17 fevereiro, 2018

FRANÇA, Feliciano da Cunha – EXTENSAÕ // DO // DICTAME, OU PARECER // DO REVERENDISSIMO P. MESTRE // FR. BENTO FEIJOO, // do Concelho de S. Magestade Catholica, &c. // ÁCERCA DAS CAUSAS // DOS // TERREMOTOS, // EXPLORADO // Pelo Lic. JOAÕ DE ZUNIGA; // em Carta escripta a hum amigo // Por…, // Advogado nesta Côrte. // LISBOA, M.DCC.LVII. // Na Officina de JOSEPH DA COSTA COIMBRA. // Com todas as licenças necessárias. // Vende-se na rûa das Pretas a S. Jozé no lója // de Sylvestre Rodrigues, Livreiro da Rainha // nossa Senhora. In-8.º (19cm) de [30], 66 p.
1.ª edição.
Curiosíssimo trabalho publicado apenas dois anos após o terramoto que devastou Lisboa, em 1755.
“Tem-me causado grande admiraçaõ o juizo que os homens formaraõ, de que os Elementos se conjuráraõ contra esta Cidade no primeiro dia de Novembro do anno próximo passado para fazerem a destruição, que nella depois vimos! A Terra, porque se incenderão as materias combustíveis, reconcentradas nella, tremeo, conjurou-se contra Lisboa. A Agoa do mar, que por tremer a terra, excedeo de algum modo os seus limites, mas naõ a tanto espaço, que lhe fizesse damno algum (e se o fez naõ foi de muita consideração,) tambem se conjurou contra ella. O Ar, porque ventou alguma cousa, e talvez com menos violencia do que em outras muitas ocasiões, em que lhe naõ chamariaõ conjurado, por naõ trazer comsigo os companheiros desta conjuração, tambem se conjurou conta a lamentavel Cidade. O Fogo, porque se lhe juntaraõ materias, em que se fosse cevando por causa das ruinas dos edifícios pelo tremor de terra; e se he certo o que algumas pessoas disseraõ, que alguns dos Delinquentes, que foraõ condemnados, confessáraõ nos patíbulos, foi posto em outras, pelo terror panico dos homens naõ acudirem a atalhar-lhe os passos, ardeo em quanto foi achando aonde, muito de seu vagar; e reduziria muito mais a cinzas do que naõ redúzio, se lhe naõ acudissem em algumas partes, tambem foi culpado na conjuração. Pobres Elementos, cada hum falla de vós o que quer! Huns affirmaõ, que vós naõ existis: outros, que vós naõ sois propria e rigorosamente o que aparece, quando vos querem mostrar: e outros, que vos conjurastes. Estes ultimos em vos conhecendo, certamente vos haõ de pedir perdaõ do testemunho, que vos levantáraõ.”
(Excerto do prólogo)
Exemplar desencadernado em bom estado geral de conservação. Aparado à cabeça. Apresenta leve decalque da fantasia das antigas brochuras na f. anterrosto e nas duas derradeiras folhas por acção da humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
A BNP possui apenas um exemplar registado na sua base de dados.
125€

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