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07 fevereiro, 2018

ELOY, João - BOÉMIA COIMBRÃ. A vida académica de Coimbra nos fins do século passado. Prefácio do Dr. Ramada Curto. Vila Nova de Famalicão, Grandes Oficinas Gráficas «Minerva» de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão, 1938. In-8.º (19cm) de 146, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas memorialistas do autor sobre o seu tempo de estudante em Coimbra.
"De como decorria a vida académica em Coimbra na última década do século passado, é o que, dosimètricamente, me proponho referir, em linguagem corrente, sem forçada e variegada adectivação; sem falar difícil.
Para os que, tendo deambulado pela Lusa Atenas de capa e gorro, sentem, como eu sinto, e como sentem os rapazes de cabelos brancos da minha época, o recordar é viver, e a evocação do que era, sob o aspecto grave ou jocoso, o estudante de então, deve trazer-lhes à lembrança factos em que intervieram; para os que só como mirones transposeram a porta férrea, e aos quais a vida académica não interessa, vai a promessa que as minhas palestras serão curtas."
(Excerto do Cap. I, A vida do caloiro)
Índice:
Ao correr da pena [Prefácio]. I - A vida do caloiro. II - As aulas. III - A mesada e os vários coeficientes de recomposição. IV - A vida das repúblicas. A caça ao feriado. V - Indumentária. Actos. Récitas. VI - Protecções. «Troupes». Latadas. A Alta e a Baixa. VII - O «Centenário da Sebenta». VIII - A manifestação a João de Deus. Visitas dos académicos. A «Campanha do Ferrão». IX - A «Campanha do nível» e a da «formiga branca». Tipos de Coimbra antiga. X - O bom humor coimbrão de Lentes e estudantes.
Exemplar brochado, manuseado, em bom estado de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
Indisponível

21 agosto, 2017

PERES, João Manuel & SILVA, Marco - HARD CORE : para além do 1º escalão. O SENÁCULO : Praxis Minerva. Ano II Tomo II N.º 1 Março 90. Ilustrações: Fernando Correia; Eduardo. Colaborações: Pedro Bernardes; Ricardo Mendes; Rui Miguel Moreira; Pimenta Nunes; Carlos Silva; e outros. [S.l.], Associação do Senáculo, 1990. In-8.º (20,5cm) de 109, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Publicação irreverente, com origem na Associação Académica de Coimbra, elaborada em tom satírico e apimentada q.b. com dixotes e graçolas, e ilustrações a preceito a acompanhar os textos.
Muito ilustrada nas páginas do texto com sugestivos desenhos.
Tiragem: 500 exemplares.
"Continuando o nosso projecto de divulgação do património cultural académico, entramos no nosso Segundo Tomo.
Galvanizados com a aceitação das publicações anteriores e sentindo o apoio da academia para as nossas actividades, publica-se este n.º 1.
"HARD-CORE" inserido na colecção Recolha continua a linha irreverente de tão agrado dos estudantes. Por ser um tema de agrado e devido à grande expectativa criada à volta desta publicação achamos que aquela não sairá defraudada."
(excerto da apresentação)
"HARDE-CORE" continua a irreverência do "Coltura Pra-Pular Pré-Tuguesa", mas com outras características. Ao contrário,  daquele partimos para um tema inicial: "HARD-CORE", mas no entanto, face à escassez de textos tivemos de inserir alguns que não foram incluídos no "Coltura".
Além de recolhas, temos também alguns textos que foram elaborados por colegas nossos para assim complementar a ideia original.
Com o mesmo propósito se achou por bem ilustrar alguns capítulos, ilustrações estas feitas exclusivamente para este livro."
(excerto de Introduções)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
30€

