09 janeiro, 2022

MENDES, José de Espregueira - MONOGRAFIA SOBRE A COSTA MARÍTIMA PORTUGUESA. Lisboa, [s.n. - comp. e impresso na Tip. Emílio Braga, Lisboa], 1958. In-4.º (24 cm) de 32, [2] p. ; [8] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre os principais portos de Portugal continental. Livro ilustrado em folhas separadas do texto com 8 mapas dos portos que integram o trabalho: Caminha; Viana do Castelo (antiga baía); Viana do Castelo; Douro e Leixões; Peniche; Estuário do Rio Tejo; Setúbal; Faro.
Tiragem: 500 exemplares.
"Nos nossos portos de mar, que ficam situados nas embocaduras ou fozes de rios, foi quase sempre preocupação dominante dos técnicos que têm de resolver os problemas adstritos a esses portos, dirigir as correntes de vazantes contra os cabedelos que se formam nas margens Sul das entradas das barras, no intuito e com a finalidade de evitar a formação dos mesmos cabedelos e conservar, assim, as barras desimpedidas. [...]
Na realidade, para o estudo dos portos de mar situados na zona costeira ocidental, que, com excepção do do rio Douro são gravemente prejudicados pelos assoreamentos de origem marginal ou marítima, haverá que atender, em primeiro lugar, às proveniências e causas que provocam esses assoreamentos, o que não tem sido seguido, através dos séculos, com exemplar acerto em grande parte dos casos.
Vamos seguidamente passar uma rápida revista por alguns dos portos de mar portugueses, apontando apenas a resolução técnica de diversos problemas que julgamos ser de primordial importância para os mesmos portos."
(Excerto de Diversos elementos referentes aos nossos portos de mar)
Matérias:  Introdução : algumas observações sobre problemas de hidráulica marítima existentes em Portugal. a - A formação geral das areias; b - O seu transporte e acumulação ao longo da costa.
Diversos elementos referentes aos nossos portos de mar. A - Porto de Caminha; B - Porto de Viana do Castelo; C - Porto de Leixões; D - Barra do Rio Douro; E - Porto de Aveiro; F - Porto de Peniche; G - Baía de Cascais; H - Estuário do Rio Tejo;  I - Porto de Setúbal; J - Ria de Faro.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Sem f. anterrosto.
Muito invulgar.
25€

08 janeiro, 2022

SERPA, António Ferreira de - INFLUÉNCIA DO CANAL DO PANAMA NO MOVIMENTO DOS PÓRTOS PORTUGUÊSES.
Relatôr:... Liga de Defêsa dos Interésses Públicos
. Lisbôa, Oficina Tipográfica, 1911. In-8.º (22 cm) de 29, [1] p. ; [1] mapa ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho publicado em plena construção do Canal do Panamá, cuja obra ficaria concluída apenas em 1913. O autor - cônsul da república panamiana - é de opinião que o Canal provocará um intenso movimento portuário que deve ser aproveitado por Portugal, tanto relativamente aos portos do continente como das Ilhas dos Açores.
Opúsculo ilustrado com um mapa separado do texto.
"A tése, que vou lêr, intitula-se «Influéncia do Canal de Panamá no movimento dos pórtos portuguêses» e dêvo disêr que um dos motivos que me levou a tratá-la, fôi sêr o assúnto pouco versádo ou conhecido, entre nós, devído, infelismente, a não existírem muitas pessôas que sáibam jeografia, e portanto, tambem, é restrito o número daquélas que pódem medír o alcance do gravíssimo problêma económico que a tôdo o mundo aféta a abertúra do Canal de Panamá.
Mâs ha aínda outra rasão: sou o representante consular da jóvem República de Panamá e é devêr meu chamar para éla e para a colossal óbra, que marcará na historia o século XX, a atenção do público português.
As conclusões da tése são as seguintes:
1,ª O Canal de Panamá aumentará o movimento marítimo dos pórtos portuguêses do Continénte Europêu e das Ilhas dos Açôres.
2.ª Devêmos prepará-los, para aproveitar a sua situação jeográfica, com tudo quanto póssa atraír e favorecêr a afluéncia da navegação."
(Excerto do preâmbulo)
António Ferreira de Serpa (Horta, 1865 - Lisboa, 1939). "Historiador. Estudou no Liceu da Horta, onde foi matriculado pela primeira vez em 1875. Em 1881 já se encontrava em Lisboa, onde continuou os seus estudos liceais e ingressou no Curso Superior de Letras que viria a realizar entre 1882 e 1886 (Reis Leite, 1989-1990; Ribeiro, 2007: 138).
Era Doutor em Filosofia e Letras pelo Real Istituto Monreale di Studi Superiori, de Palermo, Itália (1909), e Doutor em Filosofia pela Universidade Hispano-Americana (1909).
Para Lima (1943: 572), «foi incontestavelmente um exímio açorianista. [...] poucos açorianos concorreram mais para a divulgação da pátria insular, especialmente do Faial [...]. Defender a posição estratégica dos Açores, particularmente do porto da Horta, matéria sobre a qual teve intervenção pública, foi um dos seus objectivos como cidadão (ver publicações 1903a; b; 1940). Ainda segundo este autor, alguns dos seus escritos [...] tornaram-se notáveis e foram opinião cotada nas academias».
(Fonte: http://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/Default.aspx?id=10019)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Envelhecido. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Indisponível

