CAUSA SOBRE NULLIDADE DE MATRIMONIO ENTRE PARTES DE UMA, COMO AUCTORA, A SERENISSIMA RAINHA D. MARIA FRANCISCA ISABEL DE SABOYA, NOSSA SENHORA, E DA OUTRA O PROCURADOR DA JUSTIÇA ECCLESIASTICA EM FALTA DE PROCURAÇÃO DE SUA MAGESTADE EL-REI D. AFFONSO VI, NOSSO SENHOR. Lisboa, Imprensa União-Typographica, 1858. In-8.º (21x13 cm) de XV, [1], 133, [1] p. ; E.
Peça jurídica sobre o processo de divórcio entre o rei D. Afonso VI e sua mulher, a rainha D. Maria Francisca de Saboya, que alegou a impotência do monarca e, por consequência, a impossibilidade de consumar o casamento, para a sua anulação.
Processo histórico que suscitou as maiores
dúvidas na época, e nos dias que corrrem, sendo vasto o rol de historiadores que se dividem na apreciação
dos factos. Verdade ou conspiração? Os problemas físicos do rei obstariam à cópula de facto, e por conseguinte impeditivos da consumação matrimonial, ou interesses políticos e a afeição
entre a rainha e o cunhado real precipitaram o desfecho conhecido?
Obra rara e muitíssimo interessante. Contém inúmeras peças relevantes para a construção do processo, incluindo o depoimento de 22 testemunhas da parte do procurador da rainha, sendo a maior parte relativo a mulheres jovens que tiverem encontros íntimos com o rei (descritos para os autos em pormenor), o Breve do Papa Clemente IX que confirma a nulidade do matrimónio real e certifica a união de D. Pedro com a rainha, e a Sentença Final.
"D. Afonso nasceu a 21 de agosto de 1643, quarto filho do rei D. João IV e da rainha D. Luísa de Gusmão. Depois da morte de D. Teodósio, seu irmão primogénito e herdeiro do trono, e apesar dos seus problemas de saúde, D. Afonso VI subiu ao trono em novembro de 1656. Cognominado de O Vitorioso, foi o 22.º rei de Portugal.
O casamento de D. Afonso VI com Maria Francisca Isabel de Sabóia, Mademoiselle d’Aumale celebrou-se por procuração em 27 de junho de 1666, e a nova rainha chegou a Lisboa a 2 de agosto do mesmo ano. Mas o casamento não resultou e foi anulado.
D. Afonso VI foi deposto pelo seu irmão D. Pedro, e passou a vida em cativeiro, primeiro na ilha Terceira e depois em Sintra, onde veio a falecer a 12 de setembro de 1683."
O casamento de D. Afonso VI com Maria Francisca Isabel de Sabóia, Mademoiselle d’Aumale celebrou-se por procuração em 27 de junho de 1666, e a nova rainha chegou a Lisboa a 2 de agosto do mesmo ano. Mas o casamento não resultou e foi anulado.
D. Afonso VI foi deposto pelo seu irmão D. Pedro, e passou a vida em cativeiro, primeiro na ilha Terceira e depois em Sintra, onde veio a falecer a 12 de setembro de 1683."
(Fonte: https://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/casamento-de-d-afonso-vi-com-maria-francisca-isabel-de-saboia/)
"A historia é a immortalidade da recordação. Assim como as virtudes e os crimes se continuam na lembrança dos povos, ella os perpetúa desde a interveção da imprensa nas suas paginas sem limite. [...]
Publicando a Causa entre as partes, de uma, como auctora, a rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboya, e da outra o procurador da justiça ecclesiastica, em falta de procuração d'el-rei D. Affonso VI, fazemos conhecido um documento celebre, que é apenas como a decoração de uma das principaes scenas desse drama, que, se está por fazer no theatro, está ha muito completo nas paginas da historia. [...]
A 24 de março de 1668, vespera de Ramos, saiu a sentença que annullou o matrimonio de D. Affonso VI com D. Maria Francisca Isabel de Saboya. A princeza mandou intimar os tres-estados, pedindo a restituição do seu dote para se recolhger a França. Os fios do trama urdido com tanto cuidado vão unir-se no ponto desejado.
D. Maria de Saboya havia ganho a estima de todas as classes. Os estados não a queriam deixar partir, e juntos ao senado da camara vão supplicar-lhe, como uma graça, o que ella, como mulher, deseja com a vehemencia da ambição, e com o enthusiasmo do amor. Supplicam-lhe que acceite a mão do regente. Annue a princeza, e a 2 d'abril a benção nupcial, confirmada mais tarde pelo breve de S. S. Clemente IX, liga os destinos de D. Maria de Saboya, e do infante D. Pedro.
D. Affonso VI tem ainda o nome de rei; mas depois do desterro na ilha Terceira, vive captivo naquelle carcere tão conhecido da risonha Cintra. O irmão que lhe tomára a esposa e o reino deixa-lhe, como symbolo de um poder já findo, essa insignia de que se adorna só depois da morte de D. Affonso VI.
Fallecido o rei em nome, o rei de facto sóbe ao throno, tendo ao lado a que pelo seu amor ahi o conduzira."
(Excerto da nota d'Os Editores)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
30€
























