16 fevereiro, 2022

BRUNO - O PORTO CULTO.
Obra para servir de remate e conclusão á dos Portuenses Illustres. Tomo I. Porto, Magalhães & Moniz, L.ᵈᵃ - Editores, 1912. In-8.º (19 cm) de VIII, 518, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Importante contributo para a história do Porto, personalizado nalgumas das sua figuras de relevo. Este Tomo I foi tudo quanto se publicou.
"Preambulo, o mais curto - o melhor.
Esta, do Porto Culto, viu-se que tem por subtitulo rotulo assim: Obra para servir de remate e conclusão á dos Portuenses Illustres. O que lhe declara o proposito e o plano lhe determina. [...]
Porém não só de correcções, explicações, ampliações, modernisações de figuras e coisas portuenses em a nova obra do Porto Culto se tractará, pois que recolhamos em seu contexto dispersas producções ácerca de controversas zonas de cultura geral, nos meditativos serões portuenses estudadas, discutidas e ponderadas. [...]
Ficam plantados os marcos distinctivos de debates que comprehendam temeridades varias, desde a philosophia politica, como na analyse institucional historica, até á philosophia litteraria, como na discriminativa destrinça da prosa portugueza."
(Excerto do Preambulo)
Indice:
I - A «roda» dos Almadas. II - Tentando via. III - A ruptura. IV - A prosa portuguesa. V - As viagens e a Viagem.
José Pereira de Sampaio (1857-1915). "De pseudónimo Bruno (do nome de Giordano Bruno) e Sampaio Bruno para a posteridade, foi um escritor, ensaísta e filósofo portuense e figura cimeira do pensamento português do seu tempo. Seu pai era maçom e proprietário duma padaria na Rua do Bonjardim, no Porto, que o filho viria a herdar. O racionalismo deísta e as ideias liberais foram as influências dominantes na formação do seu pensamento. Combatente pelo ideário republicano, Sampaio Bruno integraria o Directório do Partido Republicano Português - PRP. Fundou vários semanários portuenses (O Democrata, O Norte Republicano) bem como o diário A Discussão. Com Antero de Quental e Basílio Teles elaborou os estatutos da Liga Patriótica do Norte, no seguimento do Ultimato britânico de 1890. Participou na malograda Revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891, de cujo Manifesto foi redactor, exilando-se depois em Paris com João Chagas. O exílio parisiense pode ter contribuído para encaminhar a sua pesquisa no sentido do misticismo e do esoterismo, mergulhando na literatura gnóstica de inspiração judaica, na cabala e na ideologia maçónica. Regressou a Portugal em 1893. Em 1902, ano em que também publicou A Ideia de Deus, teve uma grave desavença com Afonso Costa, abandonando então definitivamente a militância no PRP."
Encadernação do editor inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação, com sinais do manuseio.
Invulgar.
Com interesse histórico e literário.
35€

15 fevereiro, 2022

COSTA, Cincinnato da - A INDUSTRIA DOS LACTICINIOS EM PORTUGAL. (Questões Geraes).
Dissertação de Concurso apresentada ao Conselho Escolar do Instituto de Agronomia Veterinaria
. Lisboa Typographia da Viuva Sousa Neves, 1887. In-4.º (23 cm) de 133, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio sobre a indústria nacional de laticínios, publicada quando o autor contava apenas 20 anos de idade. Obra não existente na Biblioteca Nacional, nem tão pouco referida na bio-bibliografia do autor.
Livro ilustrado no texto com quadros, tabelas e um desenho: "Apparelho de Scxhlet para a determinação da manteiga no leite".
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa de Cincinato da Costa ao Pe. António Maria Rodrigues.
"Permanece ainda na infancia a industria dos lacticinios, em Portugal.
Pouco de ha escripto e pouco existe feito sobre tal assumpto, entre nós.
Quem percorre o paiz de norte a sul, encontra aqui e acolá, uma ou outra granja destinada á exploração do leite e dos seus productos, mas sem que uma industria bem montada, seja o apanagio da actividade do homem que cultivas o campos.
Quer  muita gente que o paiz não esteja destinado a este genero de industria, partindo de supposições erroneas sobre os climas de Portugal."
(Excerto da Introducção)
"A industria dos lacticinios é ramo da exploração agricola que tem sido quasi completamente descurado, entre nós. Ninguem conhece ou emprega todos os preceitos  modernamente descobertos sobre os mil processos de fabricação do queijo ou da manteiga, ou sobre a conservação do leite nas leitarias. [...]
Na exposição de 1884, era lamentavel vêr-se, como estava pobremente representada a leitaria e productos lacticinios, no recinto da Tapada da Ajuda. Poucos particulares ahi tinham concorridos para exhibir amostras dos raros generos que possuimos n'este ramo agricola, significando assim tacitamente a pouca importancia dada a esta exploração, pelos proprietarios ou pelo paiz.
Entretanto é necessario que se convençam, que, apesar de tudo quanto se tem dito contra o bom resultado da installação de similhante industria em Portugal, o paiz poderá mantel-a quando estabelecida em bases largas e sanccionada por bons principios.
O pretendido conflicto entre o clima e a industria da leitaria em Portugal, não existe. Se em certas regiões do nosso solo ella é de todo o ponto impossivel, como anti-economica e anti racional, n'outras irá bem, e d'ella dependerá talvez o salvaterio de muito braço sem emprego.
Ha toda uma região serrana bástamente revestida de verdejantes hervagens, onde os gados podem ter, a campo, abundosos e humidos pastos. Densos nevoeiros cobrem por vezes a encosta e descem a serrania procurando o valle, dando assim prova do grau de proxima saturação hygrometrica da atmosphera, necessario requisito tão desejado para estabulação do gado leiteiro."
(Excerto do Cap. I)
Bernardino Camilo Cincinato da Costa (Margão, Goa, 1866 - Lisboa, 1930). "Eminente professor, agrónomo e publicista. Fez os cursos de engenheiro agrónomo e de médico veterinário no antigo Instituto de Agronomia e Veterinária (actual Instituto Superior de Agronomia); foi lente catedrático desde 1887 no antigo Instituto de Agronomia e Veterinária, regendo, posteriormente, no Instituto Superior de Agronomia a cadeira de Tecnologia Agrícola. Foi director do Laboratório de Microbiologia Agrícola «Ferreira Lapa» e visitou em missão de estudo a França e a América do Sul.
Participou no Congresso Pedagógico Luso-Hispano-Americano de Madrid em 1892, na Exposição Universal de Paris em 1900 e nos Congressos de Agricultura e Viticultura. Foi delegado do Governo Português no Instituto Internacional de Agricultura de Roma, sendo agraciado com a comenda da Coroa de Itália.
Foi sócio efectivo das Ciências de Lisboa, do Instituto de Coimbra, fundador da Sociedade das Ciências Agronómicas, director da Associação Central de Agricultura Portuguesa, sócio honorário da Sociedade dos Viticultores de França, e sócio correspondente da Sociedade de Agricultura de Gironda e do Instituto Geográfico Argentino.
Publicou as seguintes obras: Le Portugal au point de vue Agricole (com a colaboração de D. Luiz de Castro); Le Oleiculture en Portugal; Portugal vinícola (edição monumental); Produção e comércio dos principais géneros agrícolas de Portugal; A questão dos trigos em Portugal, e muitas outras. Colaborou em jornais e revistas da especialidade agrícola."
(Fonte: https://www.bdalentejo.net/index.php?view=article&id=175tmpl=component&print=1&page=&Itemid=52&option=com_content)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel marginais. Perda de suporte na lombada. Deve ser encadernado.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