07 janeiro, 2022

CASTELLO BRANCO, Camillo - FOLHETINS.
De... 2.ª Série. Archivo d'Aurora do Lima
. Vianna do Castello, Typ. Commercial, 1911. In-8.º (18,5 cm) de 64 p. ; B.
1.ª edição independente.
Colecção de crónicas de Camilo publicadas no jornal Aurora do Lima (Viana do Castelo) nos quatro primeiros anos deste periódico, entre 1856/1859, algumas delas assinadas com o pseudónimo João Junior. Foram reunidas em dois livrinhos - 1.ª Série e a 2.ª Série (a presente), e saídas dos prelos no mesmo ano - 1911.
Peça com interesse camiliano, onde é bem patente a veia satírica do Mestre, e a ironia de que faz uso com graça e apropósito. São muito raros estes opúsculos, por certo com tiragem reduzida.
"O author do Eurico, esse que se fez resurgir o presbitero do do seculo X para gemer os hymnos lugubres da sua paixão condemnada, disse que procurára a historia das agonias intimas geradas pela lucta d'esta situação excepcional do clero (o celibato) e não a encontrára.
«Nem nos codices illuminados da idade media - accrescenta o erudito historiador - nem nos pallidos pergaminhos do archivos monasticos estava ella. Debaixo das lageas que cubriam os sepulchros claustraes, havia por certo muitos que a sabiam; mas as sepulturas dos monges achei-as mudas. Alguns fragmentos avulsos que nas minhas indagações encontrei eram apenas phrases feitas e obscuras da historia que eu buscava debalde; debalde porque á pobre victima, quer voluntaria quer forçada ao sacrificio, não era licito o gemer, nem dizer aos vindouros «sabei quanto eu padeci!».
Eu, prescrutador profundo do coração humano, tambem quiz sondar as agonias do padre, condemnado á soledade, ao exilio de todos os gosos que florescem da mais soberana paixão do homem. Não interroguei as campas dos mosteiros desabados, por que me não chama a vocação para resolver problemas sobre cinzas; mas vim á minha sociedade, á minha geração buscar o segredo das paixões recalcadas pela mão oppressora d'uma incoherente piedade.
No monge antigo, o amor das coisas mundanaes poderia por ventura a lima dolorosa do tempo aspa-lo do coração. A vida cellular, o deslumbramento constante das magnificiencias do culto, o exemplo sempre vivo dos companheiros de claustro, a renuncia inteira dos incentivos exacerbadores da chaga, e sobre tudo, o horroroso impossivel gravado no batente do portão monastico, eram talvez auxilios que fortaleciam o monge no combate das paixões, desvanecidas pelo tempo.
Na sociedade actual, porem, o padre, em contacto com todas as fascinações, perdido no redemoinho dos deleites terrenos, chamado a ser homem torpemente social, e a interessar no triumpho pleno de muitas e das ridiculas torpesas; o padre, repito, se quizer manter-se na elevação esplendida, e ao mesmo tempo atormentada do seu destino, terá de arcar o braço a braço com o Antheu da desmoralisação, ou deixar-se vencer e arrastar aos charcos fétidos do descaro."
(Excerto O sacerdocio e o celibato, por João Junior)
Exemplar em brochura, bem conservado. Capas frágeis, com pequenas falhas e vincos.
Raro.
Indisponível

06 janeiro, 2022

LEMOS, Antonio - GUIA ITINERARIO DO AUTOMOBILISTA. Por...
Porto, Tipografia Empreza Guedes, 1923. In-8.º (19,5 cm) de [10] p. pub. ; [25] p. bco ; 271, [1] p. ; C.
1.ª edição.
Curioso guia automobilístico, abrangendo todo o território nacional - o primeiro do género publicado entre nós. Raro e muito interessante. As primeiras 10 páginas do livro são ocupadas com anúncios comerciais relacionados com a indústria automóvel - a Secção Anunciadora -, destacando-se marcas como a Mercedes (antes da parceria Mercedes-Benz, que seria concretizada em 1924) e Ford. As seguintes 25 páginas - espaço para Notas - encontram-se por preencher.
Inclui no final do livro, por ordem alfabética, uma lista: Principais localidades que possuem Hoteis e Garages.
"Tendo de ha muito reconhecido a necessidade de um Guia que facilmente illucide aos automobilistas qual o itinerario e o numero de kilómetros a que fica qualquer Cidade, Villa ou Aldeia que possa ser visitada pelos mesmos, e como até hoje não tivesse sido publicada uma obra n'este genero, embora apareçam algumas de utilidade mas que se limitam a um reduzido numero de itinerarios, resolvi aproveitar apontamentos que para tal fim colhi, tanto para o Norte como para o Sul, Alentejo e Algarve, para a confecção d'este Guia que agora acaba de publicar-se e que é, sem duvida, de grande utilidade para todos os automobilistas, excursionistas e, especialmente, aos chauffeurs de praça, pois que os habilita a poderem justar qualquer serviço sem que lhes seja necessario recorrer aos mappas que se tornam maçadores e complicados e que nem todos estão habilitados a comprehender.
N'este Guia encontram-se todas as Cidades, Villas e Aldeias mencionadas no mapa do Estado-Maior, por onde passam estradas de mácadâm descriptas pela letra alfabetica, razão por que facilmente se encontra a localidade desejada sem perda de tempo."
(Excerto do preâmbulo)
Encadernação cartonada do editor com lombada em percalina.
Exemplar em bom estado de conservação. Primeira página ostenta discreta assinatura de posse à cabeça.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar cadastrado na sua base de dados.
Indisponível

