07 abril, 2026

CLARO, Rogério - 
DR. FRANCISCO DE PAULA BORBA : 1.º cidadão honorário de Setúbal
. Setúbal, Edição: Do autor, 1986. In-8.º (21,5x15 cm) de 83, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Obra biográfica de homenagem a Francisco de Paula Borba, ilustre angrense que elegeu Setúbal como terra de adopção.
Bonita edição, totalmente impressa sobre papel couché, ilustrada com inúmeras fotografias a p.b., sendo algumas delas em página inteira.
"- Ó Moniz, está lá fora um patrício teu que te quer falar.
Carlos Ramos Moniz, obtida a licença do mestre, descansou o instrumento no banco donde se levantara e assomou à porta da sala de ensaios da banda de Caçadores 1. Corria o ano de 1898.
Fora, um jovem alto, de porte distinto, apresentou-se. Era o Francisco, o irmão do padre Borba que andara com Moniz à escola, na ilha Terceira, nascidos todos na freguesia de Biscoitos da Praia da Vitória. Com 26 anos, médico recém-formado, o Dr. Francisco de Paula Borba acabara de chegar a Setúbal, para aqui estabelecer clínica, sem outra referência senão a do patrício, músico distinto no regimento local. Ficou 15 dias aboletado em cada da mãe dele, a senhora Carolina Serralha, na Rua Nova da Conceição. Depois, seguiu o rumo da sua vida."
(Excerto do Cap. I)
Francisco de Paula Borba (Angra do Heroísmo, 1873 - Setúbal, 1934). "Foi um médico, formado em cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa em 1898, que exerceu medicina em Setúbal, sendo médico da Misericórdia e do Montepio daquela cidade. Distinguiu-se no campo da filantropia."
(Fonte: Wikipédia)
Rogério Noel Peres Claro (Setúbal, 1921 - 2015). "Foi um professor do ensino comercial e industrial, jornalista e divulgador da história da cidade de Setúbal. Tirou o curso dos liceus no Liceu Nacional de Setúbal (atual Escola Secundária de Bocage) e licenciou-se em Filologia Românica na Universidade de Lisboa. Iniciou a sua carreira docente como professor do ensino técnico profissional em 1943, tendo sido diretor da Escola Industrial e Comercial de Estremoz (atual Escola Secundária Rainha Santa Isabel) entre 1952 e 1961 e da Escola Industrial e Comercial de Setúbal (atual Escola Secundária Sebastião da Gama) entre 1961 e 1970."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
15€

06 abril, 2026

A POPULAÇÃO DE PORTUGAL EM 1798. O CENSO DE PINA MANIQUE.
Com introdução de Joaquim Veríssimo Serrão
. Paris, Fundação Calouste Gulbenkian : Centro Cultural Português, 1970. In-4.º (25,5x17 cm) de XXX, 144, [2] p. ; [2] f. il. ; C. Fontes Documentais Portuguesas - I
1.ª edição.
Importante trabalho oitocentista de recolha de dados estatísticos sobre a população residente em Portugal no final do século XVIII, o primeiro com estas características realizado entre nós. Esta operação estatística foi impulsionada por Diogo Inácio de Pina Manique (1733-1805), que exercia o cargo de Intendente-Geral da Polícia (1780-1803), e teve como objetivo contabilizar a população e os fogos (fogachos) do Reino de Portugal. Trata-se de um documento fundamental para o estudo da demografia portuguesa no final do século XVIII/início do século XIX, antecedendo os censos de 1801-1802.
Obra com relevância histórica e sociológica.
Livro impresso em papel de superior qualidade, ilustrado com duas estampas extratexto: a reprodução do frontispício do Livro e do 'mapa' estatístico que abre o manuscrito.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Prof. Veríssimo Serrão ao conhecido historiador Dr. Guilherme de Oliveira Santos.
"Constitui o primeiro volume desta série o Livro que contém as freguesias que há em Lisboa, no seu termo e nas diversas terras deste Reino, manuscrito que se conserva nos «Archives Historiques du Ministère de la Guerre», em Vincennes, onde tem a cota: Mss. 1355.
Trata-se do censo da população portuguesa no ano de 1798, mandado executar pelo então Intendente-Geral da Polícia de Lisboa, Diogo Inácio de Pina Manique, e em que se indicam as províncias, cidades, vilas, freguesias e lugares do reino e os respectivos fogos. Esse documento, do mais alto interesse para a história demográfica do país, faz-se acompanhar de um estudo prévio em que se pretendem explicar as razões que estiveram na base do recenseamento e as medidas tomadas pelo Intendente-Geral para obter esse quadro numérico. Não se veja nesse intróito o estudo exaustivo que a matéria exige, mas apenas uma tentativa de esclarecimento histórico para integrar o censo de 1798 no quadro político da época.
O nome de Pina Manique fica assim ligado à história de tão valioso documento que, estamos certos disso, passa a constituir uma fonte de consulta imprescindível para todos os historiadores da fase posterior à Administração pombalina."
(Excerto do Prefácio)
"Não constitui novidade histórica que no ano de 1798, por ordem de Diogo Inácio de Pina Manique, teve lugar uma contagem dos habitantes do reino com o fim de obter recrutas para o Exército. Mas sucede que o referido censo ficou inédito apesar do seu interesse para a história social portuguesa, ignorando-se também as formas a que obedeceu o recrutamento e a concreta actuação que nele teve o Intendente-Geral da Polícia de Lisboa. [...]
O censo de 1798 teve uma finalidade imediata, de interesse militar, no recrutamento de tropas para a defesa do reino. Mas os seus dados têm o mais alto valor na medida em que dão a conhecer a população por comarcas, cidades, vilas, freguesias e fogos, numa contagem que atendendo aos meios de comunicação da época pode considerar-se, tanto quanto possível, rigorosa e global.
Sabe-se, por outro lado, que os Governadores, Corregedores e os Juízes de Fora e ordinários cumpriram com rapidez as ordens emanadas do Intendente-Geral, tendo feito a verificação do número de habitantes por fogos - que abrangeu os povoados mais reduzidos - entre Maio e Setembro daquele ano."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Prefácio. | Introdução. | Livro que contem as freguesias que há em Lisboa no seu termo, e nas diversas terras deste Reyno. | Freguesias de Lisboa e seu termo. | Comarca de Santarém. | Comarca de Tomar. | Comarca de Leiria. | Comarca de Torres Vedras. | Comarca de Setúbal . | Comarca de Ourém. | Comarca de Alenquer. | Comarca de Ribatejo. | Comarca de Chão de Couce. | Comarca de Alcobaça. | Comarca de Coimbra. | Comarca de Viseu. | Comarca de Lamego. | Comarca de  Guarda. | Comarca de Castelo Branco. | Comarca de Trancoso. | Comarca de Aveiro. | Comarca de Pinhel. | Comarca de Linhares. | Comarca de Feira. | Comarca de Arganil. | Comarca de Porto. | Comarca de Penafiel. | Comarca de Guimarães. | Comarca de Viana do Castelo. | Comarca de Barcelos. | Comarca de Valença. | Comarca de Braga. | Comarca de Miranda. | Comarca de Moncorvo. | Comarca de Bragança. | Comarca de Vila Real. | Comarca de Évora. | Comarca de Elvas. | Comarca de Portalegre. | Comarca de Ourique. | Comarca de Aviz. | Comarca de Vila Viçosa. | Comarca de Beja. | Comarca de Crato. | Comarca de Taveira. | Comarca de Lagos. | Comarca de Faro.
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a verde na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e estatístico.
35€
Reservado

