03 abril, 2025

TEXTOS E DOCUMENTOS -
Jornadas Sociais e Corporativas do Distrito de Setúbal : 40.º Aniversário do Estatuto do Trabalho Nacional. Julho de 1973. [S.l.], [s.n.], 1973. In-8.º (21 cm) de 50, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de três alocuções proferidas em Setúbal (2) e Almada (1) subordinadas ao tema do trabalho e previdência social, poucos meses antes da eclosão do 25 de Abril.
"Ouve-se frequentemente afirmar que as convenções colectivas de trabalho são uma criação espontânea da vida social. Com esta afirmação pretende-se exprimir a ideia de que elas foram uma consequência natural das realidades que se geraram no sei do sistema de relações de produção típico do capitalismo liberal. Serve também a mesma afirmação para acentuar o facto de que as convenções colectivas não ficaram a dever a sua origem à acção do Estado."
(Excerto de Origem e evolução das relações colectivas de trabalho: Alguns aspectos)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
15€
Reservado

02 abril, 2025

ALMEIDA, Fr. Cristovão de
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SERMÃO // DO Smo. SACRAMENTO, // EM ACÇAM DE GRAÇAS, // Na Dedicaçaõ do Templo, que lhe edificou // A RAINHA N. S. // No lugar em que a Magestade de ElRey N. S. // D. JOÃO O QUARTO // Que está em gloria, foi livre milagrozamente da morte, // que lhe intentava dar a sacrilega treiçaõ dos Castelhanos, // indo acompanhando a Christo Sacramentado na // Procissaõ de Corpus o anno de 1647. // ESTEVE O Smo. SACRAMENTO EXPOSTO. // ASSISTIRAM SVAS ALTEZAS. // Disse Missa de Pontifical o Capellão Mòr, Bispo de Targa, // Eleito de Lamego. // PREGOV O O. P. M. FR. CHRISTOVAM DE ALMEIDA // Religiozo de Santo Agostinho, Prègador de S. Magestade, Qualifica- // dor do S. Officio, & Lente de Theologia no Collegio de S. Antaõ // o Velho desta Cidade de Lisboa em 12. de Junho de 661. // EM LISBOA. // Com todas as licenças necessarias. // Na Officina de Henrique Valente de Oliveira, Impressor delRey N. S. // Anno de 1661. In-8.º (19 cm) de [8], 39, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Sermão-homenagem dedicado a D. João IV, falecido poucos anos antes, proferido na Igreja de Corpus Christi, Santa Maria Maior, Lisboa. "O edifício foi construído na sequência de um voto gratulatório da rainha D. Luísa de Gusmão, pela sobrevivência de D. João IV [a um atentado] perpetrado na altura da procissão do Corpo de Deus, o que foi explicado como manobras castelhanas, tendo a capela integrado um conjunto de obras régias de forte carga ideológica, apresentando-se como um dos primeiros monumentos de celebração do sucesso da Restauração".
Prédica proferida e publicada em pleno conflito entre os dois países ibéricos. São muito apreciados estes sermões da Restauração, pretendem celebrar e legitimar o poder real português.
Raro e importante. A BNP não menciona este sermão; possui outra versão mais recente (1672), editado em Coimbra na Officina de Joseph Ferreira, Livreiro da Universidade.
"Se os favores grandes fazé o agradecimento immortal, se quando o beneficio he maior que toda a esperança, não ha paga que seja igual ao beneficio, grande he o acerto desta acção, grande o fim desta solennidade. A Chrito Sacramentado consagra hoje a Fé, a Devação & a Piedade da Rainha N. Senhora este dia solennissimo, este Templo magestozo em agradecimento daquelle beneficio grande, daquele favor admiravel, que hoje fas quatorze annos fes neste lugar á Magestade do nosso invicto Rey Dom João o Quarto de felice, & saudoza memoria. [...]
Os bens, & os males do mundo naõ se fazem taõ incriveis por grandes, como se fazem incriveis por de desuzados Fazerse hum homem manjar (como se fazia Christo) para se dar a comer, Qui manducat meam carnem. Que couza ha mais desuzada, & ao parecer mais incrivel? Pois para o Senhor facilitar o credito a este singular beneficio rompe em tantos juramentos: Vere est cibus, vere est potus. Verdadeiramente, , que se a Piedade da Rainha nossa Senhora não edificára este admiravel Templo, para testemunho deste maravilhozo cazo, que podiamos justamente recear, que o naõ creriaõ os nossos descendêtes, porque para lhe dar credito, naõ parece que bastava, nem o testemunho autentico das escrituras, nem a verdade irrefragavel das historias. Quem avia de crer, que ouve hu homé taõ barbaro, que quis matar ao seu Rey à vista do Sacramento? E quem avia de crer, que foi este Rey taõ mimozo de Deos, que por duas vezes cegou a este traydor os olhos, quando quis empregar o tiro?"
(Excerto do Sermão)
Fr. Cristóvão de Almeida (1620-1679). "Natural da vila da Golegã onde nasceu em 1620. Professou com dezoito anos no Convento dos ermitas de Santo Agostinho, na cidade de Évora. Doutor em Teologia, Mestre da sua Ordem e nomeado pelo príncipe regente, D. Pedro, bispo coadjutor do Arcebispado de Lisboa, dignidade em que foi confirmado com o título de bispo de Martyria. Faleceu nas Caldas da Rainha no dia 26 de Outubro de 1679. Foi considerado um dos mais eloquentes oradores que subiram ao púlpito, com aplauso universal. Era elegante e erudito na oratória." (Inocêncio, Dicionário Bibliográfico Português)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Desencadernado. Apresenta rasgão a toda a largura do frontispício sem perda de papel; última página com falha de papel de algum relevo no pé.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
50€