05 janeiro, 2022

JOÃO DOMINGOS BOMTEMPO : 1775-1842.
Coordenação de João Pedro d'Alvarenga
. Lisboa, Presidência do Conselho de Ministros : Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1993. In-4.º (24cm) de 271, [1] p. ; [40] p. il. ; [4] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo biográfico comemorativo do 150.º aniversário da morte do compositor português João Domingos Bomtempo, organizado com material da secção de música da Biblioteca Nacional, com textos, catalogação e índices do coordenador da obra.
Ilustrado no texto e em separado com retratos do compositor, portadas de algumas das suas obras impressas, autógrafos, fac-símiles de manuscritos, partituras, etc.
"O Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro não quis deixar passar a data dos 150 anos decorridos sobre a morte de João Domingos Bomtempo, talvez o mais importante compositor e pianista português do século XIX. [...]
Pouco conhecido do grande público, Bomtempo merece ser divulgado, para que não se verifique no nosso tempo aquilo que foi na verdade durante a sua vida: embora o seu valor fosse reconhecido em Portugal, pelas circunstâncias políticas, tanto no período que se seguiu às Invasões Francesas como durante as lutas liberais, foi sobretudo em Paris e Londres que o compositor se viu justamente aplaudido e também como intérprete."
(Excerto da Apresentação)
Sumário:
Apresentação: João Domingos Bomtempo e o Conservatório de Lisboa, por Maria José de La Fuente.
Catálogo, por João Pedro d'Alvarenga: - Abreviaturas e sinais. - Siglas: 1. Bibliotecas, Arquivos e outras instituições. 2. Referências bibliográficas. - Introdução. - Cronologia de João Domingos Bomtempo. - Classificação das obras de João Domingos Bomtempo: I. Manuscritos: 1) Obras de João Domingos Bomtempo. 2) Obras espúrias e duvidosas. 3) Documentos. II. Impressos: A) Obras de João Domingos Bomtempo: A.1) Edições oitocentistas. A.2) Facsimiles. A.3) Edições modernas. 2) Libretos. 3) Bibliografia. III. Iconografia: 1) Gravuras. 2) Pinturas. IV. Discografia.
Índices: 1. Obras de João Domingos Bomtempo por títulos uniformes. 2. Marcas de posse. 3. Tipos de papel por filigranas encontradas nas partituras e nos materiais manuscritos.
Apêndice: João Domingos Bomtempo: Estudo para piano em Dó Maior, B65 revisão e nota crítica por João Pedro d'Alvarenga.
João Domingos Bomtempo (1775-1842). "Pianista e compositor de música muito afamado, que se tornou conhecido no estrangeiro, sendo calorosamente aplaudido em Paris e em Londres. Nasceu em Lisboa a 28 de dezembro de 1775, faleceu na mesma cidade a 18 de agosto de 1842. Era filho de Francisco Saverio Buontempo, um dos músicos italianos que vieram a Portugal para o serviço do rei D. José, e que a exemplo de muitos dos seus patrícios aportuguesou o nome, passando a chamar-se Francisco Xavier Bomtempo. Sua mãe chamava-se Mariana da Silva Bomtempo, natural de Lisboa. 
Dedicando-se à música desde a infância sob a direcção paterna, aprendeu a tocar oboé, instrumento em que seu pai era especialista, sendo o primeiro oboé da orquestra real; ao mesmo tempo estudava piano e contraponto com os mestres do Seminário Patriarcal. Ainda não contava catorze anos completos, quando foi admitido na irmandade de Santa Cecília, a 9 de julho de 1789, classificado como cantor da Bemposta. Seu pai faleceu em 1795, deixando numerosa família em más circunstâncias, e João Domingos Bomtempo, que já tinha vinte anos, foi nomeado para o lugar de seu pai na orquestra real, com o encargo de sustentar mãe e irmãs, porque os irmãos todos encontraram colocação. Desejando aperfeiçoar-se na arte a que se dedicara, resolveu ir estudar fora do reino, influído com o exemplo de Marcos de Portugal, que estava então na Itália. Em 1801, estando o país mais sossegado das agitações políticas pelo tratado de paz assinado em Badajoz entre Portugal, Espanha e França, saiu de Lisboa, em direcção a Paris, levando apenas consigo duas peças de ouro e uma carta de recomendação escrita pelo barão de Sobral, Geraldo Venceslau Braamcamp. Nessa época existia em Paris uma numerosa colónia portuguesa em que se encontravam alguns emigrados políticos, entre os quais se contava o poeta Francisco Manuel do Nascimento, Filinto Elísio. Era justamente a época em que o consulado de Bonaparte sucedera ao directório republicano, época de reconstituição social, favorável aos artistas, que se viam festejados nos salões parisienses, onde se reuniam aristocratas e burgueses, esquecendo passados ódios e entregues à cultura do espírito. Com tais qualidades, um artista de natural vocação, estudioso e hábil, dedilhando ao piano com facilidade, não podia deixar de ser bem acolhido no meio social em que se encontrava. Em 1802 chegou a Paris o criador da moderna escola de piano, Macio Clementi, acompanhado do seu discípulo John Field. A impressão causada pelo novo estilo daquele professor foi imensa, e Bomtempo decerto observou e estudou com a maior atenção os processos desse estilo, porque se identificou com ele adquirindo-o duma forma completa e perfeita. A primeira composição que publicou, foi uma sonata dedicada a D. Carlota Joaquina, mulher do príncipe regente D. João, depois D. João VI. Existe na biblioteca da Ajuda, e tem o seguinte titulo: Grande Sonate pour le Piano Forte, composée et dediée à Son Altesse Royale Ia Princesas de Portugal, par J. D. Bomtempo." (Fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/bomtempojd.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€

04 janeiro, 2022

BONNEFOUT, A. - LIÇÕES DE ESPIRITISMO PARA AS CRIANÇAS.
Por... Traduzidas da 5.ª edição francesa. Bom Jesus [Braga], Edição da Emprêsa Literária "Luz e Caridade", 1922. In-8.º (17,5 cm) de 38, [2] p. ; B.
1.ª edição portuguesa.
Curioso manual de espiritismo dirigido às crianças, publicado pelo Centro Espírita de Braga - Bom Jesus, composto por 44 "lições".
"Sentindo, como vós, êsse afecto íntimo, que existe em todo o coração materno, traduzi do francês para a nossa língua o presente livrinho, que vos ofereço.
Nada vos peço por tão insignificante trabalho; entretanto me será grato que busqueis nestes ensinamentos da nova revelação o que realmente existe de bom e útil para a educação moral de vossos filhos, pequeninos rebentos do vosso amor, que cumpre cuidar com especial carinho, encaminhando-os para êsse foco luminoso, irradiante de verdade de amor - os Evangelhos de Jesus.
Sois capaz de tudo para salvar  vida do pequenino ser que é vosso filho - quando doente do corpo, está no leito de dôr; fazei pois também o mesmo esfôrço, ou, antes, duplicai toda a vossa dedicação no sentido de conservar os seus espírito, as suas almas perfeitamente imunes das tentações do mal, êsse ambiente de imperfeições em que a pobre humanidade se debate.
Purificai-os com os ensinamentos de Jesus; alimentai-os dia a dia com êsse pão espiritual - cheio de seiva, de luz e amor."
(Introdução - Às mães)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sobrecapa de protecção apresenta pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
15€

03 janeiro, 2022

MASCARENHAS, Oliveira - PATRIA E LIBERDADE. Novella dos tempos luzo-romanos. Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1910. In-8.º (19 cm) de 295, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção decorre em eras recuadas, no tempo dos Lusitanos, quando estes tudo faziam para se livrar do jugo de Roma. Raro e muito interessante.
Livro valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao historiador Bartolomeu Sesinando Ribeiro Artur.
"Convencionemos, leitor, o termos chegado - após varios perigos e fadigas - á já citada povoação celtibera ou luzitana, a qual, segundo conspicuos historiadores, fôra berço d'infatigaveis mineiros massacrados pela miseria, e compellidos a enriquecerem os invasores da sua terra com a prata e ouro arrancados ao egoismo d'inexgotaveis jazigos. [...]
Estamos, pois, no anno cento e quarenta e nove antes de Christo, na sazão das colheitas, e no primeiro dia de canicula, o qual, ao nascer do sol, os druidas consagravam á apanha da lippia citriodora -, vegetal de grandes virtudes therapeuticas nas affecções do corpo e da alma, que, em linguagem vulgar, é conhecido pelos nomes de verbêna e lucialima.
A poucos estádios de Celiobriga - nas vizinhanças d'alguns cromleks, dolmens e menhirs - elevava-se, ao centro d'uma espessa floresta, o carn, ou templo, onde os druidas oravam ao poderoso deus Endovélico."
(Excerto do Cap. I, Os druidas)
Joaquim Augusto de Oliveira Mascarenhas (1847-1918). Natural de Viana do Castelo. Foi um militar que desempenhou funções administrativas, em parte na Índia Portuguesa. Embora tenha iniciado a sua actividade literária no século XIX, foi sobretudo após a sua reforma, então com a patente de major, que intensificou a sua produção literária. Dedicou-se quase em exclusivo ao género histórico, escrevendo romances e novelas, bem como diversas peças de teatro. Publicou também alguns trabalhos históricos e corográficos, bem como um livro sobre a sua experiência militar no Oriente.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com defeitos na lombada.
Raro.
25€