05 abril, 2026

MESQUITA, Luís de -
MENSAGEIRO DO ESPAÇO.
Colecção Flamingo. Lisboa, Sampedro, [1957]. In-8.º (18x11,5 cm) de 271, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Capa assinada por Victor Ribeiro.
Curioso romance de ficção científica, o único deste género publicado nesta estimada colecção.
"Mensageiro do Espaço, quarto volume da Colecção Flamingo, é um romance de ficção científica, um dos primeiros, senão o primeiro, de autoria portuguesa a ser publicado. [...]
Misto de realidade e de imaginação, [a ficção científica] fornece o meio ideal de evasão inteligente das preocupações da vida. Distrai, mas também instrui, revelando ao leitor muitos factos que lhe eram desconhecidos e, ao mesmo tempo, representando o género mais variado no campo do pensamento humano."
(Excerto de Nota dos editores)
"Não havia dúvida de que as coisas não estavam a correr-lhe bem naquela tarde. Por mais que se esforçasse, Carlos não lograva concentrar a sua atenção no trabalho que há dias o ocupava tão apaixonadamente.
Tratava-se do cálculo matemático das características e coordenadas de um pequeno cometa que descobrira duas noites antes na Constelação dos Gémeos.
Evidentemente que, no campo da astronomia, tal evento é banal, sobretudo se levarmos em conta as modestas proporções do astro em questão. Mas para Carlos, novel astrónomo amador, a descoberta de um pontinho brilhante, ainda por catalogar, assumia naturalmente foros de de acontecimento sensacional na sua vida. Alvoraçado, não abandonava, durante a noite, a ocular do seu pequeno reflector, tentando obter algumas fotografias que pudessem documentar a pequena memória que estava a elaborar, anunciando o nascimento de mais um cometa - o seu cometa."
(Excerto de I - Sintomas precursores)
Índice:
Nota dos editores | I - Sintomas precursores. II - Desaparecido. III - O Mensageiro. IV - As razões. V - Viagem interplanetária. VI - «Tahal», Mundo de maravilha. VII - Antina. VIII - O Conselho dos Anciãos. IX - Digressão pelo passado. X - «Aliks», música e amor. XI - Turismo fugaz. XII - Micro-Estrelas, Estrelas e Galáxias. XIII - A Revelação. XIV - Humanidades longínquas. XV - Ronda planetária. XVI - O aviso | Epílogo.
Luís de Mesquita. "Professor de bioquímica da Universidade de Lisboa, escreveu “A Ameaça Cósmica” (Liv. Sampedro Ed., Lx.ª s/d), confirmando o talento de narrador que já exibira em “O Mensageiro do Espaço”. Um cientista descobre que grandes cataclismos ocorrerão na Terra durante a passagem próxima de um cometa, procurando por isso alertar os mais poderosos governos, que não chegam a entendimento estratégico. Até ao instante fatal, sucedem-se vários desenlaces particulares entre personagens cujas relações ambíguas caminham para uma urgente redefinição."
(Fonte: https://projectoadamastor.org/cool_timeline/a-ameaca-cosmica/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€