06 agosto, 2017

O TROVADOR. Collecção de poesias contemporaneas redigida por uma sociedade d'academicos. Coimbra: Na Imprensa de E. Trovão, 1845-1848 [data ed. na f. rosto: 1848]. In-8.º (20cm) de [8], 400 p. ; E.
1.ª edição.
Colectânea de poesias de inspiração ultra-romântica assinadas por jovens estudantes da Universidade de Coimbra. No final do livro, é descrito o passeio de barco pelo Mondego, seguido de animado repasto na Quinta das Varandas, efectuado em 1844, pelos mancebos poetas d'O Trovador.
Colaboraram: A. Cabral Couceiro; A. Gonçalves Dias; A. Maria do Couto Monteiro; A. Pereira da Cunha; A. De Serpa; A. X. R. Cordeiro; A. Lima; Ayres de Sá Pereira e Castro; Evaristo Basto; F. de Castro Freyre; F. Palla; H. O’ Neill; J. A., J. da Costa Cascaes; J. Freyre de Serpa; J. Fructuoso; D. João de Azevedo; J. de Lemos; J. M. Borges; J. A. Palmeirim; L. Correia Caldeira; L. da Costa Pereira; L. da Silva Mousinho d’ Albuquerque; Nuno Maria de Sousa Moura.
"O Trovador não é um simples jornal, que represente o pensamento de um homem, nem é tambem a expressão de nova corporação, como talvez parece.
Além do merito pessoal dos seus redactores, além do mui elevado conceito, que a todos merece a Universidade de Coimbra, existe uma idêa grandiosa, que hade communicar ao Trovador a immortalidade.
Os sons maviosos com que a sua lyra louva a Religião de nossos maiores, as canções em que a honra e o valor portuguez brilham cercadas pela gloria, são o pensamento da nova geração.
O Trovador irá até á posteridade coroado com os louros que o adornam, porque traz no peito como divisa a cruz, e traja as côres nacionaes. [...]
A religião e a nacionalidade brilham nas suas paginas. - É um livro que não ha de morrer. A sua collecção será um dia precioso thesouro para os que tiverem de formar a historia litteraria do nosso seculo.
Esperamos que a mocidade academica não interromperá nunca uma publicação, que não será o menor padrão da sua gloria."
(excerto de Juizo, Sobre o Trovador...)
António Xavier Rodrigues Cordeiro (Cortes, Leiria, 28 de Dezembro de 1819 - Lisboa, 11 de Dezembro de 1896). "Foi um poeta ultrarromântico, jornalista e político português.
Graduado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, foi, por várias vezes, deputado às Cortes. Combateu a ditadura cabralista, tendo participado da revolta da Maria da Fonte (1846) e da guerra da Patuleia (1846-1847).
Colaborou em diversos jornais e revistas, alguns dos quais fundou e dirigiu. Em 1844 fundou, com João de Lemos, o jornal de poesias O Trovador, órgão da juventude estudantil conimbricense da década de 1840 e um dos principais repositórios do ideário poético da segunda geração romântica. Em 1854 fundou O Leiriense, onde publicou as crónicas históricas posteriormente coligidas nos dois volumes de contos de Leituras ao serão. A partir de 1862 dirigiu o Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro, onde publicou várias biografias de escritores portugueses e brasileiros. Colaborou com artigos literários e poesias em vários outros periódicos, como O Bardo, O Panorama, o Jornal de Belas-artes, a Revista Académica de Coimbra, O Instituto, A Revolução de Setembro, o Jornal de domingo (1881-1888) e a Revista Universal Lisbonense (1841-1859). Em 1889 reuniu a sua obra poética nos dois volumes de Esparsas. Em sua homenagem, a Cartes - Associação de Autores das Cortes instituiu o Prémio Literário Rodrigues Cordeiro, em parceira com a Casa Museu Centro Cultural João Soares.
Entre seus trabalhos conhecidos destacam-se os artigos de natureza política, além de uma série de pequenas crónicas históricas (que foram mais tarde editadas em dois tomos, com o título Serões de História) e poemas, alguns dos quais se tornaram muito populares, como, por exemplo, "A doida de Albano" (1874), "Tasso no hospital dos doidos", "O Outono", "O conde de Alarcos" – lenda popular impressa na Revista Académica de Coimbra (1845).
Rodrigues Cordeiro era tio-avô de Afonso Lopes Vieira."
(fonte: wikipédia)
Encadernação rudimentar, coeva, em meia de pele com cantos, com ferros gravados a ouro na lombada. Corte das folhas pintado de amarelo.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com mancha antiga de humidade no terço inferior do livro, mais visível nas primeiras folhas.
Raro.
Peça de colecção.
90€

27 junho, 2017

MELLO, Vicente Pinheiro de - COIMBRA : nobre cidade. Memorias. Com uma carta-prefacio de Affonso Lopes Vieira. Lisboa, [s.n.], Anno de 1909. In-4.º (25cm) de 104, [8] p. B.
1.ª edição.
Memórias do autor dos seus tempos de estudante em Coimbra.
"Quem não conheceu a minha servente, a Guilhermina, com seus cabellos brancos abrindo em bandós sobre a testa engelhada?
Um dia, já distante, quando o Chico Valle se formou, fez, segundo os usos de Coimbra, o testamento do seu quarto de estudante. Deixou a capa a um, a cama, os codigos a outros. Fiquei eu com a Guilhermina, que fôra sem duvida o seu melhor tesosuro. Ninguem mais pittoresco conheci ainda sobre a terra que a minha pobre e boa Guilhermina! Toda Coimbra a conhecia. A «Guilhermina do Vicente Pindella»! Era assim que indistinctamente a tratavam estudantes e tricanas.
Uma vez, numa volta de ferias do Natal, encontrei esquecida sobre a minha banca de trabalho uma cautella de prégo. Dizia assim: Guilhermina Pindella, uma saia de baixo, usada, doze vintens e meio. Soube depois que era assim que ella propria se assignava.
A Guilhermina foi para mim, durante dez annos de Coimbra, o mais extranho mixto de bondade e rabugice que alguem possa phantasiar. Todos aquelles que frequentavam a minha casa nunca conseguiram da sua bocca outro tratamento que não fosse o de tu. Quando se referia ao patrão dizia sempre:
- O maluco sahiu, o maluco não está em casa."
(excerto de A minha servente)
Vicente Miguel de Paula Pinheiro de Melo, também conhecido por Vicente Arnoso (1881-1925). Filho de Bernardo Pindella, o 1.º Conde de Arnoso, secretário particular do rei D. Carlos. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. De acordo con Norberto de Araújo, Vicente Arnoso pertenceu a uma geração singularíssima de Coimbra, uma que deu troveiros e idealistas. A vida, se os espalhou, não os afastou. A distância, mata-a a bondade. Não houve nunca melhor bondade na terra, e os outros, que com ele viveram e viviam – tinham também qualquer coisa de bom, que explicava, nos arroubamentos defendidos pelo instinto fidalgo de bem se cercar, as aproximações para o seu peito varonil. Fizera com Alexandre Braga, com Alberto Costa, o “Pad Zé”, com Aníbal Soares, ainda, com Augusto Soares, Lopes Vieira, João de Barros, Augusto Gil, Amândio Baptista de Sousa (Carnaxide), Fausto Guedes e outros – uma geração impecável de almas boas, concertadas dentro do desconcerto de génios, tendências, ilusões políticas, pecado de se ter nascido homem."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Sem f. anterrosto.
Invulgar e muito apreciado.
Indisponível

16 junho, 2017

SOUSA, Afonso de - O CANTO E A GUITARRA NA DÉCADA DE OIRO DA ACADEMIA DE COIMBRA (1920-1930). Coimbra, Comissão Municipal de Turismo, 1981. In-8.º (20,5cm) de 39, [1] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição.
Tiragem: 350 exemplares.
Interessante subsídio para a história do Fado de Coimbra.
Ilustrado extratexto com dois retratos, impressos sobre papel couché, de Artur Paredes e Edmundo de Bettencourt.
Opúsculo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor que na mesma classifica a sua obra de «divagações académicas».
"Fado de Coimbra?
Mas a toada coimbrã, apregoada sob essa designação e como tal já universalmente reconhecida, deverá, efectivamente, enquadrar-se na veia paradigmática do «Fado» propriamente dito?
Por outras palavras: os cantares que ouvimos directamente das vozes dos próprios criadores ou transmitidos pelas gerações coimbrãs, suas sucedâneas, podem considerar-se envolvidas nas roupagens de que o Fado tradicionalmente se reveste?"
(excerto da Questão prévia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
20€