01 janeiro, 2022

À CONQUISTA DA VITÓRIA.
(Conselhos de ordem moral, religiosa e cívica e devocionário para os soldados)
. [Lisboa], Edição da Obra dos Soldados (Direcção Nacional da Juventude Católica), 1957. In-8.º (14 cm) de 152 p. ; [1] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
"Catecismo" do soldado português. Raro e muitíssimo interessante. Excelente exemplo de propaganda patriótica e influência religiosa nas Forças Armadas durante o regime do Estado Novo, onde é visível uma especial devoção à causa de Fátima.
Ilustrado em separado com um retrato do Santo Condestável - Nuno Álvares Pereira - estudo do Arq. José Pedro Martins Barata, e no texto, ao longo do livro, com bonitas figurinhas.
Inclui no início do livro, em página inteira, uma Declaração: "Declaro professar a Religião Católica Apostólica Romana. Em caso de acidente grave ou transporte urgente para o hospital, desejo a assistência de um sacerdote católico. Se morrer, quero a assistência da Igreja Católica e o funeral religioso. É esta a minha vontade formal...", etc.
Juntam-se duas memórias fúnebres de um jovem oficial português, falecido em combate, Angola (1963), a quem por certo terá pertencido este livrinho.
"Só o egoista e o degenerado não sentem o amor da Pátria, este amor de, depois do amor de Deus, fez grandes os povos.
Não há sentimento mais cristão que o da Pátria: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» - disse Jesus Cristo. Este amor abre-se à medida que se estende, em redor de nós, o círculo de pessoas, a área dos nossos próximo. Todos fomos feito à imagem do Criador e somos chamados a participar, juntos, do mesmo destino eterno.
Podes dizer muito bem: «Eu quero à minha família mais que quero a mim próprio; à minha terra mais que à minha família; à minha nação mais que à minha terra».
Ainda que Portugal não tivesse sido tão glorioso na história, ainda que não tivesse iluminado, com a sua fé, quase todo o mundo, deveria ser amado por ti. Portugal é uma sociedade de irmãos, que estão fixados em território comum.
A Pátria és tu com os teus pais, o teu querido lar, os teus irmãos, as tuas empresas; tu connosco, unidos numa sociedade, para nos fazermos mùtuamente felizes, no caminho para outra vida futura e eterna.
Soldado! quando no parapeito erguido no cimo da montanha, vigias o posto, pensa em Portugal e vê ao longe a tua região e dentro dela, a tua terra, e, na tua terra, a casa de teus pais,  junto aos campos semeados, com a quinta... junto a tudo isso, o trato e a convivência com os outros que também querem vivem em paz e em sociedade contigo e com os teus.
Àmanhã, voltarás à tua lavoura, à tua oficina, à tua fábrica."
(A tua Pátria)
Índice: Duas palavras de abertura, Pel'a Obra dos Soldados - F. Fernandes Mascarenhas, Tenente-Miliciano. | Conselhos de ordem Moral, Religiosa e Cívica: Deveres do Soldado Português; A tua Religião; As tuas orações; A tua confissão; O teu crucifixo; A tua Virgem Maria; O teu Terço; A religião não é só um rito; A tua Pátria; Os teus Chefes; O teu posto; As tuas convicções; A impureza; A Lei da Vida; O teu inimigo; A tua noiva; As tuas leituras; Como salvar a civilização cristã; Uma queixa do Papa Pio XI; Não tenhas ódio; Não sejas cruel; As tuas conversas; O apostolado da tua palavra; O teu capelão; A tua morte; Como será a tua morte. | Devocionário: A minha Missa; Missa para o tempo de guerra; Modo de ajudar à Missa; Simbolismo do Altar e de algumas alfaias utilizadas na celebração da Missa; Oração da manhã; Orações para antes da comida; Orações para depois da comida; Às Avé Marias; Nas tentações e em qualquer momento; Orações da noite; Credo; a Confissão; A minha comunhão; Preceitos sobre o jejum eucarístico; Orações para antes da Comunhão; Orações para depois da Comunhão; Recitação do Terço do Rosário; Mistérios Gozosos; Mistérios Dolorosos; Mistérios Gloriosos; Salvé Rainha; Ladainha de Nossa Senhora; Orações de Fátima; Acto de Consagração ao Imaculado C. de Maria; Via-Sacra; Consagração do género humano ao S. C. Jesus; Oração do Soldado; O Santo Condestável; Oração ao Santo Condestável; O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo; Santo António; Oração a Santo António; Oração a S. Francisco Xavier, o grande Apóstolo das índias. Cânticos: O Salutáris; Tantum Ergo; Lauda Jerusalém; Adorémus in aetérnum; Benédictus; Santos Anjos; Ó Anjos, cantai comigo; Louvado seja!; Ó meu Jesus; Cantemos a Jesus Sacramentado; Cremos em Vós; Bendito; Queremos Deus; Portugal ao Coração de Jesus; Glória de Portugal; Salvé Rainha de Fátima; Coração Santo Tu Reinarás; Hino da Fátima; Avé de Fátima; Meu Deus, eu creio; Ó Sanctíssima; Christus Vincit; Doação; Juventude; Raça Lusa; Hino Jòcista; Nossa Grandeza (Marcha Jòcista); Hino da Acção Católica; Hino Nacional.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas; lombada apresenta falhas de papel.
Muito raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
75€