04 abril, 2026

ALMEIDA, P. Teodoro d' -
RECREASAÕ // FILOZOFICA, // OU // DIALOGO // Sobre a Filozofia Natural para instruc- // saõ de pesoas curiozas, que naõ // frequentáraõ as aulas. // PELO // P. TEODORO D'ALMEIDA // da Congregasaõ do Oratorio de S. Fi- // lipe Neri. // TOMO IV. // Trata do Omem. //
LISBOA. // Na Oficina de MIGUEL RODRIGUES, // Impres. do Emin. Senhor Cardeal Patriarca. // M. DCC. LVII. // Com todas as licensas necesarias, // e Privilegio Real. In-8.º (17x11 cm) de [8], 333, [3] p. ; [5] f. desdob. ; il. ; E.
1.ª edição.
Tomo IV desta obra admirável - de proporções enciclopédicas - do iluminismo português -, escrita e publicada em 10 volumes entre os anos de 1751 e 1800. Trata este tomo dos olhos, dos sentidos e do corpo humano em geral.
"Recreação Filosófica é uma obra monumental do Padre Teodoro de Almeida, publicada entre 1751 e 1800, que divulga a filosofia natural e ciência experimental no séc. XVIII através de diálogos didácticos entre mestre e pupilos. A obra visa instruir os curiosos, defendendo uma pedagogia oratoriana que conciliava a ciência com a fé, num formato acessível e estruturado em vários tomos."
(Fonte IA)
Exemplar ilustrado no início com bonita gravura no texto, e no final, com 57 figuras distribuídas por 5 estampas desdobráveis em separado (completo).
"Eug. Emfim, já se abararaõ os embarasos, amigo Silvio, que atéqui tanto me impediaõ o vir continuar a nosa Recresaõ Filozofica, em que eu tanto me instruia com a vosa doutrina, e do noso amigo Teodozio; porem cheguei; e já envergonhado de tanta demora, sem lhe prometer tempo determinado, venho inesperadamente: vamos a busca-lo lá dentro.
Silv. Eu vos afirmo que já em nós ambos tinha crescido muito a desconfiansa de que os diversos empregos  e ocupasoens em que vos tinhaõ entretido, vos fizesem perder o gosto, ou totalmente esquecer da nosa literaria conversasaõ; entrai vós primeiro, quero que Teodozio tenha todo o gosto de repente.
Teod. Amigo Eugenio; basta que já vos vejo em minha caza!
Eug. Muito tempo à que me vereis, se me deixasem; como conheceis a minha vontade, escuzado é dar-vos relasaõ dos meos embarasos.
Teod. Todos tenho eu sentido; porem mais que todos a vosa molestia dos olhos, que muito me magoou.
Eug. Grande cuidade me deo, vendo-me quazi cego; porque sem vista~, eu naõ sei que alegria posa aver no caorasaõ umano: toda a beleza das creaturas, e a fermozura deste grande jardim do mundo, é inutil para um cego..."
(Excerto Da admiravel fabrica dos Olhos)
Index das materias, que se trataõ neste Tomo IV:
Tarde XVI - Trata do sentido da Vista. Tarde XVII - Da Dioptrica, ou dos Instrumentos de que uzaõ os olhos, e fazem seu efeito com a refracsaõ. Tarde XVIII - Da Catoptrica, ou dos Instrumentos de que uzaõ os olhos, e fazem seu efeito com a reflexaõ. Tarde XIX - Trata dos outros sentidos do Omem, Externos, e Internos, da Vós umana, do Sono, Vigia; e outras coizas deste genero. Tarde XX - Da Fabrica do Corpo Umano. Tarde XXI - Continúa a tratar da fabrica do Corpo Umano. | Erratas.
Teodoro de Almeida (1722-1804). "Oriundo de uma família de extracção social modesta, de Lisboa, Teodoro de Almeida ingressou na Casa do Espírito Santo da Congregação do Oratório a 11 de Abril de 1735, possivelmente devido à protecção do prepósito da Casa, o pe. Domingos Pereira. Iniciou depois os seus estudos sob a direcção do pe. João Baptista, o autor da Philosphia Aristotelica Restituta, que o influenciará de forma decisiva, definindo-se então o seu interesse pela Filosofia Natural.
Em 1748 foi substituto do mestre encarregue do triénio de Filosofia, o pe. Luís José, cujo docência assegurou a partir de 1751. Neste mesmo ano saíram dos prelos os dois primeiros volumes da sua obra mais importante, a Recreação Filosófica.
A década de 1750 é a da plena afirmação de Teodoro de Almeida, que ganha prestígio crescente como pregador, mas sobretudo como escritor e divulgador de temas científicos. Os volumes da Recreação sucedem-se a ritmo veloz, publicando-se o sexto em 1762. Em 1752 o pe. João Baptista inicia as conferência de Filosofia Experimental - ou Filosofia Natural - na Casa das Necessidades, beneficiando do excelente equipamento de laboratório doado à Congregação por D. João V, nas quais o seu discípulo viria a ter papel de destaque. As conferências eram abertas ao público e foram um sucesso, chegando a registar mais de 400 assistentes, entre os quais o próprio monarca. Todavia o fenómeno ficou algo a dever à curiosidade de salão, sem que todos os que a ela assistiam pudessem ter a percepção do que estava realmente em jogo do ponto de vista científico.
Enquanto expoente desta popularidade da divulgação científica, Almeida foi alvo de várias críticas e polémicas, sendo acusado de desvios em relação à ortodoxia religiosa e de ser plagiário. De entre os que vieram em sua defesa salienta-se o jesuíta Inácio Monteiro, autor de uma obra importante obra pedagógica também.
Na década seguinte alguns dos Oratorianos mais influentes conheceram a perseguição de Pombal. Teodoro de Almeida foi forçado a exilar-se em 1768, continuando a desenvolver uma acção pedagógica importante em França. Regressou a Portugal em 1778, logo após o afastamento de Carvalho e Melo, embrenhando-se nos anos seguintes na revitalização do Oratório, na escrita e nos cursos.
É também um dos elementos do grupo que organiza a criação da Academia das Ciências de Lisboa, que se apresenta a público com uma Oração de Abertura de sua autoria, proferida a 4 de Julho de 1780; nela comparava o atraso do país em matéria científica ao reino de Marrocos, suscitando uma violenta reacção dos sectores intelectuais ligados ao pombalismo, expressa em várias cartas anónimas que vituperavam o orador e a nova Academia.
Continuou depois a Recreação, cujo plano editorial se concluiu com a publicação do volume X em 1800. Esta última fase é porém já dominada por um conservadorismo que reage às repercussões políticas do ideário das Luzes, que foi o seu numa primeira fase enquanto não pôs em causa a religião revelada e a ordem social vigente, à qual Teodoro de Almeida se encontrava fortemente vinculado, embora longe da sua componente ultramontana; manifestava-se sim contra os descrentes, pela conservação do seu ideário religioso, como antes de afirmara contra os escolásticos, pela renovação do ideário científico.
Da obra ficou sobretudo o grande projecto enciclopédico que foi a Recreação Filosófica (com os volumes I a VI sobre a Filosofia Natural, o VII sobre a Lógica, e os últimos três sobre a Ética e a Moral), complementada pelas Cartas Físico-Matemáticas (3 vols., 1784-1798), sendo aquela a obra que leva mais longe e ao mesmo tempo marca os limites das possibilidades da Ilustração católica portuguesa. Mas além destas deixou muitos mais escritos, como o Feliz Independente do Mundo e da Fortuna (3 vols., com 2.ª ed. corrigida em 1786), o mais celebrado dos seus livros sobre espiritualidade."
(Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p47.html)
Encadernação coeva inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com pequenas "esfoladelas" nas pastas.
Muito invulgar.
30€

03 abril, 2026

LIVRO DE ORIGENS PORTUGUÊS (L. O. P.).
Registos n.os 18001 a 23000. Volume X- CLUBE PORTUGUÊS DE CANICULTURA. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Oficina Gráfica, Lda. - Lisboa], 1977. In-8.º (21,5x15 cm) de 140, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante repositório de dados caninos - raças, campeões, etc., - e estrutura administrativa, - com interesse para a história e organização do Livro de Origens Português (LOP).
Índice:
Clube Português de Canicultura: Direcção; Comissões; Membros de Honra; Membros Natos; Vogais | Raças por Grupos | Juízes do C. P. C. | Afixos - Prefixos e Sufixos | Campeões de Beleza Portugueses | Abreviaturas | Notas Importantes | Registos N.os 18 001 a 23 000 - Por ordem alfabética | Raças e Variedades - Ordem alfabética dos registos.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
25€
Reservado