14 abril, 2017

LOPES, António Rodrigues - A SOCIEDADE TRADICIONAL ACADÉMICA COIMBRÃ : introdução ao estudo etnoantropológico. Coimbra, [s.n. - comp. e imp nas oficinas da Gráfica de Coimbra, Coimbra], 1982. In-4.º (23cm) de 328 p. ; [7] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo antropológico sobre a comunidade estudantil coimbrã.
Ilustrado com quadros, gráficos, tabelas e mapas no texto, e com sete fotogravuras a p.b. em separado.
"O Autor viveu os primeiros vinte e quatro anos da sua existência em Coimbra, dos quais a maior parte na Alta medieval conimbricence. Ali se imbui do espírito sui generis do Universo Académico, designadamente o romantismo boémio e o singular estilo cultural praticado pelos estudantes.
O estudo que ora se publica esteve em reserva mental desde a sua juventude, era pois inevitável que adquirisse forma depois de ter concluído a sua licenciatura em Ciências Antropológicas e Etnológicas.
Pela primeira vez, supomos, a análise antropológica aborda o fenómeno da Sociedade Tradicional Académica coimbrã, ao revelar aspectos inusitados (etnocídio), desfazendo nebulosas interpretações ou equívocos levianamente expressos e pior aceites, deturpando a realidade que teve lugar na Lusa-Atenas.
A pesquisa aborda aspectos sócio-políticos, institucionais e metodologias do ofício da Antropologia, nomeadamente os contornos da Comunidade Académica, com o objectivo de fazer compreender o que até aqui se tem negligenciado.
Obra inédita, fruto da tentativa bem conseguida, de sacar uma investigação sistemática, foi reforçada pela observação participante do autor.
Precioso ensaio para o público universitário, e também excelente manual para não especialistas. Trabalho inovador no meio português e também leitura aliciante pela perspectiva diacrónica, ao desenhar o perfil da estrutura institucional do que foi a Sociedade Tradicional, que não se modelou em nenhuma outra."
(excerto da apresentação de António S. R. Minga)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

24 fevereiro, 2017

LEMOS, Virgílio de - LÁGRIMAS DA JUVENTUDE. Lisboa, [s.n. - imp. Gráfica Boa Nova, Lisboa], Abril, 1954. In-8.º (19,5cm) de 57, [7] p. ; B.
1.ª edição.
Capas de Maria Helena Leitão.
Memórias da juventude do autor, com particular ênfase para o período dedicado à sua passagem por Coimbra quando estudante universitário.
"Duas razões estão na base da publicação destas páginas que vão ler-se: uma, o incitamento constante de antigos condiscípulos de Coimbra que gostariam de ver em letra de forma o que por lá publiquei em panfletos; a outra, a oportunidade que se me apresentava de juntar a esses escritos, alguns mais."
(excerto do prefácio)
Índice:
1 - A cidade do Porto (certas reivindicações). 2 - Prefácio (algumas características desta geração). 3 - Panfletos académicos em Coimbra. 4 - Condições económico-sociais culturais dos universitários. 5 - Manifesto. 6 - Diálogo político (monárquicos e republicanos). 7 - O comunismo. 8 - A defesa da Família.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequeno rasgão na margem lateral, sem perda de papel. Sinais de humidade na parte superior do livro contribuíram para um ligeiro "enrrugamento" do miolo nesse ponto.
Raro.
25€

31 dezembro, 2016

QUENTAL, Antero de - PROSAS DA ÉPOCA DE COIMBRA. Obra Completa. Edição crítica organizada por António Salgado Júnior. [2.ª edição]. Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1982. In-8.º de (21cm) XXVII, [2], 363, [5] p. ; B.
Conjunto de textos de Antero - reflexões, comentários, manifestos, cartas, etc. - referentes aos tempos de estudante em Coimbra, coligidos desde 1849 até 1865. Inclui a chamada 'Questão Coimbrã', onde pontificam as cartas trocadas com António Feliciano de Castilho sobre a Questão do Bom Senso.
"Em tempo em que a força imperava, árbitro irrecusável em todas as contendas, defendiam nobres paladinos e intrépidos cavaleiros, de viseira calada e lança em riste, a honra da dama de seus pensares; e o vencedor ufano ia receber modestamente a coroa e o beijo pudico, paga de seu brio e galhardia.
Era o tempo em que a voz lacrimosa duma dona ofendida em sua honra, ou de donzela acabrunhada por desleal tirano, topava eco certo em todo o coração nobre e generoso, que batia sob um arrnês de cavaleiro, e, em seu desagravo, reunia em volta de si todos quantos braços valentes empunhavam lança ou espada.
Era o tempo em que o insulto feito às damas por orgulhosos Bretões custava caro, custava a vida àqueles que, de imprudentes, ousavam proferi-lo; porque sempre à testa duns - doze de Inglaterra se encontrava um - Magriço-aventureiro a desagravá-las. Tempos foram que jamais voltarão. [...]
Já se não peleja pela formosura da mulher, mas sim pela inocência da sua natureza pura e sem mácula; mas sim por seus direitos; mas sim pelo lugar de honra, que de jus lhe compete no banquete social. [...]
Assim também a mulher é hoje mais reverenciada, mais compreendida e mais amada; hoje a mulher, por assim dizer, fala todas as línguas, cala em todos os corações, afecta todas as formas de literatura e da ciência: a filosofia, a medicina, a poesia, o romance, tudo hoje trabalha com afã em remir a mulher da escravidão da Meia-Idade, de prostituição e embrutecimento do Oriente; e em elevá-la ao tálamo conjugal, a todos os direitos e prerrogativas, que o seu tríplice carácter de amante, esposa e mãe lhe dá jus reclamar."
(excerto de Educação das Mulheres)
"Ao Governo, aos homens desinteressados e liberais desta terra, vamos dar razão ao nosso procedimento. Oiçam-nos. Pedimos um quarto de hora de atenção: não é muito que ao prazer e ao interesse se roubem alguns minutos para atender à voz da mocidade de um país. Essa voz da alma: é a voz da eterna justiça.
Todo o facto pede uma explicação. Se o acontecimento é grave, graves devem ser os motivos que o produziram; e, mais que ninguém, homens novos, quando deliberam, podem sim enganar-se, mas a intenção é sempre generosa e nobre.
Pergunta-se hoje em Coimbra, pergunta-se por todo País: - Que querem os estudantes da Universidade de Coimbra? Que significa a evacuação da sala dos Capelos no dia 8 de Dezembro de 1862? Que protesto é esse duma corporação contra o seu chefe?
Os Estudantes não são meia dúzia de crianças turbulentas que, numa hora de galhofa, se combinem para pregar uma peça engraçada; tantos homens não se entendem, como um bando de rapazes de escola, só com o fim de se divertirem à custa de uma coisa muito séria. Não foi, pois, o prurido da infância o motor daquele acontecimento. Esta hipótese nem se discute. O bom senso da Nação rejeita-a como uma ofensa feita a si mesma na pessoa dos seus melhores filhos.
Os Estudantes não são, tão pouco, instrumentos cegos de vinganças pessoais, trabalhando à luz do dia, mas movidos por um braço oculto na sombra. São instrumentos sim, mas de própria causa. O braço que os impele não vem de cima, nem vem de baixo o impulso que os leva. Escutam a voz da consciência e obram."
(excerto de Manifesto dos Estudantes da Universidade de Coimbra, À opinião ilustrada do País)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