31 dezembro, 2021

MARTINS, Oliveira - POLITICA E ECONOMIA NACIONAL
. Porto, Magalhães & Moniz, 1885. In-8.º (18 cm) de XXXI, [1], 278, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio político-económico. O autor crítica o situacionismo político resultante do sistema rotativo de poder imposto pelos dois principais partidos, solução prejudicial para o país, sobretudo em época de penúria económica.
"A principiar pelas questões propriamente politicas, o leitor verá que no momento actual se me afigura indispensavel desenfeudar o parlamento das duas influencias nefeastas que, segundo o consenso unanime, reduziram o nosso regime constitucional a um grau de abatimento lastimoso. Perverteu-se a natureza peculiar das instituições; tornaram-se de facto as camaras (isto é, os deputados e pares tomados individualmente) o verdadeiro executivo, e tornaram-se os ministros o poder legislativo, pois que o menor cuidado dos legisladores é discutir as leis, e o maximo impôr aos ministros as suas exigencias, os seus empenhos, em beneficio do circulo, do influente, do eleitor - do compadre.
Essas duas influencias nefastas, sabem-no todos, são a burocracia e o que se chama campanario. Os legisladores são na sua grandissima maioria empregados publicos: como deixará de ser a camara uma succursal das secretarias? como deixarão de ser os votos parlamentares uma sancção apenas, e as discussões positivas parodias? Admitte alguem sequer a hypothese de uma divergencia de opinião entre um ministerio e a sua maioria? Viu-se já uma vez só faltar a algum gabinete o apoio dos deputados por elle eleitos?
Mas esses mesmos legisladores, empregados publicos, e mais ainda os raros que o não são, vergam sob o peso de influencias locaes que os escravisam; e no pacto mais ou menos tacito celebrado com o governo recebem d'elle tudo o que reclamam, em troca do apoio incondicional dado a toda e qualquer lei mais ou menos impensada, mais ou menos estudada que sae - quando sae - do ventre das secretarias.
Dir-se-ia que d'este modo realisamos um systema de dictadura chronica e de governo pessoal exercido dentro dos moldes parlamentares. Não é porém assim, pois o legislador que votou de olhos fechados - muitas vezes por nem sequer ter intteligencia ou caracter bastante para os abrir - abre-os logo que a lei sua filha vae ferir Fulano ou Sicrano, trunfos do seu circulo, e corre ao ministro para que torça, para que suspenda, para que remedeie o mal que fez.
E o  ministro obedece."
(Excerto do preâmbulo - Advertencia)
Indice:
Advertencia. | Primeira Parte - Politica: I - Questões de politica positiva; II - Lista multipla e voto uninominal; III - O socialismo contemporaneo. Segunda Parte - Economia metropolitana: I - O tratado de commercio com a França; II - Estatistica de Portugal; III - O Banco dos Pobres. Terceira Parte - Marinha e Colonias: I - Requerimento dos póveiros; II - O commercio maritimo portuguez; III - Relatorios dos governadores do Ultramar.
Encadernação em meia de pele, coeva, sólida, com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Ténue mancha de humidade visível nas últimas folhas do livro.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

30 dezembro, 2021

VOUZELA : estudos históricos.
Pelos Académicos Joaquim Veríssimo Serrão; Justino Mendes de Almeida; Henrique Pinto Rema, O.F.M.; José Calvão Borges; Armando Lúcio Vidal; João Luís Cardoso; Nestor Fatia Vital; Euríco Malafaia. Lisboa, Academia Portuguesa de História, 1999. In-4.º (25 cm) de 230 p. ; il. ; B.

1.ª edição.
Estudo inteiramente dedicado a Vouzela e ao seu Concelho, com a colaboração de alguns dos mais eminentes historiadores nacionais.
Livro ilustrado ao longo do texto com gravuras, desenhos, mapas e fac-símiles de documentos, portadas e excertos de livros antigos.
"Sem referir as origens pré-históricas de Vouzela, provadas pelo conjunto de vestígios da zona de Lafões, sabe-se que Vouzela foi conhecida no tempo dos romanos. Da sua passagem datou o étimo Vaucella para juntar os topónimos de Vauca e Zella, o primeiro designava então o rio Vouga e o segundo o pequeno afluente que banha a povoação. Não se perdeu essa memória no tempo dos Árabes, como parte de um território das margens do Vouga já conhecido por "alahoneinis". O historiador David Lopes provou que o dual árabe Alahavãn deu origem ao singular Alafón ou Alafão para designar cada um dos cabeços que envolvem a região. Ambos em conjunto passaram a ser conhecidos por Alahones, ou seja, a forma medieva de Alafões, nome usado em sentido geográfico para o território envolvente.
Assim se formou a tradição de nomear como "dois irmãos" os montes Lafão e da Senhora do Castelo, servindo este de assento a Vouzela. Tudo permite crer que a povoação se ia desenvolvendo nos fins do século XI, por ser um ponto obrigatório de passagem na direcção de Viseu e de Aveiro. A pouca distância ficavam as Caldas de Lafões, que Duarte Nunes de Leão considera as mais antigas do Reino e que atraíam grande número de enfermos, não apenas da região, como da província da Beira. Uma légua e meia na direcção do norte, ficava o lugar de S. Pedro de Lafões, que no século XII passou a ser nomeado do Sul, pela confluência da ribeira do mesmo nome em relação ao Vouga. [...]
As caldas de Lafões guardam ainda a lembrança de haverem servido do local de restabelecimento do primeiro Rei de Portugal. Após o desastre de Badajoz, no ano de 1169, em cuja porta fracturou uma perna, o soberano foi aos banhos de Alafões buscar alívio para os seus males. O cronista António Brandão escreveu a propósito: "E como o aleijão da perna o tivesse ainda mui debilitado, tratou de lhe aplicar os reedios mais convenientes. São os banhos de Lafões junto a Vouzela e corrente do rio Vouga, mui celebrados pela eficácia de suas águas e facilidade com que curam. Em Setembro do dito ano instalou-se "in balneis de Alafoen", acompanhado dos filhos e dos principais nobres, não sem antes tomar providências quanto à defesa do Alentejo e à prossecução da Reconquista. E durante os meses que permanece em "Alafoen", o monarca assina várias cartas de doação, como a de Oliveira dos Frades em favor do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra."
(Excerto de Um passeio pela história de Vouzela)
Tábua das matérias:
- Introdução. - Um Passeio pela História de Vouzela. - A Egideia. Um poema, pouco conhecido, a S. Frei Gil. - Alguns Franciscanos em Vouzela. - Os Símbolos Heráldicos de Vouzela. - Joaquim Baptista, Médico em Vouzela. - As Cédulas Camarárias de Vouzela e o seu Brasão de Armas. - Monumentos Megalíticos do concelho de Vouzela. - O Pelourinho de Vouzela. Monumento de afirmação municipalista, Algumas reflexões.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