02 abril, 2026

CAUSA SOBRE NULLIDADE DE MATRIMONIO ENTRE PARTES DE UMA, COMO AUCTORA, A SERENISSIMA RAINHA D. MARIA FRANCISCA ISABEL DE SABOYA, NOSSA SENHORA, E DA OUTRA O PROCURADOR DA JUSTIÇA ECCLESIASTICA EM FALTA DE PROCURAÇÃO DE SUA MAGESTADE EL-REI D. AFFONSO VI, NOSSO SENHOR
. Lisboa, Imprensa União-Typographica, 1858. In-8.º (21x13 cm) de XV, [1], 133, [1] p. ; E.
Peça jurídica sobre o processo de divórcio entre o rei D. Afonso VI e sua mulher, a rainha D. Maria Francisca de Saboya, que alegou a impotência do monarca e, por consequência, a impossibilidade de consumar o casamento, para a sua anulação.
Processo histórico que suscitou as maiores dúvidas na época, e nos dias que corrrem, sendo vasto o rol de historiadores que se dividem na apreciação dos factos. Verdade ou conspiração? Os problemas físicos do rei obstariam à cópula de facto, e por conseguinte impeditivos da consumação matrimonial, ou interesses políticos e a afeição entre a rainha e o cunhado real precipitaram o desfecho conhecido?
Obra rara e muitíssimo interessante. Contém inúmeras peças relevantes para a construção do processo, incluindo o depoimento de 22 testemunhas da parte do procurador da rainha, sendo a maior parte relativo a mulheres jovens que tiverem encontros íntimos com o rei (descritos para os autos em pormenor), o Breve do Papa Clemente IX que confirma a nulidade do matrimónio real e certifica a união de D. Pedro com a rainha, e a Sentença Final.
"D. Afonso nasceu a 21 de agosto de 1643, quarto filho do rei D. João IV e da rainha D. Luísa de Gusmão. Depois da morte de D. Teodósio, seu irmão primogénito e herdeiro do trono, e apesar dos seus problemas de saúde, D. Afonso VI subiu ao trono em novembro de 1656. Cognominado de O Vitorioso, foi o 22.º rei de Portugal.
O casamento de D. Afonso VI com Maria Francisca Isabel de Sabóia, Mademoiselle d’Aumale celebrou-se por procuração em 27 de junho de 1666, e a nova rainha chegou a Lisboa a 2 de agosto do mesmo ano. Mas o casamento não resultou e foi anulado.
D. Afonso VI foi deposto pelo seu irmão D. Pedro, e passou a vida em cativeiro, primeiro na ilha Terceira e depois em Sintra, onde veio a falecer a 12 de setembro de 1683."
(Fonte: https://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/casamento-de-d-afonso-vi-com-maria-francisca-isabel-de-saboia/)
"A historia é a immortalidade da recordação. Assim como as virtudes e os crimes se continuam na lembrança dos povos, ella os perpetúa desde a interveção da imprensa nas suas paginas sem limite. [...]
Publicando a Causa entre as partes, de uma, como auctora, a rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboya, e da outra o procurador da justiça ecclesiastica, em falta de procuração d'el-rei D. Affonso VI, fazemos conhecido um documento celebre, que é apenas como a decoração de uma das principaes scenas desse drama, que, se está por fazer no theatro, está ha muito completo nas paginas da historia. [...]
A 24 de março de 1668, vespera de Ramos, saiu a sentença que annullou o matrimonio de D. Affonso VI com D. Maria Francisca Isabel de Saboya. A princeza mandou intimar os tres-estados, pedindo a restituição do seu dote para se recolhger a França. Os fios do trama urdido com tanto cuidado vão unir-se no ponto desejado.
D. Maria de Saboya havia ganho a estima de todas as classes. Os estados não a queriam deixar partir, e juntos ao senado da camara vão supplicar-lhe, como uma graça, o que ella, como  mulher, deseja com a vehemencia da ambição, e com o enthusiasmo do amor. Supplicam-lhe que acceite a mão do regente. Annue a princeza, e a 2 d'abril a benção nupcial, confirmada mais tarde pelo breve de S. S. Clemente IX, liga os destinos de D. Maria de Saboya, e do infante D. Pedro. 
D. Affonso VI tem ainda o nome de rei; mas depois do desterro na ilha Terceira, vive captivo naquelle carcere tão conhecido da risonha Cintra. O irmão que lhe tomára a esposa e o reino deixa-lhe, como symbolo de um poder já findo, essa insignia de que se adorna só depois da morte de D. Affonso VI.
Fallecido o rei em nome, o rei de facto sóbe ao throno, tendo ao lado a que pelo seu amor ahi o conduzira."
(Excerto da nota d'Os Editores)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
30€

01 abril, 2026

VASCONCELLOS, Henrique de -
CONTOS NOVOS
. Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1903. In-8.º (20x12 cm) de 237, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de contos, segunda obra em prosa do autor (das três publicadas), saída após A mentira vital (1896). Uns históricos, outros do 'tempo presente' (redigidos na primeira pessoa), sendo comum a todos uma certa matriz sanguinária, e a presença da morte - do amor e da morte.
"N'um longinquo Outróra, governava um ducado vasto como um reino, o duque Alindôr.
Governava? Não. Vexava os povos, exigindo constantemente contribuições para as desabridas correrias nas fronteiras d'um estado visinho; violava as virgens espreitando o pasmo que se lhes abria nos olhos; mandava tirar dos thalamos enfeitados as esposas recentes, para gaudio das suas ceias, que se demoravam até á noite alta despejando vastas canecas de vinhos fortes.
Fôra a maldição que cahira sobre aquelles povos, um flagello peor que a peste, porque esta passa, e o duque, apesar das orgias, da sua gula infrene, da volupia, era forte e são aos cincoenta annos, e parecia um pagem na ligeireza com que saltava para a sella e ia para montes distante e pelas florestas caçar faisões ou correr javalis."
(Excerto de As forcas)
"Foi em Carthagena, a cidade amaldiçoada e esteril, toda em montanhas asperas e pardas em que não cresce uma herva, que comecei a frequentar tabernas sujas de bairros excentricos, onde se reunem, pela noite morta, cocheiros, ladrões, almocreves e a fina flôr dos prostibulos reles, toda a Hespanha nocturna e pittoresca, faces queimadas, olhos brilhantes de creaturas magras, angulando e desperdiçando gestos. [...]
Uma noite fomos a uma pequena taberna, toda branca como uma ermida, isolada, em Quita-Pillegas, secco o ramo de louros á porta.
Vinha lá de dentro um rumor de briga e de risos. Alguem sahiu, gritando, as mãos no ventre.
E nós entrámos. Ainda pude vêr o brilho d'uma navalha que se limpava; aos poucos, toda a gente se foi sumindo, ficando apenas o taberneiro, impassivel, sentado ao balcão, como homem habituado ás scenas de facadas, e um bebedo, silencioso, o busto lançado sobre a mesa."
(Excerto de A cabeça da morta)
Henrique de Vasconcelos (São Filipe, Cabo Verde, 1876 - Lisboa, 1924). "Diplomata, político, jornalista e escritor português, colaborador e amigo de Afonso Costa, deputado em várias legislaturas da Primeira República Portuguesa. Poeta decadentista, autor da Missa negra, foi Director Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e um importante bibliófilo, detentor de uma vasta biblioteca.
Cabo-verdiano de nascimento, radicou-se cedo em Lisboa, desfrutando de prestígio literário em Portugal. Licenciou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra, e foi Director–Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Representou Portugal em legações e missões diplomáticas em vários países.
Com uma obra de temática europeia, foi autor, entre outras, das seguintes obras: Flores cinzentas, poesia (Coimbra, 1893); Os esotéricos, poesia (Lisboa, 1894); A Harpa de Vanádio, poesia (Coimbra, 1894); Amor Perfeito, poesia (Lisboa, 1895); A mentira vital, contos (Coimbra, 1897); Contos novos, contos (Lisboa, 1903); Flirts, contos (Lisboa, 1905); Circe, poesia (Coimbra, 1908); e Sangue das rosas, poesia (Lisboa, 1912). Também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas O Branco e Negro (1899), Ave Azul (1899-1900), Brasil-Portugal (1899-1914), Serões (1901-1911) e Atlântida (1915-1920)."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado à cabeça. Capa de brochura frontal alvo de restauro; com assinatura de posse.
Raro.
40€
Reservado