14 fevereiro, 2022

FILGUEIRAS, Prof. Arq.ᵗᵒ Octávio Lixa - «ENTRE NORMANDOS E ÁRABES NAS MARGENS DO DOURO».
Por... Bolseiro do Instituto de Alta Cultura. Publicações do Centro de Estudos Humanísticos (Anexo à Universidade do Porto)
. Porto, Centro de Estudos Humanísticos, 1964. In-4.º (24 cm) de 49, [3] p. ; il. ; B.
Interessante estudo histórico e etnográfico sobre as embarcações que navegaram no rio Douro e que, de certo modo, estarão na origem do barco rabelo.
Separata do «Stvdivm Generale» do Centro de Estudos Humanístico : Vol. X - N.º 1 - 1963.
Livro profusamente ilustrado ao longo do texto e em página inteira com fotogravuras, mapas e desenhos esquemáticos.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Comodoro Alfredo Mota.
"Os barcos de rios de margens arenosas têm vantagem em apresentar determinada conformação, nomeadamente a proa mais ou menos avançada em ponte para poderem abicar a terra e ser mais fácil a saída ou a entrada de pessoas, - passageiros em trânsito ou tripulantes encarregados de certas manobras -; e um calado pequeno, de preferência aliado a um fundo chato, que também será exigido ou imposto por outros factores, como sejam no nosso caso uma série de completa de acidentes naturais - secos, pontos, galeiras e cachões. Se, por acréscimo, tivermos de entrar em linha de conta com um remo de governo - que se exige seja forte, porque o Douro, em Portugal, é um rio de montanha - o resultado imediato será um progressivo desenvolvimento e alteamento da popa do barco, além d diferenciação de um estrado para a manobra, o qual chegará a constituir um autêntico castelo de ré se a altura da carga, à frente, assim o exigir."
(Excerto da I Parte)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
25€