29 dezembro, 2021

MANUAL DO OPERARIO - INDUSTRIA DO VIDRO.
Bibliotheca de Instrucção Profissional. Lisboa, Bibliotheca de Instrucção e Educação Profissional, [191-]. In-8.º (22,5 cm) de [4], 94, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre a indústria vidreira nacional.
Livro muito ilustrado com bonitos desenhos ao longo do texto, bem com 8 estampas em separado.
"Como em Portugal o fabrico do vidro representa um papel importante na nossa actividade manufactureira, é interessante conhecer quaes os processos variados de que essa industria se serve para chegar ao fim desejado. [...]
Todas as fabricas nacionaes revelam boa vontade e intelligencia do seu pessoal superior, que, pouco a pouco, tem introduzido os modernos processos de fabrico uzados no estrangeiro, segundo os recursos de que dispõe, ao mesmo tempo que instrue o seu operariado, por fórma a sahir do circulo acanhado dos antigos systemas.
É certo que n'esta industria, os maiores progressos teem sido feitos no systema de fornos e na decoração do vidro, mas esses mesmo teem sido acompanhados, tanto quanto possivel nas nossa fabricas, e, se não chegam ao desenvolvimento attingido no estrangeiro, é porque é impossivel vencer o desgraçado systema anti-patriotico de nós acharmos sempre melhor o que vem de fóra, embora muitas vezes, a nossa industria exceda a estrangeira."
(Excerto do Prefacio)
Indice: Prefacio. | I - Generalidades. II - Formação e manipulação do vidro. III - Fabrico de garrafas. IV - Fabrico de copos. V - Fabrico de vidraça. VI - Fabrico de espelhos. VII - Fabrico de objectos moldados. VIII - Objectos de cristal. IX - Decoração do vidro. X - Vidros e objectos de fabrico especial.
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Ex-Libris de Henrique Marques.
Muito invulgar.
20€

28 dezembro, 2021

FRANÇA, Alfredo - PAINELEIDA : trági-comédia.
Com ilustrações de Francisco Valença e Alfredo Cândido
. Lisboa, Edição de "A Peninsular", 1926. In-8.º (22 cm) de 47, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Divertida comédia poética sobre homens públicos da época a quem o autor veste a "pele" dos personagens históricos retratados nos Painéis de S. Vicente.
Obra muitíssimo valorizada pelos desenhos de Valença e Alfredo Cândido, entre vinhetas tipográficas e gravuras - três delas em página inteira.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Contracapa apresenta pequenas falhas de papel. Uma gravura tem rasgão (sem perda de suporte).
Muito invulgar.
20€

27 dezembro, 2021

ESTUDOS COMEMORATIVOS DO 150.º ANIVERSÁRIO DO TRIBUNAL DA BOA-HORA
. [Lisboa], Ministério da Justiça, 1995. In-4.º (27 cm) de 305, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Edição comemorativa do histórico Tribunal da Boa-Hora, publicado por ocasião do seu 150.º aniversário. Monografia luxuosa, por certo com tiragem reduzida, impressa em papel de superior qualidade, com ilustrações a p.b. e a cores, sendo na sua maioria estampadas em página inteira.
"Pelos cento e cinquenta anos da Boa-Hora perpassa uma memória que é, simultaneamente, um convite à recordação e um desafio para uma reflexão permanente.
Da antologia judiciária emergem episódios, pequenas estórias, acontecimentos picarescos que a verdade superior e que a imaginação enriqueceu pelo tempo e pelos relatos fora.. Para muitos dos cidadãos que fizeram da Boa-Hora poiso frequente de observação e e crítica, estes cento e cinquenta anos constituem também um convite de pertença, uma insinuação de partilha deste espaço de Justiça que tem marcado, por entre queixosos e réus, juízes e testemunhas, advogados e procuradores, o coração judiciário português.
Mas, na festa e no gosto da recordação não pode perder-se o sentido profundo da reflexão perante o eco, necessariamente sempre vivo, da brutal contradição de que a Boa-Hora foi palco, entre justiça e Liberdade.
Aqui se viu, como em nome da Lei e do valor superior de Justiça, se derrogaram direitos, se aviltaram pessoas e se definharam liberdades. No mesmo espaço respiraram sentimentos nobres e ódios desprezíveis procurando todos, indiscriminadamente, a mesma legitimação. Por isso, que, nesta casa, se tenha construído também uma consciência crítica do direito e um critério de rosto humano para ganhar a compreensão da lei."
(Excerto da Nota de abertura de A. Laborinho Lúcio, Ministro da Justiça)
Encadernação em tela revestida de tecido com ferros gravados a seco e a bordeaux na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e jurídico.
Indisponível

26 dezembro, 2021

VIDOEIRA, Pedro - A FIDALGA DO JUNCAL (romance contemporaneo)
. Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (18,5 cm) de 463, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante romance de costumes cuja acção decorre no norte do país, sobretudo na cidade de Barcelos e arredores.
"Americanos pesados e alguns trens, vindos da Praça Nova e da Batalha, acabavam de largar na estação de Campanhã os passageiros que do Porto se destinavam á linha do Minho pelo comboio das dez e meia.
Estava-se no inverno - em principios de janeiro - e o dia que rompêra carregado e feio, desentranhava-se numa chuva persistente que não promettia parar. ás dez horas da manhã era tamanha a cerração que muitas lojas, como se a noite se avizinhasse, tratavam de accender o gaz para as voltas indispensaveis da sua labutação quotidiana.
A poucos passos de distancia, não se distinguiam os raros vultos que as suas occupações obrigavam a sahir de casa com tal dia.
Do largo da estação corriam para dentroda sala e entrada, abrindo os seus guarda-chuvas, as pessoas conduzidas pelos trens e americanos.
A sineta era o segundo toque de prevenção. Faltavam sómente cinco minutos para a partida do comboio.
Todos se encaminhavam em direccção ao guichet da bilheteira, enfiando pela grade de resguardo que serve de regulador ás impaciencias dos apressados. [...]
Mais adeante na cantina - o botequim dos pobres, onde os consumidores são menos exigentes em satisfações de paladar - pediam-se copos de genebra e aguardente, que saboreavam com estalinhos na bocca os passageiros de terceira classe, faceis de distinguir pelas suas grossas japonas de saragoça, pelos seus grossos tamancos de pau e pelos seus grossos cajados de marmeleiro. [...]
Os passageiros iam occupando os seus logares, acompanhados dos moços que lhes depunham nas redes os embrulhos, as coberturas, os saccos e as maletas. Os mais previdentes procuravam dr as costas á machina para vitarem no trajecto as lufadas de fumo que invadem os assentos da frente. [...]
A locomotiva - esse hippogrypho do progresso, cujo ventre insaciavel devora colossaes rações de hulha e cuja sêde só se extingue com formidaveis trombas de agua - resfolgava ruidosamente, vomitando espessas columnas de vapor. [...]
Guiado pela experiente direcção do machinista, o monstro começou emfim a mover-se, e a extensa fila de wagons, vagarosamente primeiro, depois com mais presteza, largou pela via fóra, deixando atrás de si um denso pennacho de fumo, que se esvaía pouco a pouco em successivas espiraes. [...]
- Barcellos! Barcellos!
Então abriu-se a portinhola de uma carruagem de primeira e desceu para a plataforma um passageiro de vinte e oito annos, typo moreno, olhar vivo, estatura regular e barba negra pouco espessa. [...]
Percorrida a curta distancia da Avenida que põe Barcellos em contacto com a estação, o nosso passageiro dava entrada no Hotel Central, situado ao fundo do Campo da Feira, e pedia ahi um quarto dos melhores.
Na mesma  noite da chegada daquelle desconhecido, já se sabia - como sempre succede nas terras de provincia - que elle tinha sahido do Porto, que se chamava Luiz Trigoso, que era bacharel em direito e que vinha alli tentar carreira pela profissão de advogado."
(Excerto do Cap I, O filho do lavrador)
Pedro Alcântara Vidoeira (1834-1917). Poeta, escritor e tradutor português, natural de Lisboa. Emprestou a sua colaboração a jornais e revistas da época, onde se destaca a conhecida publicação Branco e Negro : semanario illustrado. A BNP dá conta de extensa lista de obras traduzidas por Vidoeira, sobretudo de Júlio Verne. Refere também duas obras poéticas - Lyrica popular (1895) e Nova lyrica popular (1913) - e dois romances: A fidalga do Juncal (1904) e Ambições de cortezã (1914).
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Miolo correcto. Sem f. anterrosto.
Raro.
Indisponível