31 março, 2026

CARDOSO, Dr. Sunana de Figueiredo - TOILETTE SECRETO DAS DAMAS.
Segredos para o aperfeiçoamento e embellezamento do corpo feminino. 6.ª edição.
[Bibliotheca Popular Scientifico - Sexual]. Lisboa, Imprensa Nunes [Capa - Livraria do Povo de Francisco Silva, [19--]. 
In-8.º (17,5x11 cm) de 96 p. ; B.
Interessantíssimo manual feminino de sãos "procedimentos", polémico na época pelo seu conteúdo, desvenda, entre outras panaceias, as "formulas para o embellesamento do corpo humano".
Raro e muito curioso.
Sunana Cardoso, será, por certo, o pseudónimo de um "conhecedor" das matérias em apreço.
"Nem sempre as mais santas intenções são geralmente reconhecidas nem apreciadas porque apparecem sempre Aristarcos criticos que, incapazes de sentirem estimulos generosos, não admittem que outros os sintam e por isso buscam sempre o lado menos bello de qualquer facto para o apreciarem e aquilatarem.
Não faltará por isso quem, ardendo no fogo sagrado de um pudor de encommenda, critique talvez com desmesurada severidade a nossa audacia, dirão, de reunir n'este volume uma serie de conselhos e receitas, que escandalisa os puristas, as devotas velhacas, e os catões da moralidade.
Ora já o Bocage exclamava com razão e justiça esta grande verdade:
«Isto de moral e pudor é tudo peta».
É, e principalmente da parte dos homens; as suas exigencias de honestidade e castidade são só... para inglez ver; todos querem que uma mulher moça e bonita seja honesta rigorosamente... para os outros, porque o prazer de cada um é... deshonestal-as. Deixemos pois os moralistas conspicuos, que se metterem a mão na consciencia talvez a retirem mais negra do que carvão, e expliquemo-nos com as nossa formosas leitoras, a quem o nosso trabalho é consagrado.
 Não ha mais legitima aspiração da parte de uma pessoa do sexo feminino do que aperfeiçoar os encantos que a natureza lhe concedeu para melhor assegurar os seus triumphos na sociedade, triumphos a que tanto aspiram as senhoras solteiras, como as casadas e as viuvas; e para que isto succeda não ha perigo para a reputação, nem para a sua honestidade, porque uma senhora pode ser declarada a mais gentil e a mais formosa, sem que deixe de ser considerada tambem virtuosa e honesta. 
Depois, entre a virtude, perfeição do espirito, e belleza, perfeição esthetica, não ha incompatibilidade alguma, e bem servidos estariamos se a virtude coubesse só ás mulheres feias, desastradas e demazelladas, que não curam de se alindar e aformosear. Cremos que o proprio Deus se enjoaria até de taes virtudes. An tes pelo contrario, Deus eve estimar as mulheres bonitas, porque ellas são um attestado vigoroso da sua omnipotencia e prova de que o mesmo Deus aprecia o Bello."
(Excerto do Proemio)
Summario (retirado da capa):
Maneira de encobrir uma primeira falta. | A virgindade. | Como se obteem filhos bonitos. | Modo de augmentar ou diminuir o volume dos seios. | A prenhez, o parto e o aleitamento. | Modo de evitar o parto. - Enfermidades secretas. | Conservação da formusura. | Maneira de engordar ou emmagrecer. | Modo de extrahir as manchas da pelle, as sardas, as rugas, as verrugas, frieiras, cieiro, etc.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
50€
Reservado

30 março, 2026

CORRÊA, Carlos Alberto -
A ARTE NA GUERRA. (O official - O soldado).
[Por]... Capitão de Cavallaria. Lisboa, Imprensa Libano, vda Silva, 1912. In-4.º (23,5x16,5 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio sobre liderança e estratégia militar no campo de batalha, publicado já sob os auspícios do novo regime saído do 5 de Outubro de 1910.
Obra rara, muito interessante, não mencionada na BNP, a não ser a existência de uma folha volante que certifica a publicação do livro.
"A palavra tactica vem da palavra grega [...] que significa: ordem, arranjo, disposição.
Effectivamente pode-se definir a tactica como a arte de dispôr e de fazer mover com ordem as tropas no campo de batalha.
Hoje o termo tactica tem uma significação mais extensa e assim é o conjuncto de processos empregados para marchar, proteger-se e combater.
Estes processos são differentes segundo as armas. Cada arma tem a sua tactica particular de marcha, de estacionamento e de combate. Quando actuam em conjuncto, applicam os processos da tactica das trez armas.
A arte da guerra comporta alguns principios imuteveis provenientes de causas moraes ou physicas. Mas a utilisação d'esta arte, a applicação d'estes principios estão submettidas a constantes variações, porque os meios empregados, o estado moral das tropas, o terreno, são coisas essencialmente variaveis. [...]
A primeira causa que pode actuar sobre a tactica é a natureza das armas.
Para ferir um adversario, pode-se empregar dois meios: lançar contra elle um corpo, conservando-se a distancia; ou correr para elle, e, de perto, feril-o com a arma. Assim ha duas naturezas d'armas: armas d'arremeço e armas de choque."
(Excerto do Ensaio)
Indice:
1.ª Parte - A arte na guerra: I - Tactica - Estrategia. II - Preparação - Execução: A) Necessidade do estudo e d'uma preparação constante para a guerra; B) Systema militar d'um estado.
2.ª Parte: O official - O soldado: I - O chefe: A) Qualidades do chefe; B) Da disciplina. II - O soldado.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
25€
Reservado

