04 abril, 2026

ALMEIDA, P. Teodoro d' -
RECREASAÕ // FILOZOFICA, // OU // DIALOGO // Sobre a Filozofia Natural para instruc- // saõ de pesoas curiozas, que naõ // frequentáraõ as aulas. // PELO // P. TEODORO D'ALMEIDA // da Congregasaõ do Oratorio de S. Fi- // lipe Neri. // TOMO IV. // Trata do Omem. //
LISBOA. // Na Oficina de MIGUEL RODRIGUES, // Impres. do Emin. Senhor Cardeal Patriarca. // M. DCC. LVII. // Com todas as licensas necesarias, // e Privilegio Real. In-8.º (17x11 cm) de [8], 333, [3] p. ; [5] f. desdob. ; il. ; E.
1.ª edição.
Tomo IV desta obra admirável - de proporções enciclopédicas - do iluminismo português -, escrita e publicada em 10 volumes entre os anos de 1751 e 1800. Trata este tomo dos olhos, dos sentidos e do corpo humano em geral.
"Recreação Filosófica é uma obra monumental do Padre Teodoro de Almeida, publicada entre 1751 e 1800, que divulga a filosofia natural e ciência experimental no séc. XVIII através de diálogos didácticos entre mestre e pupilos. A obra visa instruir os curiosos, defendendo uma pedagogia oratoriana que conciliava a ciência com a fé, num formato acessível e estruturado em vários tomos."
(Fonte IA)
Exemplar ilustrado no início com bonita gravura no texto, e no final, com 57 figuras distribuídas por 5 estampas desdobráveis em separado (completo).
"Eug. Emfim, já se abararaõ os embarasos, amigo Silvio, que atéqui tanto me impediaõ o vir continuar a nosa Recresaõ Filozofica, em que eu tanto me instruia com a vosa doutrina, e do noso amigo Teodozio; porem cheguei; e já envergonhado de tanta demora, sem lhe prometer tempo determinado, venho inesperadamente: vamos a busca-lo lá dentro.
Silv. Eu vos afirmo que já em nós ambos tinha crescido muito a desconfiansa de que os diversos empregos  e ocupasoens em que vos tinhaõ entretido, vos fizesem perder o gosto, ou totalmente esquecer da nosa literaria conversasaõ; entrai vós primeiro, quero que Teodozio tenha todo o gosto de repente.
Teod. Amigo Eugenio; basta que já vos vejo em minha caza!
Eug. Muito tempo à que me vereis, se me deixasem; como conheceis a minha vontade, escuzado é dar-vos relasaõ dos meos embarasos.
Teod. Todos tenho eu sentido; porem mais que todos a vosa molestia dos olhos, que muito me magoou.
Eug. Grande cuidade me deo, vendo-me quazi cego; porque sem vista~, eu naõ sei que alegria posa aver no caorasaõ umano: toda a beleza das creaturas, e a fermozura deste grande jardim do mundo, é inutil para um cego..."
(Excerto Da admiravel fabrica dos Olhos)
Index das materias, que se trataõ neste Tomo IV:
Tarde XVI - Trata do sentido da Vista. Tarde XVII - Da Dioptrica, ou dos Instrumentos de que uzaõ os olhos, e fazem seu efeito com a refracsaõ. Tarde XVIII - Da Catoptrica, ou dos Instrumentos de que uzaõ os olhos, e fazem seu efeito com a reflexaõ. Tarde XIX - Trata dos outros sentidos do Omem, Externos, e Internos, da Vós umana, do Sono, Vigia; e outras coizas deste genero. Tarde XX - Da Fabrica do Corpo Umano. Tarde XXI - Continúa a tratar da fabrica do Corpo Umano. | Erratas.