13 fevereiro, 2022

COLLECCÇÃO DAS CARTAS DO SOLDADO PORTUGUEZ
. Lisboa, Na Tipografia do Largo do Contador Mór, n.º 1. 1838. In-8.º (20,5 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para o conhecimento da organização do exército português nas campanhas peninsulares sob o ponto de vista militar e administrativo. Folheto desencadernado, sem capas, conforme saiu dos prelos.
"Um soldado para entrar em uma campanha regular não se faz em menos de 6 mezes, e precisa pelo menos dois annos de exercicio para adquirir aquella mobilidade que constitue o verdadeiro soldado, e sem a qual não apresentariamos por uma marcha rapida 33$ homens na batalha de Victoria sem ficar á rectaguarda um só soldado! Um soldado podesse aguerrir  tornar intrepido dentro de um anno, mas bem disciplinado só depois de muitos de oddiencia, porque a obdiencia é um habito que só se adquire pelo tempo! Assim para se emprehender uma campanha aberta é preciso que o Exercito esteja predisposto com antecipação e conheça os seus officiaes para saber o que tem a esperar delles. O systema de levntar corpos em massa não produz bom resultado se não em guerras intestinas quando a força moral os precede como uma vanguarda, de outra sorte não servem para nada, a não ser para augmentar a desordem e anarchia; levar o máo exemplo aos corpos de linhas e insubordina-los, como succedeu no Porto em 1809, pela entrada do Marechal Soult, com as legiões, posto que bem fardadas e disciplinadas, que foram a causa principal dos Francezes em menos de tres horas, tomarem uma formidavel linha de reductos e passar a Villa Nova só com a sua primeira linha de atiradores pela desordem, e anarchia em que a cidade se pôs! [...]
Se queremos ser Nação livre, e independente é preciso ter um Exercito com o qual em ponhamos respeito na paz para evitarmos a guerra, mostrando ás Nações da Europa que podemos defender-nos de um momento para o outro; e mandando ás Nações beligerantes officiaes habeis para ter-mos a final bons Generaes que nos commandem com acerto, porque diz o nosso imortal Camões, o Principe dos nossos Poetas, que
A disciplina militar prestante,
Não se aprende, senhor, na fantazia
Sonhando, imaginando, ou estudando,
Senão vendo, tratando, pelejando."
(Excerto da 5.ª Carta)
António Duarte Pimenta (1783-1843/1844?). "Cav. da Ord. de S. Bento de Avis, condecorado com a Cruz de ouro de todas as campanhas da guerra peninsular, e com a Estrella d’ouro da guerra de Montevideu, Major do Exercito, tendo feito a primeira das referidas guerras no posto de Tenente do regimento de infanteria então n.º 18. – N. na cidade do Porto em 1783, e m. em Lisboa pelos annos, credo, de 1843 a 1844.
Escreveu:
Collecção das Cartas do Soldado Portuguez. Lisboa, na Typ. do Largo do contador mór 1838. 8.º gr. de 47 pag. - foram primeiramente insertas em varios numeros do Correio de Lisboa, jornal politico. Contem algumas noticias curiosas e interessantes para a historia do nosso exército no periodo decorrido de 1808 a 1814. Sahiram sem o nome do auctor;
Emilia ou o merito exaltado: poema. Ibi, na Off. de J. N. Esteves. 183…? 16.º - Tambem anonymo. - Nada vale.
Golpe de vista sobre alguns movimentos e acções do regimento n.º 18 na guerra peninsular. Ibi, 1814. 8.º - É um pequeno folheto.
Diferentes periodos da vida do Major Pimenta extrahidos de um manuscripto que appareceu no Rio de Janeiro em 1838. Bruxellas (alias Lisboa) Imprensa Portugueza 1842. 16.º de 32 pag. - Se é verdade o que ahi se diz, foi elle o que mais efficazmente promoveu a revolução do Rio de Janeiro em 26 de Fevereiro de 1821 a favor da Constituição proclamada em Portugal a 24 de Agosto do anno antecedente, e deveu‑se‑lhe todo o resultado dos successos d’aquelle dia."
(Fonte: https://escritoreslusofonos.net/2019/03/10/antonio-duarte-pimenta/)
Exemplar em brochura, preso por atilhos, em bom estado geral de conservação. Capa/f. rosto manchada.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
35€

12 fevereiro, 2022

BOSQUEJO HISTORICO DA FUNDAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CELESTIAL ORDEM TERCEIRA DA SANTISSIMA TRINDADE E REDEMPÇÃO DOS CAPTIVOS ERECTA NA CIDADE DO PORTO
. Porto, Typ. da A. J. da Silva Teixeira, 1892. In-8.º (18,5 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Monografia com interesse histórico, e para o conhecimento das instituições religiosas fundadas na cidade do Porto.
"A Celestial Ordem Terceira da Santissima Trindade foi fundada n'esta cidade do Porto por bulla do Pontifice Bento XIV em 14 de maio de 1755. Tem origem na Ordem militar dos Trinitarios, creada em 1198 por Innocencio III, cavalleiros que se alistavam para irem á conquista da Terra Santa, e de religiosos que cuidavam com a mais alevantada caridade de resgatar os captivos, que a sorte da guerra deixava no poder dos infieis.
Antes, porém, do estabelecimento d'esta valiosa instituição, já no Porto existia desde 1676 uma Ordem Terceira que lhe deu origem e que se denominava de S. Domingos; vindo por isso a Ordem actual a ser n'esta cidade uma continuadora d'um instituto de piedade que a auctoridade pontificia remodelou.
Quem, pois, intentar o estudo da Ordem Terceira da Santissima Trindade, deve investigar primeiro a creação, o desenvolvimento e as causas que deram motivo á extincção da Ordem Terceira de S. Domingos."
(Excerto do texto)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
15€