29 março, 2026

JUNTA DE FREGUESIA DE RIO DE MOINHOS.
Inventário do Acervo Documental - Arquivo Municipal de Penafiel. Penafiel, Câmara Municipal de Penafiel, 2002. In-fólio (30x21 cm) de 143, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Monografia de Rio de Moinhos, vila pertencente ao concelho de Penafiel, sede de freguesia. O território da freguesia está situado na margem direita do rio Tâmega, encontrando-se a ponta sudoeste a uns dois mil metros da confluência deste com o rio Douro.
"Perante vós está uma súmula da documentação histórica da freguesia de Rio de Moinhos depositada no Arquivo Municipal de Penafiel.
Ela refrecte o pulsar da nossa terra e do seu povo, o seu labor, a sua determinação, o seu sofrimento para ultrapassar as dificuldades e obstáculos que ao longo dos anos se lhes depararam."
(Excerto do Prefácio, de Joaquim da Silva Rodrigues)
Obra de dimensões generosas, por certo com tiragem reduzida, impressa em papel de superior qualidade, ilustrada com inúmeras fotografias a p.b. e a cores distribuídas pelo texto e em página inteira.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
25€

28 março, 2026

MONTEIRO, José - O CAVALO LUSITANO : contributo para o seu estudo. 
[Por]... Médico-veterinário, ex-chefe dos Serviços Coudélicos, sócio honorário e consultor da Associação Portuguesa de Raças Selectas, etc. [Lisboa], [Ministério da Agricultura e Pescas], 1983. In-4.º (25x19 cm) de 205, [3] p. ; [20] f. il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do Cavalo Lusitano, o mais antigo cavalo de sela do mundo, animal nobre, generoso e ardente, mas sempre dócil e sofredor, sendo que, "neste momento, a competição, o toureio, a arte equestre utilizam cada vez mais cavalos Lusitanos em todo o Mundo".
Obra de referência sobre o tema, publicada no Boletim Pecuário do MAP, ilustrada com 30 desenhos e fotogravuras, a p.b. e a cores de representantes da raça, distribuídos por 20 folhas extra-texto impressas sobre papel couché.
"A designação de lusitano atribuída ao cavalo que de há longos séculos se cria em Portugal, deriva do nome do primeiro povo histórico - os lusitanos - que habitou grande parte do actual território nacional e parte do território que é hoje Espanha."
(Excerto de O cavalo da Lusitânia)
"O cavalo de Portugal conhecido por lusitano é o protótipo do cavalo de sela, isto é, um cavalo que alia à beleza e harmonia do modelo um temperamento dócil e generoso e uns andamentos fáceis e cómodos e brilhantes.
A sua rusticidade, o seu equilíbrio natural e a sua versatilidade, permitem-lhe uma perfeita adaptação a todos os climas, a todos os terrenos e a várias modalidades hípicas."
(Excerto de Características Morfo-funcionais do Cavalo Lusitano)
Índice: Agradecimentos. | Prefácio. | Origem e evolução do Cavalo. | Origem e evolução do Cavalo na Península Ibérica. | O cavalo da Lusitânia. | Características Morfo-funcionais do Cavalo Lusitano: Padrão da Raça. Alguns dados biométricos. Pelagem. Aptidão funcional. Provas Morfo-funcionais. | Áreas de expansão do Cavalo Ibérico. Raças Derivadas. | Métodos de Exploração. | Fins da Exploração: Cavalos de sela e cavalos de desporto. Forças Armadas. Cavalos de Serviço. Criação Mulateira. Cavalos para abate. | Efectivo cavalar actual no continente. | Exterior do Cavalo Lusitano: Cabeça e Pescoço. Balanceiro Cervical. Garrote. Dorso e Rim. Garupa. Peitoral. Ventre. Costado. Flanco. Anus e Perineo. Orgãos genitais masculinos. Testículos e Bolsas. Pénis e Forro. Orgãos genitais femininos. | Membros e seu Funcionamento. | Aprumos do Cavalo Lusitano. | Regiões dos Membros. | Membro Torácico: Espádua. Braço. Antebraço. Codilho. Joelho. | Membro Pélvico: Nádega. Soldra. Perna. Curvilhão. | Regiões comuns ao Membro Torácioco e ao Membro Pélvico: Canela e Tendão. Boleto. Quartela. Coroa. Casco ou Pé. | O Cavalo Lusitano e os Concursos de Modelo e Andamentos. | Perspectivas da Criação Cavalar Nacional. | Principal bibliografia consultada.
Belíssima encadernação meia de pele com cantos, recente; lombada decorada com nervuras, título e autor a ouro em 'casas fechadas'. Tintado à cabeça. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
120€

27 março, 2026

COSTA, Rodrigo Ferreira da - A LYRA INGENUA, OU COLLECÇÃO De Canções e Glozas em quadras.
E che sentirai tu s'Amor non senti, Sola cagion di ciò che sente il mondo. Il Pastor Fido. Em Toulouse, Na Imprensa de Benichet Ainé. 1814. In-8.º (12,5x8,5 cm) de 50, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Raríssima edição original da primeira obra do setubalense Rodrigo Ferreira da Costa, publicada anónima. A 2.ª edição, também rara, foi igualmente impressa sem o nome do autor, mas em Lisboa, na Impressão Régia (1818).
"Os versinhos, que publico, não são meus; porem deve-os o pùblico à minha curiosidade. Nascêrão nas margens do Mondego naquelles dourados tempos, em que os Cysnes Academicos ião decantar os seus amores à sombra dos salgueiros, ou no Penedo da saudade ao desafio com os melros, e rouxinòes.
São quase todos de hum moço mui prezado em Coimbra, o qual falleceu na flor dos annos com grande magoa de seus amigos, e saudade das Musas, que com felicissimo engenho cultivava. Não o nomeio por poupar à sua honrada memoria a macula de paixões, e de fraquezas."
(Excerto do Prologo)

"Nesta serra amena, e fresca,
Onde huma tarde subi,
Recostado n'um Penedo
Suspirando adormeci.

Tua ditosa morada
Buscava ver; mas não vi;
Cançado de procura-la
Suspirando adormeci.

No tronco de altivo freixo
A tua cifra insculpi:
Sentei-me, e co'os olhos nella
Suspirando adormeci.

Lembrado dos doces mimos,
Que hum dia te mereci,
Cheio de ternas saudades
Suspirando adormeci.

Em sonhos entre teus braços
Estreitado me senti:
Accordo; mas não te vendo
Suspirando adormeci.

Co'os olhos fitos na Lua
Com o pensamento em ti,
Desejando-te a meu lado
Suspirando adormeci.