02 novembro, 2016

CEREJEIRA, Dr. Manuel Gonçalves - DISCURSO pronunciado na sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, em o dia 28 de Maio de 1922, pelo Professor da Faculdade de Letras Dr. Manuel Gonçalves Cerejeira, no acto de se conferirem as insígnias doutorais ao novo Doutor em Letras (secção de Sciências Geográficas) o Senhor Aristides de Amorim Girão. Coimbra, Casa Tipográfica, MDCCCCXXII [1922]. In-4.º (25cm) de 13, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Discurso pronunciado por Manuel Gonçalves Cerejeira, futuro Cardeal Patriarca de Lisboa, figura de proa da Igreja Católica portuguesa no século passado, apoiante do Estado Novo de Oliveira Salazar de quem era amigo e confidente desde os tempos de Coimbra.
Além do discurso cerimonial propriamente dito, Gonçalves Cerejeira permite-se tecer algumas consideração de ordem religiosa e espiritual sobre a vida em geral, e a Universidade de Coimbra em particular, o que empresta a este opúsculo um interesse indubitável e verdadeiramente imprevisto.
Exemplar n.º 19 da curta tiragem de 100 exemplares assinados por Cerejeira. Duplamente valorizado pela dedicatória pelo seu punho dirigida ao Dr. Manuel Rodrigues.
"Ao ter de tomar a palavra nesta festa universitária - há tantos anos interrompida! - de consagração a uma espécie de nobreza que se não confere por... decreto - o talento: acodem-me ao espírito aquelas palavras de Dante
«Non senza tema a dicer mi conduco».
É que a Ordem dos Doutores de capêlo, aqui erecta nesta velha e gloriosa Universidade de Coimbra pela lei e pela fôrça da tradição, volta hoje a reünir-se no estilo dos dias antigos para receber festivamente no seu seio, com o usado abraço fraternal, o novo Doutor, Ex.mo Senhor Aristides de Amorim Girão, que nela acaba de entrar por direito de conquista.
Parecerá talvez a alguns que é um símbolo morto que se ressuscita. Ora, alêm de que o que ressuscita é porque... não está morto, os símbolos podem transformar-se, mas não morrem... senão com a morte da civilização, pois que com ela nascem e perduram."
(excerto do discurso)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas.
Raro.
50€

13 outubro, 2016

VITAL, Fézàs - MAGALHÃES COLAÇO : Professor de Direito. [Por]... Professor da Faculdade de Direito de Coimbra. Coimbra, Of. da Coimbra Editora, L.da, 1934. In-4.º (26cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Discurso pronunciado na sessão que os condiscípulos do Prof. Magalhães Colaço realizaram, em 31 de Agosto de 1932, na Sala dos Actos Grandes da Universidade de Coimbra.
Opúsculo de homenagem ao Prof. Magalhães Colaço, falecido em 1931. Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Prof. Fezas Vital.
"Nesta Sala - há cêrca de vinte e dois anos - conheci eu Magalhães Colaço, então segundanista de Direito, que a convite do Ex.mo Prelado Universitário, Dr. Manuel de Arriaga, lia uma conferência.
Formara-me meses antes e, por isso, sentia-me ainda de certo modo académico, só com académicos convivendo.
Vim com um grupo de contemporâneos e disposto, como êles, a uma crítica severa do novato que, em desobediência a velhas praxes, se atrevia a subir aos doutorais, para - não duvidamos - os deshonrar e diminuir no seu prestígio.
Magalhães Colaço tinha 17 anos!
Inicia a conferência num ambiente hostil, mas, finda ela, a crítica, que, de severa, se tornara benévola, começou a ver naquele jóvem, pálido e débil, uma das figuras de maior relêvo da sua geração."
(excerto da conferência)
Domingos Fezas Vital (1888-1953). “Professor de direito, chega a reitor da Universidade de Coimbra com a Ditadura Nacional (1927-1930). Presidente da Junta de Educação Nacional (1940-46) e da Câmara Corporativa (1944-46). Dirigente da Causa Monárquica e lugar-tenente do duque de Bragança (desde 1942). É um dos redactores do projecto da Constituição de 1933, é também um dos introdutores em Portugal das teorias institucionalistas de Maurice Hauriou (1856-1929) e Georges Renard (1867-1943) que, nos anos trinta, permitem uma actualização das teorias corporativistas, fazendo-as ligar ao próprio neotomismo. É um dos subscritores do Parecer da Câmara Corporativa que apoia o projecto de extinção da Maçonaria em 1935, juntamente com Afonso de Melo Pinto Veloso, Gustavo Cordeiro Ramos, José Gabriel Pinto Coelho e Abel de Andrade. Como professor de direito, é um cruzamento de inspirações, dado que tenta conciliar a tecnicidade juridicista de Duguit com a costela jusnaturalista."
(fonte: maltez.info/biografia/fezas.pdf)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas.
Raro.
15€