01 abril, 2025

VILLIERS, Alan -
A CAMPANHA DO ARGUS : uma viagem na pesca do bacalhau.
Introdução de Álvaro Garrido, Historiador e Director do Museu Marítimo de Ílhavo. [2.ª Edição corrigida]. Lisboa, Cavalo de Ferro, 2006. In-4.º (23,5x16,5 cm) de 383, [1] p. ; il. ; B.
Clássico da literatura portuguesa sobre a pesca longínqua - a faina do bacalhau.
Livro ilustrado com um desenho do navio (em duas páginas), mapas e inúmeras fotografias do autor.
"Numa escrita límpida e envolvente, este oficial da Armada australiana, pre­sença assídua nas páginas do National Geographic Magazine do segundo pós-guerra como repórter das «coisas de mar», escreveu uma narrativa de viagem de um dos mais belos veleiros da frota bacalhoeira portuguesa, o Argus. A projecção internacional do livro foi tal que teve tradução em mais de uma dezena de línguas."
(Fonte: Liv. Bertrand)
"Nos meses sombrios do Outono de 1951, as montras dos principais livreiros de Londres e Nova Iorque exibiam um novo livro do mais afamado «escritor marítimo» da época. The Quest of the Schooner Argus, de Alan Villiers. Através do título, só os leitores afeiçoados às relíquias da vela podiam supor que a narrativa fosse dedicada a um navio bacalhoeiro português. Já o subtítulo tornava mais precisos o tema e o género: A Voyage to The Banks and Greenland remetia para uma crónica de viagem, um género clássico da literatura de marítima universal.
O Argus era um lugre belo e imponente, de quatro mastros, à semelhança dos veleiros que o autor australiano mais apreciava. Navio de casco de aço, provido de motor auxiliar, podia carregar oitocentas toneladas de bacalhau. [...]
Ano após ano, o Argus fez-se ao Atlântico para «trazer à pátria o pão dos mares». Cumpriria a sua derradeira campanha de pesca nos bancos da Terra Nova e da Gronelândia em 1970. Devido à crónica de Alan Villiers, o Argus tornou-se o mais conhecido navio bacalhoeiro português no estrangeiro Com carinho e retórica, o escritor chamava-lhe o «Queen Elizabeth» da frota bacalhoeira portuguesa. [...]
Ilustrado com belas fotografias do próprio autor, o novo livro do comandante Villiers não enjeitava um sentido de documentário, de «descoberta» e divulgação da última actividade económica que fazia uso da navegação à vela em viagens transoceânicas: a pesca do bacalhau por homens e navios portugueses."
(Excerto da Introdução)
Alan John Villiers (1903-1982). "Nasceu em Melbourne, na Austrália, em 1903. Oficial de Marinha e repórter de temas marítimos, granjeou fama no National Geographic Magazine e em diversos jornais australianos e britânicos. Fascinado pela vela transatlântica, realizou filmes documentais e escreveu mais de uma dezena de crónicas de viagens marítimas. Editados na Grã-Bretanha e nos EUA, os seus livros conheceram traduções em diversas línguas. Em 1951 deu a conhecer ao mundo a pesca do bacalhau por homens e navios portugueses. The Quest of the Schooner Argus, cuja tradução portuguesa saiu no mesmo ano, foi das suas principais obras, certamente a mais divulgada no estrangeiro, mercê dos esforços do aparelho de propaganda salazarista. Resultado de uma encomenda das autoridades portuguesas, o livro narra uma campanha de pesca do lugre Argus nos tempos áureos da pesca à linha com dóris de um só homem."
(Fonte: Liv. Bertrand)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
15€