25 dezembro, 2021

SILVA, José Lucas da - A SENHORA DA NAZARETH.
Historia da Imagem desde a sua vinda da Palestina até ao presente, accrescentada com muitas notas historicas, uma pequena noticia da villa da Pederneira, do sitio e templo da Nazareth e com a origem do cirio da Prata Grande. Por...
Mafra, Typographia Mafrense, 1892. In-8.º (19 cm) de 62, [4] p. ; C.
1.ª edição.
Importante subsídio para os anais de Nossa Senhora da Nazaré (e sua imagem), bem como a lenda a ela associada.
Obra sobejamente citada sobre o tema, com relevância histórica para a castiça vila piscatória.
Raro, e interessantíssimo opúsculo, onde a lenda se (con)funde com a história, enriquecido com extensa bibliografia, comentários e notas do autor.
"Possuindo nós, de muitos annos, um manuscripto antigo, que trata dos varios successos relativos á imagem a Senhora da Nazareth, desde a sua origem e vinda da Palestina, do seu apparecimento em Portugal nas costas do oceano, junto á villa da Pederneira, e ainda das alternativas porque, durante a invasão franceza, a mesma imagem passou, até ser finalmente restituida ao seu templo da Nazareth; e achando o mesmo manuscripto assaz curioso, concebemos logo a idea de o darmos á luz da publicidade, ampliando-o quanto possivel nos fosse."
(Excerto do preâmbulo - Duas palavras ao leitor)
"Nada ha que nos indique d'um modo positivo a origem ou principio da veneranda imgem da Senhora da Nazareth. Todavia, é tradição mui antiga e de constante fama que já, no tempo do apostolos, ella era reverenciada na cidade da Nazareth, na Palestina, como modelo da Virgem, Mãe de Deus, nascida na mesma cidade.
Se tomarmos, pois, na devida consideração uma noticia que, no deccorrer dos seculos, tem vindo de bocca em bocca até nós, pois que não temos outros argumentos com que possamos fundamentar este assumpto, devemos acreditar que a imagem da Senhora fòra produzida n'aquella cidade da Galiléa, cuja denominação tomara no primeiro seculo da nossa era, e que na mesma cidade ficara «com  muito culto do devotos christãos da Palestina» até ao 4.º seculo, em que «se levantou, no Oriente, uma grande heresia contra a veneração das imagens.»."
(Excerto do Cap. I - Antiguidade da imagem da Senhora)
"Era pelos annos de 1182, aos 14 do mez de setembro, - dia em que a egreja celebra a exaltação da santa cruz. - A  manhã, que havia rompido soturna, conservava-se obscurecida pela grande cerração que ordinariamente se levanta do mar. Nada se distinguia, a não ser a curta distancia. D. Fuas Roupinho, montado em fogoso ginete, prepara-se com os seus famulos e monteiros para a sua habitual diversão. Depois de algum tempo de cavalgada, tendo chegado á matta de Pataias, que era muito abundante em caça, especialmente em caça grossa, afigurou-se-lhe descobrir um veado ou cousa semelhante. Lançou-se logo em sua perseguição, sem prever sequer o perigo, persuadido, como estava, de que, deante de si, se extendia terra firme; mas, como a densidade da neblina o não eixasse divisar o ponto para onde corria, inesperadamente se achou na extremidade de uma rocha muito estreita e saliente, como que suspensa sobre o abysmo do oceano.
Em risco tão imminente, sem ter já onde firma o cavallo, prestes a despenhar-se e a ser engullido pelas ondas, lembrou-se, de supito, D. Fuas, de implorar a protecção da Virgem Nossa Senhora, cuja morada alli perto se achava. Com effeito, valeu-lhe ella de tal modo que o impaciente animal, empinado nas patas trazeiras, estacara momentaneamente na ponta do penedo, immovel, qual estatua de pedra."
(Excerto de A Senhora livra a D. Fuas da morte)
Matérias:
Duas palavras ao leitor. | I - Antiguidade da imagem da Senhora. - Grande heresia, no Oriente, no 4.º seculo da era christã. - Vinda da imagem da Palestina para o mosteiro da Cauliniana em Hespanha. II - Invasão da peninsula pelos mouros. - Derrota dos christãos na batalha de Guadalete. - D. Rorigo no mosteiro da Cauliniana. - Sahida de Castella, do rei e do monge romano com a imagem. - Sua estada no  monte Seano, onde vivem algum tempo. III - Partida do monge para as costas do oceano. - Sua retirada com a imagem para uma gruta. - Sua vida no deserto. IV - Revelação ao monge Romano da sua mote. - Algumas palavras sobre o assumpto. - Suas ultimas vontades. - Retirada de D. Rodrigo para Vizeu, onde está sepultado. - Recapitulação. V - Caracter guerreiro de D. Affonso Henriques. - Suas conquistas aos mouros. VI - D. Fuas Roupinho. - Descoberta da imagem da Senhora na gruta. - Descripção da imagem. - A Senhora livra a D. Fuas da morte. - Ermida da memoria - Fama do milagre succedido. - D. Affonso Henriques visita a imagem. - Edificação do templo por D. Fernando 1.º - Melhoramentos feitos no mesmo templo e na ermida. VII - Invasão franceza e causas que a determinam. - Insurreição dos povos do norte do paiz contra o governo intruso. - Os povos da Nazareth seguem este exemplo. - Calamidades porque passam, não escapando o templo a Senhora, cuja imagem desapparece. - Encontro e collocação da imagem no seu logar. VIII - Terceira invasão. - O reitor da collegiada consulta os governadores do reino. - Sahida da imagem para o sitio do Pendão. IX - Chega ao conhecimento dos governadores onde está a imagem. - Sua conducção para a real capella de Queluz. X - Restabelecimento da paz em Portugal. - Restituição da Imagem á sua real casa - Festejos em Queluz e freguezias do transito. - Sua entrada triumphal no templo da Nazarth. - XI - Satisfação aos leitores. - Fundação da freguezia e villa da Pederneira. - Praia e sitio da Nazareth. - Templo da Senhora. - Romarias ou cirios que todos os annos vão á Nazareth. - É convidado o leitor a gosar dos festejos. - Como Julio Cesar Machado os descreve. - Origem do cirio da «Prata Grande» e razão porque a Egreja Nova é cabeça d'este cirio. XII - Juncção de 17 freguezias, formando uma confraria. - Do respectivo compromisso. - Fins da confraria e ordem porque as mesmas freguezias se congregamXIII - Brve resenha do que, do compromisso, mais se prende com o que ainda hoje se observa. - Conclusão.
Encadernação cartonada com capa de brochura aposta na pasta frontal.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Mancha de humidade antiga, no pé, atinge primeiras folhas o livro.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