08 outubro, 2016

CASTRO, Eugenio de - GUIA DE COIMBRA. Por... Publicação official da Sociedade de Defesa e Propaganda de Coimbra. Coimbra, F. França Amado - Editor, [s.d.]. In-8.º (16,5cm) de 103, [1] p. ; [27] f. il. ; [1] planta desd. ; [16] p. pub. ; B.
1.ª edição.
Curioso guia de Coimbra. Muito ilustrado com 27 estampas intercaladas no texto e uma planta desdobrável de Coimbra e arredores. No final do livro contam-se 16 páginas inteiramente dedicadas à publicidade local.
"Coimbra é como certas mulheres que depois de haverem soffrido os maiores ultrajes do tempo e do destino, conservam ainda na decrepitude eloquente signaes da belleza que tiveram em moças.
Ao passo que, nos outros paizes da Europa e até na visinha Hespanha, injustamente classificada de barbara, a modernisação das povoações historicas se tem feito assisadamente, abrindo-se novos bairros de ruas amplas e arejadas, mas conservando-se com respeito a parte antiga nos seus elementos monumentaes e pittorescos, em Portugal, pelo contrario, a falta de cultura artistica, a decadencia da aristocracia, o desdem pela tradição e a incompetencia da maior parte das edilidades, descaracterisaram por completo as cidades, arrasando ou deixando cahir desalmadamente castellos e muralhas, templos e solares, duplamente interessantes e veneraveis, pelo que valiam como obras d'arte e pelas nobres coisas que do passado nos diziam. [...]
Mas paremos. Não é nosso intento fazer uma resenha minuciosa e completa de todos os crimes de lesa-arte e de lesa-historia perpetrados em Coimbra, o que nos levaria muito longe. [...]
O que resta, e de que daremos succinta mas verdadeira noticia n'esta Guia, pode ainda proporcionar aos espiritos delicados alguns dias de elevada delicia."
(excerto da introdução)
Indice:
- Aqueduto de S. Sebastião. - Arco de Almedina. - Associação dos Artistas. - Asylo da Infancia Desvalida. - Brasão de Coimbra. - Cemiterio da Conchada. - Collegio Novo. - Collegio de S. Bento. - Collegio da Trindade. - Collegio das Ursulinas. - Collegio de Santa Thereza. - Convento de S. Francisco. - Egreja do Carmo. - Egreja da Graça. - Egreja de S. Salvador. - Egreja de Santa Cruz. - Egreja de Santa Justa. - Egreja de S. Bartholomeu. - Egreja de S. Domingos. - Egreja de S. Thiago. - Jardim Botanico. - Jardim da Manga. - Monumentos commemorativos. - Mosteiro de Cellas. - Mosteiro de Sant'Anna. - Mosteiro de Santa Clara. - Museu Machado de Castro. - Paço de Sub-Ripas. - Palacio Ameal. - Parque de Santa Cruz. - Passeios e excursões. - Penedo da Meditação. - Penedo da Saudade. - Picôto dos Barbados. - Preambulo. - Santa Clara a Velha. - Santo Antonio dos Olivaes. - Seminario Episcopal. - Sé Nova. - Sé Velha. - Thesoiro da Sé. - Universidade.
Eugénio de Castro e Almeida (1869-1944). "Nasceu em Coimbra em 4/3/1869 e faleceu a 18/8/1944. Poeta e professor universitário, em Coimbra, onde também fez os seus estudos preparatórios e concluiu o seu curso superior de letras (1885-1888). Nomeado pouco depois adido à legação de Portugal em Viene de Áustria, não tardou em desistir da carreira diplomática, escolhendo a carreira do magistério. Considerado o introdutor do simbolismo em Portugal, tem um percurso literário que oscila entre uma fase inovadora e uma outra neoclássica, de maior sobriedade estilística, até se aproximar do movimento neo-romântico, desembocando num culto de simplicidade e num regresso de forma tradicionais como por exemplo a quadra popular. Muitos dos seus poemas foram traduzidos em diversas líguas, para espanhol, italiano, sueco, entre outras.”
(fonte: wiki.ued.ipleiria.pt)
Exemplar em bom estado geral de conservação. Assinatura possessória datada na capa. Pequena falha de papel na extremidade inferior da lombada.
Invulgar.
Indisponível