11 fevereiro, 2022

GUIA PRATICO DO MEDIUM CURADOR
. [S.l.], [s.n.], [189?]. In-8.º (17 cm) de 172, IV p. ; E.
1.ª edição.
Curiosíssimo guia mediúnico, verdadeiro repositório de conselhos para a prática curativa de inúmeras maleitas e achaques. A primeira parte do livro é dedicada às explicações sobre a doutrina espírita e mediúnica. Encontrando-se amputada da folha de rosto, não foi possível obter informações relevantes acerca do livro, para além do título - Guia pratico do medium curador - que está impresso na folha de ante-rosto. A BNP não refere. Sem data visível, pela norma ortográfica seguida na escrita, supomos estar em presença de uma obra do final do século XIX - princípio do século XX.
"Acreditamos ter feito uma obra util reunindo num livro as communicações já publicadas sobre mediumnidade curadora.
Juntámos a estas outras publicações sobre os meios empregados por nossos amigos de além-tumulo para entrarem em relação comnosco, assim como certas instrucções de varios auctores relativas á applicação do magnetismo na therapeutica.
Nesta recopilação os nossos bons guias espirituaes classificaram as enfermidades acompanhando-as nas suas grandes divisões; e, todos aquelles que um sentimento de caridade indusa a alliviar os soffrimentos de seus irmãos encarnados, encontrarão os meios praticos de distinguir a natureza do mal e a forma singella e racional de dirigir o fluido curador."
(Excerto do Prefacio)
"Medium (do latim medium intermediario) é a pessoa capaz de servir de intermediario entre os espiritos e o homem. Esta faculdade chama-se mediumnidade.
O individuo apto para receber ou transmittir as communicações dos espiritos é, portanto, um medium.
A mediumnidade é um attributo multiplo que apresenta uma variedade infinita de matizes em seus meios e effeitos.
Esse attributo ou faculdade é inherente ao homem em diversos gráos, conforme a influencia dos espiritos. [...]
Ainda que essa faculdade não seja um privilegio exclusivo, é certo que encontra adversarios, ao menos no sentido vulgar em que se a toma; tambem é certo que não faltam escolhos para os que a possuem. [...]
As faculdade mediumnicas procedem de causas ainda não muito bem conhecidas e parece que o physico do medium tem nellas grande importancia.
Dahi o concluir-se qu uma faculade tão importante deveria ser propriedade exclusiva de sêres escolhidos; no emtanto, a experiencia prova o contrario, pois encontram-se mediums poderosos entre pessoas cuja moral deixa muito a desejar, emquanto que, outras pessoas respeitaveis sob todos os pontos de vista acham-se privadas dessa faculdade. [...]
O merito não está na posse da faculdade e sim no uso que se faz della."
(Excerto de O Medium)
"Não deveis jamais tomar parte em sessões logo após a refeições, quando tiverdes comido demasiado; deixae antes passar algum tempo para nellas tomardes parte, porque a influencia do fluido durante a primeira digestão poderá prejudicar-vos.
Depois das refeições o espirito enconmtra sempre difficuldade em manifestar-se, principalmente por    que o medium, reagindo, nos difficulta o assenhorearmo-nos delle.
Evitae, especialmente, os vinhos e os licores, porque, depois de se haver bebido, a influencia do fluido produz uma certa perturbação no cerebro do medium que nos impede de communicar-nos convenientemente; é isto o que é preciso ter em conta quanto á parte material.
Para que uma sessão seja util e para que o medium esteja bem assistido, assim como o circulo que o rodeia, é necessario que todos tenham calma e concentração.
Emqunto nos communicamos evitae os cochichos e as distracções.
Desejae todos que o medium cumpra facilmente a sua tarefa. O vosso desejo o auxiliará.
A mediumnidade é o laço entre o mundo visivel e o invisivel, é o traço de união entre esses dois mundos que se acotovellam sem cessar, sem que possuam outro élo material que os ligue alem das communicações."
(Excerto de Conselhos aos mediums)
Indice:
Prefacio. | O Medium. | Conselhos aos mediums. | Mediums intuitivos. | Dissertação espirita acerca da mediumnidade intuitiva. | Mdiums semi-mechanicos. | Dissertação espirita sobre a mediumnidade semi-mechanica. | Mediums mechanicos. | Dissertação espirita sobre a mediumnidade mechanica. | Mediums auditivos. | Dissertação espirita sobre a mediumnidade auditiva. | Mediums falantes. | Dissertação espirita sobre a mediumnidade falante. | Mediums somnambulos. | Dissertação espirita sobre a mediumnidade somnambulica. | Mediums videntes. | Dissertação espirita sobre a videncia. | Curadoes. | Preliminares. | Regra Geral. | Dissertação espirita sobre a mediumnidade curadora. | Reflexões. | Methodo experimental. | Influencia do medium nas operações. | Reflexões de Allan Kardec.
Instrucções mediumnicas: Enfermidades da pelle; Affecções escrofulosas; Enfermidades da cabeça - dos olhos - dos ouvidos - da garganta - do peito - do estomago - do coração - do ventre - do figado; Affecções do baço; Vermes pequenos ou grandes; Enfermidades da bexiga; Enfermidades da infancia; Febres intermittentes; Hydropisia; Epilepsia; Hysterismo; Ataques de nervos; Hernias; Luxações (deslocamentos); Paralysias; Convulsões nas creanças; Chagas; Reumatismo; Cancros; Calculos da bexiga; Calculos biliarios; Dança de S. Guido; Mudez; Cholera morbus; Envenenamento; Vertigens; Loucura; Delirio de embriaguez; Dentição as creanças; Dores de dentes; Parto laborioso; Hydrophobia; Diabetes; Afogados; Hemorragias nasaes; Enfermidades da medulla espinal; Nervos dilatados; Torceduras dos pés; Suspensão do menstruo; Quedo do utero; Queda do anus; Affecções hemorrhoidaes; Ressonar; Máo cheiro da bocca ou do nariz; Instrucções mediumnicas sobre a Tuberculose pulmonar; Agua magnetizada; Magnetização da agua.
Encadernação cartonada; lombada em tela com ferros gravados a seco.
Exemplar em bom estado de conservação. Livro aberto com pouco cuidado e a fraca qualidade do papel resultou no corte irregular das folhas. Rasgão na última folha (do índice) restaurado com fita gomada.
Muito raro.
Indisponível

10 fevereiro, 2022

HERMÍNIA SILVA - ÁLBUM DA CANÇÃO : dedicado aos ídolos da canção.
Revista Mensal - N.º 23 - 1 de Janeiro de 1965 - Ano II. Director - Mário de Aguiar
. Lisboa, Aguiar e Dias, 1965. In-4.º (24 cm) de 31, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Número da revista Álbum da Canção consagrado à castiça Hermínia Silva.
Interessante subsídio histórico e biográfico, profusamente ilustrado com fotografias no texto, que inclui entrevista à conhecida fadista.
"As luzes diminuem de intensidade. O enorme espaço aberto diante dos nossos olhos escurece totalmente. Um silêncio profundo, só quebrado aqui e ali, por um tossicar nervoso, torna-se pesado. Quase se poderia tocar. Depois, lentamente, soam os lamentos doloridos arrancados às cordas de uma guitarra que canta, que ri, que chora. Sobretudo que chora, que se queixa. É o fado!
Os gemidos da guitarra tornam-se mais fortes, mais arrastados. Depois, quase sem darmos por isso, voltam a soar mais débeis, decrescem, tornam-se num murmúrio, sem que, no entanto, percam a sua dolência, a melancolia da guitarra. É o fado!
A voz soa mais forte. Os seus requebros arrastados põem nos corações dos que a escutam um véu de tristeza. Os corpos arrepiam-se à medida que são desfiadas as contas de um rosário de desgraças, a cada uma das quais, a voz se tona mais magoada, mais triste, mais chorosa. Aquela é a voz do fado. Aquela é, com certeza a voz de uma verdadeira fadista...
Um foco de luz ilumina uma figura de mulher, toda de negro vestida e eis que os nossos olhos a identificam: é Hermínia Silva, a verdadeira imagem do fado!"
(Nota de abertura)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