Teodoro de Almeida (1722-1804). "Oriundo de uma família de extracção social modesta, de Lisboa, Teodoro de Almeida ingressou na Casa do Espírito Santo da Congregação do Oratório a 11 de Abril de 1735, possivelmente devido à protecção do prepósito da Casa, o pe. Domingos Pereira. Iniciou depois os seus estudos sob a direcção do pe. João Baptista, o autor da Philosphia Aristotelica Restituta, que o influenciará de forma decisiva, definindo-se então o seu interesse pela Filosofia Natural.
Em 1748 foi substituto do mestre encarregue do triénio de Filosofia, o pe. Luís José, cujo docência assegurou a partir de 1751. Neste mesmo ano saíram dos prelos os dois primeiros volumes da sua obra mais importante, a Recreação Filosófica.
A década de 1750 é a da plena afirmação de Teodoro de Almeida, que ganha prestígio crescente como pregador, mas sobretudo como escritor e divulgador de temas científicos. Os volumes da Recreação sucedem-se a ritmo veloz, publicando-se o sexto em 1762. Em 1752 o pe. João Baptista inicia as conferência de Filosofia Experimental - ou Filosofia Natural - na Casa das Necessidades, beneficiando do excelente equipamento de laboratório doado à Congregação por D. João V, nas quais o seu discípulo viria a ter papel de destaque. As conferências eram abertas ao público e foram um sucesso, chegando a registar mais de 400 assistentes, entre os quais o próprio monarca. Todavia o fenómeno ficou algo a dever à curiosidade de salão, sem que todos os que a ela assistiam pudessem ter a percepção do que estava realmente em jogo do ponto de vista científico.
Enquanto expoente desta popularidade da divulgação científica, Almeida foi alvo de várias críticas e polémicas, sendo acusado de desvios em relação à ortodoxia religiosa e de ser plagiário. De entre os que vieram em sua defesa salienta-se o jesuíta Inácio Monteiro, autor de uma obra importante obra pedagógica também.
Na década seguinte alguns dos Oratorianos mais influentes conheceram a perseguição de Pombal. Teodoro de Almeida foi forçado a exilar-se em 1768, continuando a desenvolver uma acção pedagógica importante em França. Regressou a Portugal em 1778, logo após o afastamento de Carvalho e Melo, embrenhando-se nos anos seguintes na revitalização do Oratório, na escrita e nos cursos.
É também um dos elementos do grupo que organiza a criação da Academia das Ciências de Lisboa, que se apresenta a público com uma Oração de Abertura de sua autoria, proferida a 4 de Julho de 1780; nela comparava o atraso do país em matéria científica ao reino de Marrocos, suscitando uma violenta reacção dos sectores intelectuais ligados ao pombalismo, expressa em várias cartas anónimas que vituperavam o orador e a nova Academia.
Continuou depois a Recreação, cujo plano editorial se concluiu com a publicação do volume X em 1800. Esta última fase é porém já dominada por um conservadorismo que reage às repercussões políticas do ideário das Luzes, que foi o seu numa primeira fase enquanto não pôs em causa a religião revelada e a ordem social vigente, à qual Teodoro de Almeida se encontrava fortemente vinculado, embora longe da sua componente ultramontana; manifestava-se sim contra os descrentes, pela conservação do seu ideário religioso, como antes de afirmara contra os escolásticos, pela renovação do ideário científico.
Da obra ficou sobretudo o grande projecto enciclopédico que foi a Recreação Filosófica (com os volumes I a VI sobre a Filosofia Natural, o VII sobre a Lógica, e os últimos três sobre a Ética e a Moral), complementada pelas Cartas Físico-Matemáticas (3 vols., 1784-1798), sendo aquela a obra que leva mais longe e ao mesmo tempo marca os limites das possibilidades da Ilustração católica portuguesa. Mas além destas deixou muitos mais escritos, como o Feliz Independente do Mundo e da Fortuna (3 vols., com 2.ª ed. corrigida em 1786), o mais celebrado dos seus livros sobre espiritualidade."
(Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p47.html)
Encadernação coeva inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com pequenas "esfoladelas" nas pastas.
Muito invulgar.
30€

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