02 outubro, 2016

VASCONCÉLLOZ, Prof. Dr. António de - REAL CAPELLA DA UNIVERSIDADE (Alguns apontamentos e notas para a sua história). Coimbra, Imprensa da Universidade, 1908. In-4.º (24cm) de 263, [1] p. ; [3] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Edição de prestígio sobre a capela da Universidade de Coimbra, totalmente impressa sobre papel couché. Ilustrada no texto com bonitas capitulares, desenhos em várias cores e fotogravuras, e com três estampas em separado.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
"O presente opúsculo não foi escrito com pretensões literárias, nem tampouco houve o intuito de nelle se produzir um trabalho histórico definitivo. Nada disso.
No desempenho do seu cargo de director do archivo de Universidade, o obscuro autor destas linhas tem ali encontrado bastantes referências e documentos desconhecidos, relativos à real capella universitária. Encarregado por outro lado, ha seis annos, da direcção da mesma real capella, tem tomado conhecimento dos serviços, do pessoal e do material deste estabelecimento, e ao mesmo tempo tem recolhido interessantes tradições, prestes a perderem-se."
(excerto do preâmbulo)
"Remonta aos inícios da nacionalidade portuguêsa a fundação da capella real de S. Miguel nos paços da Alcáçova em Coímbra. Assentando nesta cidade a sua residéncia habitual, el-rei D. Affonso Henríquez erigiu no seu próprio palácio uma capella, onde quotidianamente se celebrasse o Sacrifício eucarístico, e se recitassem privadamente as horas canónicas, para satisfação da piedade de el-rei e da régia família."
(excerto da Cap. I, A capella real de S. Miguel em Coimbra)
Matérias:
I - A capella real de S. Miguel de Coimbra. II - Edifício e objectos de culto. III - Actos do culto. IV - Pessoal e seus vencimentos.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas e lombada frágeis, com defeitos. Apresenta mancha de humidade antiga, na parte inferior do livro (sem afectar a mancha tipográfica), transversal a toda a obra.
Raro.
Indisponível

08 agosto, 2016

MAIA, Francisco d'Athayde Machado de Faria e - VENCIDO : romance. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1914. In-8.º (19cm) de 224 p. ; E. Colecção Antonio Maria Pereira, 87
1.ª edição.
Obra constituída por um romance histórico, que preenche a quase totalidade do livro, e três pequenos contos.
A acção do romance decorre na última década do século XIX, em Coimbra e arredores, num ambiente universitário de grande exaltação, entre protestos e rebeliões, que culmina no malogrado golpe de 31 de Janeiro de 1891, na sequência do Ultimatum inglês.
"Fôra numa tarde triste de outomno que elle a vira pela primeira vez.
Sahira a passear pelos campos que, como um lindo diadema de verdura, cingem apertadamente a poetica e lendaria Lusa Athenas.
O tempo estava sereno, mas triste e sombrio. Era uma destas tardes de outomno em que a natureza, preparando-se para o longo luto do inverno, tem a suavidade triste duma proxima viuvez. As folhas das arvores cahiam lenta lenta e desoladoramente. Os ramos seccos e nús, erguidos para o céu, como braços esqueleticos, pareciam implorar socorro. As heras, enlaçando-se estreitamente aos troncos despidos de verdura, pareciam, num abraço meigo, querer consolá-los da sua desolação, aconselhando-lhes resignação. Os choupos que ladeavam o rio já não tinham a mesma altivez e os salgueiros dobravam-se na saudosa e muda contemplação do Mondego, parecendo relembrar o tempo em que elle corria limpo e crystalino e não  escuro e turvo como agora.
Absorvido na contemplação da paisagem tão bella, nesse tom melancolico da tarde, fôra caminhando sem attender a que se afastava demasiadamente da cidade. Estava, talvez, a uma legua de Coimbra quando o tempo se toldou subitamente e grossa bagas de agua começaram a cahir, a principio espaçadamente, depois a mais e mais, ameaçando converterem-se, em breve, em contínua e violenta chuva."
(excerto do Cap. V)
Francisco de Ataíde Machado de Faria e Maia (Ponta Delgada, 1876-Ponta Delgada, 1959). “Foi um intelectual, jornalista e historiador açoriano. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1901), foi inspector escolar, professor liceal e político. Entre outras funções, presidiu à Câmara Municipal de Ponta Delgada e foi senador eleito para o Congresso da República. Deixou publicada uma extensa obra historiográfica. Nos seus tempos de estudante conviveu com alguns dos futuros vultos da cultura portuguesa, entre os quais Teixeira de Pascoaes e Afonso Lopes Vieira."
(Fonte: wikipédia)
Encadernação editorial da Parceria com ferros gravados a ouro e a negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
15

09 maio, 2016

SAMPAIO, Armando – COIMBRA ONDE UMA VEZ… Recordações de um antigo estudante. Portalegre, [s.n. – Depositário : Clube Académico de Coimbra, Coimbra], 1974. In-8.º (21cm) de 169, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
Memórias de Armando Sampaio, conhecido desportista da Briosa, dos seus tempos de estudante em Coimbra.
“Coimbra, quando há quase cinquenta anos fui frequentar a sua Universidade, diferia um pouco do que fora antes; e muito, muitíssimo mesmo, do que é hoje.
Contava meu pai, que andara por lá mais de meio século atrás, que no seu tempo, quando não havia ainda ligação ferroviária entre a Estação Velha e a cidade, os passageiros desembarcados naquela faziam-se transportar para esta em burros de aluguer, mais ou menos lazarentos. Os seus proprietários, colocados em fila à saída da gare ao lado dos jumentos, apontavam com o dedo indicador para os viajantes que chegavam, gritando com quanta força tinham:
- Burro, sr. doutor!... Burro, sr. doutor!...
(Já nessa época distante eram apodados de doutores quantos passavam pela velha cidade universitária)
Claro que os homenzinhos não pretendiam insultar fosse quem fosse. O gesto e a fala eram a forma usual de oferecerem a «mercadoria»…”
(excerto do texto, Antigamente era assim)
Armando Francisco Coelho de Sampaio (1907-1982). Natural de Beja. “Antigo Estudante da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Medicina, foi uma figura destacada no panorama futebolístico português. Na Associação Académica de Coimbra, AAC, desempenhou cargos e lugares, tal como no Sporting Clube de Portugal e na Federação Portuguesa de Futebol. Armando Sampaio veio profissionalmente exercer medicina para Portalegre. Além de desportista e médico, era também político. Politicamente ligado ao Estado Novo, foi desde sempre amigo e apoiante de Marcello Caetano, muito tempo antes de Caetano vir a ascender à presidência do conselho. Ao longo da sua vida escreveu vários livros memorialistas, que hoje são fonte importante para as temáticas que tratou.”
(fonte: avozportalegrense.blogspot.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