N. B. O auctor dèrão-lhe nesta tarde as ternuras para dormir. Parece, que tinha tomado opio."

(Suspirando adormeci)

Rodrigo Ferreira da Costa (Setúbal, 1776 - Lisboa, 1825). "Poeta, musicólogo, filólogo e matemático. Licenciado em Leis (1800) e em Matemáticas (1804) pela Universidade de Coimbra. Estudioso de outras matérias, pode considerar-se como o primeiro musicólogo português, sendo também profundos os seus conhecimentos filológicos e linguísticos (dominava várias línguas, incluindo o grego e o latim). Posto isto, e talvez por destoar em seu saber e em suas ideias filosóficas, só em 1810 obteve colocação: oficial na secretaria do Comando Geral do Exército, qualidade em que acompanhou o Ajudante-General até ao final da Guerra Peninsular, em 1814. Em 1821 fizeram-no deputado às Cortes Constituintes e, em 1823, foi provido no lugar de Lente da Academia Real de Marinha. Era talvez para si o lugar mais adequado, mas durou pouco, pois morreria dois anos depois. Também foi membro da Academia Real das Ciências de Lisboa, que em 1820 e 1824 publicou os dois volumes dos seus Princípios de Música.
Estreou-se literariamente em 1814 com a Lira Ingénua..., um livro de versos que publicou anónimo em Toulouse. A segunda edição, muito aumentada e já assinada, foi impressa em Lisboa, com o mesmo título, em 1818. Em 1835, José Inácio de Andrade, seu grande amigo, mandou imprimir a tradução que Ferreira da Costa havia feito do poema A Ventura de Helvecio (Claude Adrien Helvetius, 1715-1771, um dos ideólogos precursores da Revolução Francesa), a que juntou uma nota biobibliográfica do tradutor na qual afirma que também se lhe deve a tradução para português do Templo de Gnido de Montesquieu, publicada em Paris em 1828 e assinada «Uma Portuguesa».
Rodrigo Ferreira da Costa traduziu igualmente a segunda parte da Arte de Pensar de Condillac; a tradução da primeira parte deve-se a José Liberato Freire de Carvalho."
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=12106)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Sem capas protectoras.
Muito raro.
Peça de colecção.
100€
Reservado

26 março, 2026

ROCHA, Souza - MANUAL DO ORADOR.
Grande collecção de Discursos e Brindes adequados a variadissimos actos solemnes. Segunda edição melhorada. Porto, Livraria Portugueza, editora de Joaquim Maria da Costa, 1913. In-8.º (19x12 cm) de  192 p. ; B.
Curioso manual, pioneiro entre nós no género, e sobretudo na forma - simples, despretensioso.
"Compondo e dando a publico este livros, tivemos em vista dotar o nosso mercado litterario com uma obra cuja da ha muito ahi se fazia sentir, como o demonstra o empenho com que muitas pessoas, a cada passo, procuram um livro d'este genero.
É certo que ella vem preencher por completo tão importante lacuna; mas que será um aproveitavel subsidio, um meio prompto e facil para o leitor elaborar uma allocução que se proponha pronunciar em qualquer circumstancia solemne, isso é que não nos parece offerecer duvida alguma.
Os discursos e brindes que n'este livro se contéem - como o leitor verá - servem para um grandissimo numero de occasiões em que a pragmatica obriga a dizer duas palavras adequadas ao acontecimento que se celebra ou á pessoa a quem se  rende publica ou intima homenagem de consideração e estima."
(Excerto do preâmbulo - Ao leitor)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos. Interior correcto.
Invulgar.
20€

25 março, 2026

CABREIRA, Antonio -
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE O PLANETA MARTE.
Conferencia realisada em 18 de janeiro de 1901 no Instituto 19 de Setembro. Pelo fundador e secretario geral... Socio Correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa, [etc.]. Lisboa, Imprensa Lucas, 1901. In-4.º (23x16 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosíssimo trabalho sobre o planeta Marte - em 8 partes - vertido em conferência.
Trata-se das reflexões astronómicas do autor, trabalho pioneiro, dos primeiros que sobre o assunto se publicaram entre nós. Além de repetir o que se sabia na época sobre o "planeta vermelho", que era pouco, o autor interroga-se acerca da possibilidade de vida vegetal e animal em Marte, e num plano superior, aos "habitantes inteligentes".
Opúsculo raro e muito interessante.
"Quando Marte se constituiu, estava animado de uma temperatura proxima de 1995 graus centigrados. Dada pois a sua antiguidade, deve admittir-se que disporá já de pouco calor central
Os factos mais importantes da meteorologia do planeta são grandes oscillações de temperatura e enormes tempestades. O Sol da-lhe apenas 4 decimas do calor e da luz com que nos acalenta. As noites tornam-se excessivamente frias, porque a pouca espessura da atmosphera permitte uma forte irradiação dos terrenos. [...]
A constituição chimica da atmosphera de Marte deve ser egual á nossa, porque o seu espectro revella riscas de absorpção identicas ás do espectro d'esta ultima."
(Excerto do Cap. IV)
"Tendo-nos referido, muito summariamente, a Marte, sob os pontos de vista mathematico, meteorologico e geographico, vamos finalmente dizer duas palavras ácerca do mysterioso problema da sua biologia, tão envolto nas brumas do desconhecido e, por vezes, dourado pelos fulvos clarões da phantasia romantica.
Procedendo Marte da mesma origem que a Terra é provavel que a identidade de corpos simples não seja apenas a revellada nas respectivas atmospheras e que, portanto, haja tambem compostos analogos nos dois planetas; logo póde admittir-se que dos seus aggregados resultassem vegetaes, que teem ainda por si o facto favoravel da abundancia das chuvas. [...]
Acerca da vida animal, começaremos por affirmar que, considerada como termo superior de uma longa evolução organica, só surgiu, no mundo que habitamos, n'um certo estado cosmico, para alem de cujos limites não pode manter-se, e que as civilisações estabelecidas como modo de ser d'essa vida, só se definiram e ergueram quando o homem poude entregar-se mais á consciencia da sua funcção moral. [...]
Posto isto, embora as condições meteorologicas permittissem a habitabilidade nos continenentes de Marte, a civilisação seria sempre rudimentar; os seres poderiam attingitr uma fórma superior mas os fructos dos seu trabalho, por mais solidos que se supposessem, não poderia resistir nem ao destroço pelos vendavaes, tão frequentes, e muito menos á submersão pelas aguas do degelo, de onde resultaria, mesmo, uma enorme lentidão no progresso intellectual, que tanto carece do concurso d'esse trabalho. O unico abrigo seriam então as cavernas nas raras montanhas que existem, se é que fossem poupadas pe,os diluvios.
Tambem se torna facil demonstrar que é inconcebivel a vida superior nos ares do planeta.
E concluir-se-ha d'estas considerações que não ha vida em Marte? E quem nos diz que o estado cosmico do planeta jamais permittisse quasquer combinações organicas ou que todas ellas se extinguiram com os ultimos lampejos do fogo central?
Mas as mancha luminosas observadas em 1892, e ha poucos dias ainda um traço brilhante que, intermittentemente, durou uma hora, não signifficarão, por ventura, qualquer intencional tentativa feita por uma especie de seres, avida de relações com a Terra? E os proprios canaes de notavel rigos geometrico com os seus desdobramentos não constituirão outra prova da existencia de habitantes intteligentes em Marte?"
(Excerto do Cap. VI) 
António Cabreira (Tavira, 1868 - Lisboa, 1953). "Matemático, jornalista e publicista português, António Tomás da Guarda Cabreira de Faria e Alvelos Drago da Ponte nasceu a 30 de outubro de 1868, em Tavira, no distrito de Faro.
De uma família aristocrática liberal algarvia e irmão de Tomás Cabreira, formou-se em Matemática pela Escola Politécnica de Lisboa. Empenhado em ações políticas, participou, em 1891, em várias reivindicações estudantis, tornou-se redator político de A Nação e, entre 1892 e 1897, exerceu vários cargos no Partido Legitimista ao qual aderiu.
Sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, foi secretário da Secção do Ensino da Matemática, em 1895, e vice-presidente da Secção de Geografia, em 1896, participando nas atividades de exaltação colonial e nacionalista que surgiram em consequência dos acontecimentos de 1891.
Fundador do Instituto Dezanove de setembro, dedicou-se à gestão e à docência nessa instituição. Em 1895, criou um projeto para um Curso Colonial no Instituto destinado aos colonos e funcionários da administração colonial. Em 1899, foi designado docente das disciplinas de Mecânica Racional e de Filosofia das Matemáticas do Curso de Ciências do ensino secundário daquele Instituto.
Ligado à Academia das Ciências de Lisboa, conseguiu, com o seu desempenho, a criação de novos institutos, como o Instituto Teofiliano (1912), o Instituto de Trabalhos Sociais (1914), o Instituto Arqueológico do Algarve (1915), o Instituto Histórico do Minho (1916) e o Instituto António Cabreira (1919).
Como jornalista, fundou ainda O Clarim, um panfleto doutrinário. Participou e organizou alguns eventos importantes, como o I Congresso Arqueológico Nacional, o I Congresso Colonial de 1900 e o 1.º Congresso Pedagógico Nacional, em 1908.
Enquanto publicista, escreveu sobre vários assuntos, que vão desde questões matemáticas até problemáticas de ensino. Destacam-se algumas obras, como Análise Geométrica de Duas Espirais Parabólicas (1895), Sobre Algumas Aplicações do Teorema de Tinseau (1897), O Ensino Colonial e o Congresso de Lisboa (1902), O Milagre de Ourique e as Cortes de Lamego (1925) e Júlio Verne, Educador e Pedagogo (1925).
António Cabreira faleceu a 21 de novembro de 1953, em Lisboa."
(Fonte: Infopédia) 
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
30€