24 dezembro, 2021

VILLEMAIN, M. - HISTORIA DE CROMWELL.
Conforme com as memorias escriptas d'aquella época, e as collecções das notas parlamentares; escripta em francez por..., Par de França, Secretario Perpetuo da Academia Franceza, Professor de Litteratura na Faculdade de Letras em París. Traduzida por M. S. da C. Couraça
. Lisboa, Na Imprensa Nacional, 1842. In-8.º (19 cm) de [14] p. bco ; VII, [1], 479, [5], p. [16] p. bco ; [1] f. il. ;E.
1.ª edição.
Biografia política de Oliver Cromwell (1599-1658), militar inglês e líder político, mais tarde, Lord Protector da Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda, que se destacou na defesa do Puritanismo, e um dos mais obstinados adversários do rei Carlos I, que ajudou a depor, tornando-se o homem mais poderoso de Inglaterra com o advento da República, que proclamou, em 1649.
Livro ilustrado com o retrato de Cromwel em separado.
"Poucas historias particulares offerecem tão grandes scenas, e comprehendem tantos acontecimentos como a vida de Cromwell. [...]
Porém o que, sobre tudo, póde justificar a empreza de uma nova historia de Cromwell, é o grande numero de memorias originaes, pouco consultadas, das quaes é facil ajuntar muitas particularidades curiosas, sobre o caracter, e governo d'este homem extraordinario.. Algumas obras manuscriptas, conservadas por muito tempo em poder de diversas familias, não eram conhecidas pelos historiadores Inglezes, e só têem apparecido ha poucos annos. [...]
Não obstante a abundancia d'estes novos documentos, eu me reportei aos esclarecimentos conhecidos ha mais tempo, nos quaes, a investigação de um só objecto, devia fazer-me descobrir as circunstancias esquecidas por outros historiadores. [...]
Esta vasta collecção de documentos, muitos d'elles officiaes, reune immensas noções preciosas, desconhecidas, ou despresadas, as quaes serão relatadas nesta historia, pela primeira vez. Em taes documentos encontrarão olhos mais penetrantes, e exercitados, abundantes vantagens; e foi d'elles que eu tirei circunstanciadas noções, inteiramente novas, a respeito da administração de Cromwell, sua politica exterior, suas relações com Mazarin, e seu procedimento para com os differentes chefes de partido. As Sessões do Parlamento, os numerosos discursos de Cromwell, os processos d'aquella época, os escriptos das facções, os sermões dos prégadores, e as especulações dos publicistas, fornecen egualmente bastantes noticias, ou conjecturas novas; porque a historia de qualquer época póde ler-se, por assim dizer, nos arrasoados, ou nos pensamentos que então occupavam o espirito; e até as idéas são algumas vezes o mais importante de todos os factos."
(Excerto da introdução, Observações preliminares)
"Emprehendo escrever a historia d'um homem celebre por sua fortuna, e genio, cujo caracter é ainda para nós um tanto obscuro, e problematico. Na verdade é um grande espectaculo a ruina d'uma antiga monarchia, e as agitações licenciosas de um povo, que procura violentamente a liberdade, e que, cahindo por uma vicissitude quasi inevitavel, sob um poder mais absoluto, do que aquelle que havia derribado, se torna assim mais poderoso, e faz nascer a liberdade do meio dos seus furores, e escravidão: porém, o homem que está collocado á frente desta usurpação intermediaria, e a qual sustenta fortemente para seu proprio proveito, e utilidade da nação, que elle mesmo opprime, apresenta, per si só, um quadro não menos instructivo.
A historia de Cromwell comprehende poucos annos, e por isso seu caracter é mais difficil de bem se penetrar. Entrado no theatro politico em uma época já adiantada da sua vida, que foi pouco duradoura, apresenta talentos desenvolvidos, que parece só esperavam pela occasião de se mostrar. Póde acreditar-se, que elle mesmo os ignorava, e que foi preciso uma guerra civil para lh'os fazer conhecer."
(Excerto do Livro Primeiro - Argumento - Nascimento de Cromwell)
Abel-François Villemain (Paris, 1790 - Paris, 1870). "Foi um político e escritor francês, notável professor da Sorbonne, da Escola Normal Superior, e Ministro da Educação de 1839 a 1845."
(Fonte: wikipédia)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sólido, com miolo limpo. Pastas desgastadas, com tira de fita na pasta posterior; lombada apresenta falha de pele na extremidade superior.
Raro.
Com interesse histórico.
20€