27 abril, 2016

NUNES, Nicolau - DA MORTE VIOLENTA POR ARMAS DE FOGO. Tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Coimbra, Minerva Central, 1925. In-8.º (21,5cm) de 47, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo académico sobre a morte provocada por disparos de armas de fogo.
Ilustrado com quadros estatísticos das Observações de ferimentos por armas de fogo, que produziram lesões mortais, colhidas no Arquivo do Instituto de Medicina Legal de Coimbra desde a data da sua fundação 1899 até 1925 (pp. 28-47).
"A morte é a paragem dos fenómenos vitais.
Nós podemos dividir a morte em duas grandes categorias: a morte natural e a morte acidental.
No primeiro caso o homem atinge o maximo do seu desenvolvimento e das suas funções. Mas ao fim dum certo tempo, essas funções vão-se afroixando até se extinguirem, e a morte sobrevem como termo fatal e inevitavel da vida.
No segundo caso a morte é possível em qualquer idade, e assim pode ser produzida pela fome, pelas doenças, pelas armas de fogo, etc...
É para a morte produzida pelas armas de fogo, que nós desviamos toda a nossa atenção."
(A morte em geral)
Matérias:
- A morte em geral. - Das armas de fogo. - Lesões produzidas pelas armas de fogo. - Conclusões: I. Crime. II. Suicídio.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta vinco diagonal.
Raro.
Sem indicação de registo na BNP (Biblioteca Nacional).
20€

10 abril, 2016

RIBEIRO, Amilcar - OLHA O BONET!... Narrativa dos ultimos acontecimentos de Coimbra. Porto, Edição do Autor, 1913. In-8.º (19cm) de 36 p. ; B.
1.ª edição.
Relato de um estudante, do conflito que opôs os alunos da Universidade de Coimbra à polícia secundada pelos "futricas". A contenda, que teve momentos agrestes, com tiroteio, alguma violência física e detenções, terminaria passada uma semana, culminando com o roubo, perpetrado por um estudante, do boné do comandante da GNR vindo de Lisboa com uma força militar para por fim aos desacatos. Tal "façanha" daria azo a grande galhofa por toda a cidade de Coimbra, dando nome a este opúsculo e à revolta estudantil de 1913 que ficaria conhecida por "olha o boné".
                                 ................
"Olha o Bonet!... Escolho este titulo para a minha narrativa, em virtude da desaparição do já agora celebre bonet ter sido o mais interessante episodio que se deu durante os acontecimentos. Este livro, apezar de escrito á pressa e portanto mal redigido, deve comtudo fazer parte da biblioteca de todo o estudante de Coimbra, porque ele marca um dos maiores acontecimentos que se tem dado nesta cidade.
O Autor.
Coimbra, 3 de junho de 1913."
(apresentação, Duas palavras)
"Não era meu intuito relatar os lamentaveis acontecimentos que se desenrolaram nesta cidade e que foram causa da honrosa debandada de toda a academia.
Mas hoje, ao ler o manifesto «Ao Paiz», distribuido por um grupo de operarios, tão indignado fiquei ao ver as falsidades de que se servem para acusar a academia, que resolvi escrever estas palavras que dedico a todos os estudantes pois que se enobreceram, mantendo-se na mais perfeita solidariedade. Irei, pois, relatar os acontecimentos, desde as suas causas e inicios até aos ultimos dias, que fecharam tão grave conflito. Mas todos os relatos que fizer constituirão a expressão da verdade, porque hão de ser intermediados de provas bastantes e as mais completas para condenar essa ralé asquerosa e nojenta, que ousa recriminar o procedimento da academia, exclusivamente para defender as suas façanhas.
Colocar-me-hei pois na narração de todos os factos com a mais escrupulosa imparcialidade, apesar de pertencer a uma das partes, e não suponham os leitores que se aplaudo a academia, não é porque a procure defender sem provas, aliás tenho-as suficientes, mas sobretudo porque me repugna e indigna o proceder dessa população abjecta que se chama futrica. Futrica, lá diz o dicionário de Candido de Figueiredo: é homem ordinario, bandalho, de sentimentos baixos."
(excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Folha de rosto apresenta restauro.
Raro.
Com interesse para a história da Universidade de Coimbra.
Indisponível

20 fevereiro, 2016


SALAZAR, António de Oliveira - A MINHA RESPOSTA. No processo de sindicância à Universidade de Coimbra. Coimbra, Tipografia França Amado, 1919. In-4.º (24cm) de 28 p. ; B.
VITAL, Domingos Fésàs - A MINHA RESPOSTA. No processo de sindicância à Universidade de Coimbra. Coimbra, Tipografia França Amado, 1919. In-4.º (24cm) de 31, [1] p. ; B.
PACHECO, Antonio Faria Carneiro - A MINHA RESPOSTA. No processo de sindicância à Universidade de Coimbra. Coimbra, Tipografia França Amado, 1919. In-4.º (24cm) de 31, [1] p. ; B.
COLLAÇO, João Maria Tello de Magalhães - A MINHA RESPOSTA. No processo de sindicância à Universidade de Coimbra. Coimbra, Tipografia França Amado, 1919. In-4.º (24cm) de VI, 16, [2] p. ; B. 
1.ª edição.
"Em Março de 1919, na sequência de uma sindicância a quatro professores da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Salazar fica impossibilitado de dar aulas juntamente com Carneiro Pacheco, Fezas Vital e Magalhães Colaço, acusados de propaganda monárquica no exercício das suas funções. Como nada tivesse sido apurado foram reconduzidos nas suas funções.
Entretanto Salazar publica a sua defesa sob o título “A Minha Resposta”, tal como os restantes acusados, mas em documentos separados. Formula a sua defesa e conclui: «Tenho dado à Faculdade de Direito de Coimbra toda a minha inteligência, todo o meu trabalho, todo o meu entusiasmo pela educação de uma tão bela parte da mocidade portuguesa. Fui suspenso. Fez-se este inquérito agora. Ninguém atacou a minha honra pessoal, a minha competência profissional, a imparcialidade e rectidão dos meus julgamentos, a correcção do meu procedimento como funcionário. Hei-de orgulhar-me sempre destes meus curtos anos de professor: estou satisfeito. Não sei o que virá depois do inquérito. Eu cá… não quero outra portaria de louvor.»
A 19 de Abril terminou a sindicância e posteriormente foram reintegrados os professores."
(in http://oliveirasalazar.org/download/documentos/biografia)
Exemplares brochados em bom estado de conservação.
Raro.
Conjunto completo.
90€