24 março, 2026

MARRECAS, Candido - A MULHER NA GUERRA. [S.l.], [s.n.], [191-]. In-8.º (21,5x13,5 cm) de 11, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Conferência proferida pelo autor, em Lagos (Algarve), em benefício dos feridos da Grande Guerra.
Opúsculo revestido de belíssima capa, não assinada, publicado a expensas de João Calleça, que também assina o preâmbulo.
Raro, por certo com tiragem reduzida. Sem referências bibliográficas. A BNP não menciona.
"Em nenhuma epoca da historia talvez tanto como agora se tivesse oferecido á mulher ocasião de pôr em jogo a multiplice serie de virtudes de que ella tem feito a força da sua fraqueza.
O velho mundo atravessa uma formidavel crise de que é possivel que surja uma nova era para a humanidade. É a Europa inteira em armas; milhões de homens alapados em covas como lôbos, espreitando-se, tendo como fito unico exterminar o seu adversario e ocupar o terreno que elle não poude manter. São cidades que levaram seculos a erguer, demolidas num dia. [...]
São familias inteiras sem pão, fugindo deante do flagelo exterminador, tropegas de fadiga, chorando a casa destruida, as sementeiras devastadas e os filhos que ficaram mortos na lucta, confundidos nas enormaes valas que conteem centenas de cadaveres, dormindo sob os braços duma grande cruz feita de duas traves tôscas.
São os velhos sem arrimo, as creanças que perderam os paes, as mulheres vagueando tresloucadas pelos caminhos desertos, por entre a fumaceira das aldeias destruidas, e os troncos das arvores seculares que as balas esgalharam e que ficam, como atonitos gigantes, estendendo os braços impotentes para a miseria formidavel das coisas humanas.
São s ecolas transformadas em hospitaes, as egrejas em quarteis, os palacios em officinas de metralha.
São os monstros de aço, pavorosas machinas de exterminio que surgem um dia na costa e arremessam sobre as cidades indefesas a  morte vomitada pela guela escancarada dos seus canhões. [...]
No meio desta rajada formidavel de miseria e dôr, só a mulher tem um designio que não é de morte, um pensamento que não é de vingança...
A ela cabe um papel consolador e pacifico, de arrimo para a desgraça, de ternura para o sofrimento. Ela se torna no anjo bom do grande inferno em que se transformou o velho mundo e vê-se surgir, vestida de branco, com a cruz vermelha no braço, como um simbolo augusto de paz.
Depois de horas lentas de batalha, sob o troar da artilharia e a grita feroz dos assaltos, os que voltam feridos das trincheiras encontram-na junto ao leito do hospital com os cuidados solicitos duma enfermeira terna e com um dôce sorriso animador.
Ella vae aos escombros das casas derruidas, escutando os gemidos dos soterrados, arranca-los para a vida. Ela consola as creancinhas perdidas nos exodos, recolheno-as nas creches e é para ellas uma nova mãe.
Ella ouve e executa os derradeiros mandatos dos moribundos; e quando a sua cabeça toucada de b ranco se inclina sobre os peitos d'onde o halito vae fugir, o que morre entrevê no ultimo instante a sua figura terna de consoladora piedade.
Ella faz os fatos para os orphãos da guerra, as ligaduras para os feridos, os agasalhos para os soldados.
E emquanto o homem, armado até aos dentes, mais feroz que os brutos, com a sua força centuplicada pela sciencia e pela astucia, deitando fora de si a philantropia de racional que vinte seculos de civilisação não tornaram ainda mais duravel que uma ligeira mascara postiça; emquanto ella usa, para aniquilar o seu irmão, de requintes de inexcedivel barbaridade, com o prazer animal de embeber as armas em sangue, com a face transtornada e sinistra e os olhos injectados de bilis rancorosa, a mulher vae por entre a metralha recolhendo os feridos, calmando o desespero dos moribundos, sem armas nem abrigos, com o sorriso doce das grandes dedicações generosas..."
(Excerto da Conferência)
Exemplar em brochura, bem conservado. Capas frágeis, com pequenos defeitos. Contracapa apresenta vinco ao centro.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
45€
Reservado