09 fevereiro, 2022

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DAS TERMAS DE S. PEDRO DO SUL.
Uma campanha vil desmascarada. Ajuste de contas - Emprêsa Diniz & C.ª,L.ᵈᵃ
. Porto, Tipografia Sequeira, Limitada, 1925. In-8.º (20,5 cm) de 138, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história das Termas de S. Pedro do Sul. O presente livro, dado à estampa pela Diniz & C.ª, empresa concessionária das Termas de S. Pedro do Sul, dá a conhecer as movimentações subterrâneas de vários actores no processo de concessão (que incluía a reparação das instalações balneares e construção de um hotel - o Palace Hotel), culminando numa disputa jurídica entre a Empresa e a Câmara Municipal que extravasou a sala do tribunal, com ocupações "musculadas" e ataques à bomba, que espelham, de certa forma, a situação efervescente que o país atravessava. No final do livro em Documentos, encontram-se diversas peças com relevância para a compreensão do processo jurídico.
"A Emprêsa Diniz & C.ª, L.ᵈᵃ, publicando êste livro, vem render sincera homenagem aos amigos verdadeiros das Termas de S. Pedro do Sul e aproveita o ensejo para fazer uma proveitosa prevenção a todos os inimigos declarados e confessos da mesma Emprêsa. [...]
Em 22 de Junho de 1922, tomou a referida Emprêsa posse das Termas de S. Pedro do Sul para o fim da exploração das águas termais e com o fito no patriótico e arrojado plano de obras marcadas no contrato realizado, dois dias antes, entre a Câmara e a Emprêsa.
Estamos da época termal de 1925.
Passaram-se portanto três anos depois da assinatura do contrato, e, apesar e todos os esforços que a Emprêsa tem empregado, tolhidos sempre por uma vil campanha a que se associou a própria Câmara, nada se tem podido fazer de grande e útil que seja capaz de chamar os aqùistas e turistas a esta região. [...]
É preciso que o grande público tome completo conhecimento da questão para fazer bem límpida justiça a quem a merecer; mas, como, sem provas, não se pode fazer essa justiça moral, vem êste livro patentear por meio de factos e documentos, que constituem plena prova esmagadora, o que se tem passado entre a Câmara e a Emprêsa durante êstes três anos.
Vamos, pois, em livro, narrar despretenciosamente todos os factos, transcrevendo êsses documentos e tirando conclusões... [...]
Êste livro será, pois, um documento para a história das antiquíssimas e afamadíssimas Caldas de Lafões."
(Excerto do Proémio)
Matérias:
Proémio. | I - O concurso para a exploração das Termas. II - O contrato - Estado lastimoso dos balneários e nascentes termais. III - As expropriações - Uma campanha ignobil. IV - A perseguição. - A Emprêsa arrastada aos tribunais criminais para responder por multas. V - Um médico modêlo. - Dois relatórios interessantes. VI - Episódios. - Maquinando um crime contra a Emprêsa. VII - Um crime. - A bomba. VIII - As notificações. - O assalto. IX - A caminho dos Tribunais - A rescisão. X - Solemnia Verba. | Documentos. A Notificação. Documento n.º 1 [Exposição da Emprêsa ao juiz do processo]. Documento n.º 2 [Ofício da Emprêsa dirigido à CMSPS]. Documento n.º 3 [Certidão exarada pela Chefe de Secretaria da CMSPS - Amadeu Augusto Barbosa]. Documento n.º 4 - Memória descritiva do novo balneário que a Emprêsa Diniz & C.ª vai construir nas Termas de S. Pedro do Sul em substituição do actual. Documento n.º 5 - Relatório médico de 1923, por António de Almeida Trinta. Documento n.º 6 - Relatório médico de 1924, por António de Almeida Trinta. Documento n.º 7 - Uma causa célebre. - Ao país e magistratura. - Como em Portugal se hostilizam as iniciativas de interêsse geral. - A parcialidade dum ministro que, esquecendo o interêsses do Estado, patrocina os egoismos particulares. - A Emprêsa das Termas de S. Pedro do Sul reclama justiça! Não pretende favores. - Reclama o exclusivo, o preciso cumprimento da lei. Documento n.º 8 - Entrevista transcrita de «Jornal de Notícias», de 20 de Março de 1925 - Termas de S. Pedro do Sul - (Em desafronta da Emprêsa Diniz & C.ª, L.ᵈᵃ).
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. A página que remete para os Documentos. A Notificação encontra-se rasgada no último terço.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
45€