21 janeiro, 2016

SANTOS, António de Almeida - COIMBRA EM ÁFRICA. Com um prefácio do Prof. Dr. Afonso Queiró. [Coimbra], Edição do Orfeão Acdémico de Coimbra, 1950. In-4.º (23,5cm) de 308, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada nas páginas do texto com fotografias a p.b., a maioria em página inteira.
Relato da viagem efectuada pelo Orfeão Académico de Coimbra ao Ultramar Português, no Verão de 1949. Inclui a relação dos orfeanistas estudantes que participaram nesta viagem cultural.
"A viagem do Orfeão Académico a África não poderia encontrar melhor cronista do que Almeida Santos, que dispõe de uma pena fácil, realmente apta para descrever com colorido e emoção os momentos inolvidáveis que a cento e tal estudantes universitários de Coimbra foi dado viver e sentir nas férias grandes de 1949.
A leitura deste «reportagem» vai facultar aos que não puderam ir connosco percorrer percorrer também aqueles longos mares que navegámos, serem apoteòticamente recebidos naquelas terras portuguesas (e tão portuguesas!) das duas costas, seguir-nos nas caminhadas que fizemos por terra, pelos rios, pelo ar, em busca de sensações antes só sonhadas, até surpreendermos a vida íntima do mato, nas suas maravilhas e nas suas agruras. E ao fechar da última página, o leitor ficará como os que foram e tiveram o primeiro contacto físico com as nossas terras do equador e trópicos: temperado por uma salutar lufada de optimismo e de fé nos destinos ultramarinos de Portugal."
(excerto do prefácio)
Índice:
Prefácio. - O surgir dum anseio. - Antes. - Um espectáculo de despedida em Lisboa. - A partida. - Uma grande família. - Na Pérola do Atlântico. - Catorze dias no mar. - Luanda, a cidade que tem coração. - Lobito e Benguela. - Entre uma e outra costa. - Lourenço Marques. - A cidade da Beira. - De novo em Lourenço Marques. - Cape Town. - Moçâmedes, a Princesa do Deserto. - Sá da Bandeira. - Nova Lisboa. - De Nova Lisboa ao Lobito. - Adeus, Luanda! - S. Tomé. - Uma Ilha dos Amores. - A chegada. - Depois. - Relação dos orfeanistas estudantes da Universidade do Coimbra que constituíram a Embaixada Cultural ao Ultramar Português, no Verão de 1949.
António de Almeida Santos (1926-2016). Advogado, político e escritor português. Figura histórica e presidente honorário do PS. Foi Presidente da Assembleia da República durante a década de 1990. Natural de Seia, formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Terminado o curso, Almeida Santos rumou a Moçambique e estabeleceu-se na então Lourenço Marques, actual Maputo, onde se envolveu em actividades políticas e de apoio a nacionalistas, fazendo oposição a Salazar. Ali viveu durante duas décadas, regressando a Portugal em 1974, a convite do então Presidente da República António Spínola. O envolvimento na política levou-o a ser um dos protagonistas no Portugal pós-25 de Abril de 1974, como ministro de várias pastas, desde o I Governo Provisório. Mais tarde foi conselheiro de Estado, presidente da Assembleia da República e presidente do PS, tendo sido um dos mais próximos colaboradores de Mário Soares. Foi autor de dezenas de livros, tinha várias condecorações, designadamente as portuguesas Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e da Ordem Militar de Cristo. Actualmente era o presidente honorário do PS.
(fonte: www.publico.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
30€

17 janeiro, 2016

AMARAL, Jorge H. Côrte Real e - A ILHA TERCEIRA E A REVOLUÇÃO LIBERAL DO PORTO. Dissertação para a Licenciatura em Ciências Históricas e Filosóficas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, apresentado por... [S.l.], [s.n.], 1955. In-4.º (24cm) de [3], 41, [1] f. ; E.
Julgamos estar em presença do exemplar de trabalho, batido à máquina, da tese de licenciatura do autor.
Contém 3 folhas manuscritas pelo punho do autor com o resumo dos capítulos, algumas interrogações e reflexões sobre a apresentação do trabalho, e a errata.
Esta obra viria a ser publicada em Coimbra, não existindo no entanto qualquer exemplar registado na base de dados da Biblioteca Nacional. A biblioteca da Universidade de Coimbra possui um exemplar.
                                         ..................
"A nova da revolta do Porto de 1820 saída do Sinédrio, onde pontificava como principal elemento o Desembargador Fernandes Tomaz, chegou aos Açôres um mês depois de se haver proclamado o Governo Provisório e Junta Governativa.
A notícia, não foi recebida com alegria pelos habitantes do Arquipélago, realistas e católicos, que nada queriam, nada desejavam das ideias democráticas que fervilhavam pelo Reino. Se para a maior parte da população, a notícia trouxe descontentamento, é certo que para um limitado número de pessoas influenciadas pelos deportados da "Amazonas" ela trouxe alegria. Os deportados exultaram antevendo não só o fim do seu longo exílio mas principalmente o advento dos seus princípios."
(excerto do Cap. III, Revolta Liberal em S. Miguel e na Terceira, 1821)
Matérias:
I. A cidade de Angra na Ilha Terceira, sede do Governo Geral dos Açores - Suas Causas e consequências.
II. As ideias Liberais, sua difusão pelos deportados da "Amazonas".
III. Revolta Liberal em S. Miguel e na Terceira, 1821 - Contra Revolução.
Encadernação simples em meia de percalina.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível