ser feita, afinal, em condições de segurança e duração capazes de animar a todos a preferir este systema ao antigo até hoje praticado. [...]
Ninguem pensava nos effeitos, para a segurança da viagem, da perda do hydrogenio nas descidas, e da perda do lastro nas subidas.
Ninguem pensou que nunca se poderia fazer uma viajem longa, desde que os meios que lhes forneciam a força propulsiva se extinguiriam rapidamente, tornando inutil, ao cabo de poucas horas, a vantagem que lhes provinha da velocidade alcançada.
É isto que nós tentamos remediar As viagens aereas não podem limitar-se ao transporte de um ou mais individuos para um ponto desviado 10 ou 15 leguas do primeiro.
Uma tal descoberta não pode ficar nos limites, estreitos hoje, de uma viagem de caminho de ferro.
Ha ainda muitas regiões ignoradas, onde a navegação maritima não logrou até hoje chagar. Lá irá o descobridor do espaço, quando de dentro da sua barquinha poder dominar, como rei dos ares, as inconstancias da atmosphera, e aproveitar, como ser intelligente e sabedor, as leis immutaveis da atracção universal."
(Excerto do Cap. II)
Cipriano Leite Pereira Jardim (1841-1913). "Nasceu em Coimbra no dia 24 de setembro de 1841. Aos 19 anos, alistou-se no exército como voluntário. Já levava feito o liceu, onde aprendera inglês e francês, latinidade, filosofia, história natural, oratória, geografia, história e cronologia.
[Em 1887], quando já era major, será outro o seu caminho: em setembro, o Ministério da Guerra enviou-o a França para adquirir um parque de aeroestação. Cipriano resolveu estudar o assunto e aproveitar a oportunidade de expor as conclusões aos congéneres franceses, apresentando a sua invenção, materializada por Henri Lachambre a 28 de dezembro, dia do 16.º aniversário da atribuição do título de visconde Monte São a seu pai e que herdara uns meses antes.
Ciente da necessidade da aprovação pelos pares, apresentou uma memória à Academia Real das Ciências de Lisboa. Meses depois, deu uma conferência na Sorbonne, perante uma numerosa assistência saída dos dois mil convites enviados a toda a comunidade científica e à imprensa francesa. De regresso ao reino, fez uma demonstração no Teatro de S. Carlos, no dia 23 de abril de 1888. Tudo dez anos antes de o brasileiro Santos Dumont apresentar o seu dirigível.
Cipriano mostrou um balão revolucionário, graças ao hidrogénio e a um motor de propulsão. Pegou nas experiências do pioneiro francês Charles Renard, apurou-lhe a forma e sobretudo o sistema. Até à data, “não se conhecia meio de fazer subir um balão na atmosfera que não fosse o de lançar fora da barquinha uma porção de lastro” e de libertar gás para a descida. “Uma viagem no balão Jardim será feita nas condições de uma viagem em caminho de ferro”, afirmava a revista “Ocidente” em 1888.
O português, dando ao aeronauta a capacidade de manobra, inventara o modo de evitar o “terrível choque com o solo” que constituía a aterragem. Embora não se percebesse porque fora 'dar o ouro' ao estrangeiro, Cipriano triunfara num país que gastava ”milhões de francos em estudos e experiências” sem conseguir obter “a última palavra sobre o assunto”. O governo francês há de agraciá-lo com a Legião de Honra, mas no seu país será promovido de posto ao mesmo tempo que irá caindo no esquecimento até à sua morte, como general reformado, no dia 27 de outubro de 1913."
(Fonte: https://expresso.pt/sociedade/2018-05-28-Cipriano-Jardim-inventor-desprezado)
Exemplar m brochura, bem conservado. Interior apresenta oxidação.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
150€