08 fevereiro, 2022

ALMEIDA, Manuel Costa Gaio Tavares de - DA NOSSA SENHORA DA PENHA DE FRANÇA A PROTECTORA DOS GRANDOLENSES.
Subsídio para uma Monografia - II. Novembro : 1997
. Grândola, Câmara Municipal de Grândola, 1997. In-8.º (20x20 cm) de 65, [3] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia etnográfica e religiosa. Anteriormente, em 1957, o autor publicou o volume I da série de subsídios monográficos do concelho (não relacionado com o assunto do presente livro) com o título «Selo Brasão Bandeira e Pedras de Armas da Vila de Grândola».
Edição bonita, graficamente cuidada, muito lustrada com fotografias a cores ao longo do texto, muitas delas em página inteira, e 3 fac-símiles de documentos do século XVII.
"Independentemente da grande veneração que o povo grandolense mantém pelos dons divinos de Nossa Senhora da Penha, parece dever clarificar-se alguma confusão que tem vindo a desenvolver-se, ao identificar-se Nossa Senhora da Penha como «A Padroeira dos Grandolenses».
É que, na verdade, a Vila de Grândola dedicou a sua Igreja Matriz à Virgem Nossa Senhora da Assunção, sendo esta Senhora a sua efectiva Padroeira. [...]
Há até notícia de que no dia 15 de Agosto que no Calendário Litúrgico é dedicado a Nossa Senhora da Assunção, se praticavam em Grândola várias solenidades religiosas, de entre as quais se destacava uma Procissão solene de consagração, o que desde há muitos anos não se faz.
Com este esclarecimento, apenas se pretende registar a verdade histórica e litúrgica e, simultaneamente exaltar, até por conclusão inevitável, a extrema devoção que os Grandolenses dedicam a Nossa Senhora da Penha de França, levando-os mesmo a elegê-la como sua Padroeira.
Afigura-se-me, porém, que apoiado nas notícias que decorrem dos comportamentos do passado, o qualificativo que mais se ajusta ao relacionamento constante entre Grândola e Nossa Senhora da Penha deveria, porventura, ser o de «Protectora dos Grandolenses», - «Nossa Senhora da Penha, Protectora dos Grandolenses».
(Excerto do Cap. II - A Padroeira dos Grandolenses)
Índice:
Do Autor [Obras]. | Prefácio.| I - Devoção dos Grandolenses e as celebrações em homenagem a Nossa Senhora da Penha: a) Introdução; b) As Celebrações. II - A Padroeira dos Grandolenses. III - O Santuário. IV - A Provisão Régia. V - A Ermida e seu interior. VI - A «Irrmitania». VII - Os Milagres de Nossa Senhora de Penha de França da Vila de Grândola. | Documento.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse regional e religioso.
20€

07 fevereiro, 2022

AMARAL, Abílio Mendes do - O ABADE DE CLARAVAL.
Por Terras da Beira na Era de Quinhentos
. Viseu, Edição da Junta Distrital de Viseu, 1975. In-8.º (22,5 cm) de 44 p. ; [5] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio histórico sobre a Ordem de Cister em Portugal - apontamento das casas e mosteiros cistercienses existentes no início do século XVI.
Livro ilustrado em separado com 5 estampas impressas sobre papel couché, sendo que duas delas reproduzem mapas de Portugal continental: "Cobertura Cisterciense segundo Cocheril" e "Como se situam Pinhel, Gouveia e Guarda".
"Em 1970, o Centro de Pais, da Gulbenkian, editou em tradução francesa de Dom Maur Cocheril, Peregrinatio Hispanica (1531-1533).
Trata-se do Roteiro, chamemos-lhe assim, da visita levada a efeito, ainda na primeira metade do século XVI, por Dom Edme de Saulieu, Abade de Claraval, aos mosteiros cistercienses da Península Hispânica. O original, manuscrito, é da pena de Claude de Bronseval que, na qualidade de Secretário, acompanhara o Dom Abade.
Muitas das suas notas, pelo teor da observação e conteúdo histórico, são de um alto merecimento. E nelas se contêm dados relativos ao meio geofísico, ao habitat das gentes, sua capacidade económica, sua psicologia, estado social, etc., o que tudo as eleva à categoria de fonte documental de apreciável valor.
Pela época em que se situa e pela classe dos intervenientes, já o relato da viagem nos provocaria justificado interesse; mas a circunstância de nos dizer directamente respeito, visto aqueles religiosos terem percorrido caminhos e póvoas da Beira e haverem contactado bastante com os nossos modestos meios rurais, deram-lhe o aliciante que nos levou a registar observações e comentários."
(Excerto do Cap. II - Cister em, Portugal)
Matérias:
I - Caminhos e transportes. II - Cister em Portugal. III - De Pinhel a Castelo Branco. IV - Gouveia vista por eles e por outrem. V - Dois amigos: Pierre David e Cocheril. VI - Ainda sobre o imperativo de Pe. David. VII - Insólita revelação: a missão Claraval nem sequer passou em Gouveia. | Notas e chamadas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

06 fevereiro, 2022

LISNAVE -
INICIAÇÃO NA EMPRESA. Lisnave : Departamento de Formação
. [Almada], Lisnave [Composição e impressão: Oficinas Gráficas da CUF], 1969. In-8.º (21,5 cm) de 73, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante manual Lisnave dirigido aos novos funcionários, verdadeiro compêndio monográfico essencial para o conhecimento interno da grande empresa de construção e reparação naval.
Livro ilustrado com bonitos desenhos ao longo do texto.
"Como será o futuro da Lisnave?
De certo que só dependerá de nós! Será risonho ou triste, conforme quisermos.
Devemos ter bem presente que os nossos clientes, principalmente os estrangeiros, que podem escolher à vontade onde mandar reparar os seus navios, só cá virão se lhes dermos bons serviços:
Em tempo
em qualidade
em preço
Tivemos a boa sorte de o canal do Suez ter fechado quando o estaleiro iniciou a sua actividade, o que nos trouxe fàcilmente um grande número de clientes. Mas, não nos iludamos. Eles só cá voltarão se lhes dermos bom serviço e, o bom serviço depende de todos nós, desde os directores até aos operários com funções mais simples."
(Excerto do Cap. 0 - Introdução)
"A actividade do estaleiro em reparação de navios iniciou-se em 1899, ano em que foi construído.
O estaleiro da Rocha é da A. G. P. L., mas tem estado sempre arrendada a sua exploração.
Em 1937 a CUF tomou a concessão do estaleiro e, em 1960, resolveu criar uma sociedade separada, mas pertencente ao Grupo CUF, para o administrar. Foi a Navalis.
Entretanto, a Companhia decidiu construir um grande estaleiro naval no estuário do Tejo e, por isso, resolveu associar-se a algumas das maiores empresas mundiais em construção e reparação de navios, bem como a armadores e estaleiros portugueses.
Em 11 de Setembro de 1961 foi estabelecida em Lisboa uma sociedade para as actividades de reparação e construção naval, a LISNAVE."
(Excerto do Cap. I - Apresentação a Empresa)
Índice:
0 - Introdução. 1 - Apresentação da Empresa. 2 - Generalidades: 2.1 - Condições gerais de admissão; 2.2 - Educação e formação profissional; 2.3 - Apreciação do pessoal; 2.4 - Contagem da antiguidade; 2.5 - Deslocações em serviço. 3 - Regime de trabalho: 3.1 - Horário de trabalho: Horas normais; Horas extraordinárias; descanso semanal; 3.2 - Assiduidade. Pontualidade: Faltas de assiduidade; Faltas de pontualidade; 3.3 - Férias anuais; 3.4 - Licenças sem vencimento; 3.5 - Licenças por luto. Licenças para casamento. Licenças por nascimento; 3.6 - Serviço militar; 3.7 - Remuneração. Pagamentos. 3.8 - Diuturnidades de antiguidade; 3.9 - Descontos legais; 3.10 - Gratificação de Natal. 4 - Disciplina: 4.1 - Deveres do pessoal; 4.2 - Louvores e castigos. 5 - Segurança Social: 5.1 - Doença; 5.2 - Acidentes de trabalho; 5.3 - Pensões de reforma; 5.4 - Pensões a viúvas; 5.5 - Pensões a filhos; 5.6 - Subsídio de funeral. 6 - Prestações complementares de abono de família.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
50€

04 fevereiro, 2022

CABREIRA, Antonio - RISOS E LAGRIMAS.
(Estudos psychologicos)
. Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (19 cm) de 61, [3] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo "psicológico" sobre o conceito dicotómico riso-pranto.
Ilustrado com o retrato do autor em extra-texto.
"Risos e lagrimas são syntheses de amor e soffrimento, de alegrias e desastres, de felicidade e afflicção. De risos e lagrimas se extraem immortaes poemas lyicos e épicos; de risos e lagrimas se compõem as flores mais mimosas da sentimentalidade; de risos e lagrimas se tecem os factos culminantes da Historia.
Como a palavra, como a musica, como a pintura, os risos teem diversas modalidades: o amor pode ser criminoso, a felicidade egoista, a alegria feroz. Outrotanto succede ás lagrimas, onde ás vezes relampejam o odio, o desespero e ainda os maiores lances de ternura.
Ha risos que insultam, que nobilitam, que consolam, que torturam. Ha lagrimas que amaldiçoam, que retemperam, que humilham, que sacrificam."
(Excerto da Primeira Parte, Cap. I)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conervação.
Invulgar.
15€

03 fevereiro, 2022

ALMEIDA, Francisco de - QUADROS DO NOVO MUNDO. Lisboa, Typographia das Horas Romanticas, 1876. In-8.º (20,5 cm) de [4], 211, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de lendas/contos históricos cuja temática está relacionada com a América do Sul. É muito estranho e curioso verificar que o autor - cidadão português - tenha escolhido o "Novo Mundo" para escrever a presente obra. Nada foi possível apurar acerca deste interessantíssimo livro ou de Francisco de Almeida por não existirem quaisquer referências bio-bibliográficas, incluindo a BNP, que não menciona o livro.
"Roque Alma-Negra era o terror de Buenos Ayres. Verdugo por excellencia entre uma associação de verdugos, chamada Mashorca, e cegamente devotado ao tremendo fundador d'aquella terrivel irmandade, contava as horas pelo numero dos crimes, e o seu braço, armado perpetuamente do punhal, nunca baixava senão para ferir. Era um rego de sangue o rasto do bandido; a compaixão abandonara-o, havia muito tempo, que nem a minima lembrança d'ella conservava; e os gemidos do orphão, da esposa e da mãe, achavam-no tão insensivel, como a folha fria do aço que enterrava no peito das victimas. Toda a similhança com a humanidade desapparecera do rosto d'aquelle homem, e a sua linguagem, expressão fiel do nome que os delitos lhe haviam dado, era um mixto de ferocidade e de blasphemia que fazia empallidecer de espanto a todos que tinham a desgraça de se acercar d'elle.!"
(Excerto de A filha do assassino)
"Governava a famosa Patosi, na qualidade de supremo magistrado, D. Francisco Godoy, quando a desapparição de varias pessoas fizera suspeitar que se perpetravam crimes na sombra, sem que as auctoridades os podessem descobrir. O vulgo então acreditava que as victimas erravam impenitentes, e explicava assim as visões e ruidos que, dizia, se sentiam por toda a parte e a todo o momento.
Apesar, porém, d'estas fabulas, elevadas na época á cathegoria de verdades, as festas e a corrupção não diminuiam. O luxo era sempre o mesmo. Ao esplendor dos trajes e á riqueza dos adornos uniam-se as mobilias deslumbrantes, as festas pomposas do culto, a solemnidade dos patronos da villa imperial, os banquetes e os regosijos dos senhores opulentos, e o jogo com todo o eu cortejo de gosos estimulantes.
Uma só cousa se conservava, como ancora, no meio d'aquella sociedade informe, viciosa, desenfreada: a auctoridade do chefe de familia, cuja voz era escutada com a submissão da ordem de um amo irresponsavel.
Como as novas gerações se houvessem ido agrupando sempre no mesmo centro, as antigas casas dos grandes formavam por assim dizer, um estado á parte, bastante populoso, regido por um chefe absoluto."
(Excerto de A mina mysteriosa)
Indice:
A filha do assassino. | A serpente domestica. | Os prazeres do Sacramento. | A mina mysteriosa. | O astro do manancial. | O thesouro dos Incas.
Encadernação coeva inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Folha de rosto apresenta corte longitudinal à cabeça.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

02 fevereiro, 2022

LIVRO DE COMUNICAÇÕES DO COLÓQUIO "CULTURA DE PERIFERIAS INSULARIDADES".
Colóquio inserido na XXIV Feira do Livro e da Comunicação na Cidade do Funchal. : Junho 98. Comissão Organizadora: Prof. Dr. Alberto Vieira; Dr.ª Ana Margarida Falcão; Maria Aurora Homem
. Funchal, Departamento de Cultura da Câmara Municipal do Funchal, 1999. In-4.º (28x14 cm) de [2], 101, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Tiragem: 400 exemplares.
"Centros e periferias "sempre os haverá", mas afirmar isto não é condenar, é advertir para o facto e que qualquer um deles não pode permanecer numa única condição a vida inteira; terão de estar sujeitos a vários movimentos de incessantes partidas e retornos. Caberá à vontade dos homens e das mulheres garantir aquela dinâmica, independentemente dos espaços de terra ou de mar, de montanhas ou de rios - se não economicamente, pela certa culturalmente."
(Retirado da contracapa)
Índice:
Açores: Terra do longe e do perto. | Percursos da insularidade portuguesa: descobrimento e redescobrimento do mito. | Da insularidade à universalidade: Édouard Glissant. | As metáforas das Ilhas em Dante, Borges e Sophia. | Um olhar literário de fora para dentro dos Açores. | O complexo insular de Ulisses voltar para tornar a partir. | A ilha, espaço aberto. Análise do tema na poesia antilhana contemporânea de língua francesa. | Os "dialectos madeirenses" e a história da língua portuguesa. | Suplementarismo cultural nos Açores: uma reflexão pessoal.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e insular.
30€

01 fevereiro, 2022

CSAKNADY, Jenö - A HISTÓRIA DE BÉLA GUTTMANN.
Nos Bastidores de Futebol Mundial
. Lisboa, Livraria Bertrand, 1964. In-8.º (17,5 cm) de 295, [5] p. ; [16] p. il. ; B.
1.ª edição.
Biografia de Béla Guttmann (1899-1981), a vida, luta e vitórias do treinador húngaro de origem judaica, e o grande mestre do Benfica europeu. O homem que lançou Eusébio e conquistou duas Taças dos Campeões, também passou pelo FC Porto, num longo percurso por clubes da Europa e América.
Livro ilustrado com quadros e tabelas no texto, e em separado, ao longo de 16 páginas.
"A História de Béla Guttmann mostra-nos como se processa a actividade nos bastidores da «bola», como se eleva as equipas ao auge da glória e da popularidade, como se oferece às multidões expectantes aquilo de que elas têm necessidade. E para nós, Portugueses , é um livro oportuno já que Guttmann foi o homem que ao futebol português um espírito mundial no corpo de um grupo de jogadores que soube, talvez como nenhum outro, assimilar e dar forma às suas teorias e concepções."
(Retirado da contracapa)
"Arte, capacidade de adaptação e grande experiência de desafios são os trunfos do nosso jogo. Atingir ràpidamente e conservar estas vantagens é o desejo máximo de todos os jogadores, cabendo ao treinador a missão de cooperar com eles na realização desse objectivo. Como é evidente, porém, esta missão só pode ser desempenhada por um treinador que saiba dedicar-se inteiramente e que, além disso, também tenha sido ele próprio um bom jogador, pois, doutra forma, não poderá basear-se numa experiência pessoal.
Mas experiência pessoal e conhecimentos especializados ainda não bastam. Também se requerem faculdades pedagógicas que permitam transmitir por forma acessível e convincente toda essa teoria e experiência.
Béla Guttmann foi amplamente dotado com estes atributos, indispensáveis ao êxito dum treinador. Foi um jogador de grande classe, treinado por métodos eficientes, obtidos através duma longa experiência, cuja técnica se aperfeiçoou pela participação em inúmeras competições em quase todos os países do mundo.
Não se cuida aqui de enumerar todas as qualidades necessárias a um treinador de futebol, mas teremos de nos referir pelo menos a uma delas, visto ser indispensável para a apreciação da classe dum treinador.
Trata-se do dom da psicologia, de saber conviver e dirigir outros seres humanos. Também sob este aspecto Béla Guttmann foi bem dotado pela natureza.
Eterno andarilho, sentia-se, tanto na América como na Europa, como se estivesse em sua casa."
(Excerto da Introdução)
Matérias:
Introdução, por Sepp Herberger, Treinador-Chefe da Federação Alemã de Futebol desde 1936 até 1964. | Prólogo. | I - Amsterdão. «Feira» do Futebol Internacional. II - Amsterdão. Final da Taça dos Campeões Europeus. III - Veni, vidi, vici (Cheguei, vi e venci). IV - Budapeste - Bucareste. «Profeta na sua terra?». V - Itália I - Pádua. Milão, 14 de Março de 1962. VI - Argentina. VII - Chipre. Nicósia. VIII - Itália II - A. C. Milan. IX - Brasil - S. Paulo F. C. X - Portugal - F. C. do Porto. XI - Viena. Estação Intermediária. XII - Uruguai - Peñarol, Montevideu. XIII - Áustria. Treinador da Liga Austríaca de Futebol. | Epílogo.
Exemplar em brochura, bem conservado. Capas oxidadas.
Raro.
Com interesse histórico e desportivo.
Indisponível