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31 agosto, 2017

MORÃO, Joaquim César de Figaniére e - DESCRIPÇÃO DE SERRA-LEÔA E SEUS CONTORNOS. ESCRIPTA EM DOZE CARTAS. Á QUAL SE AJUNTÃO OS TRABALHOS DA COMMISSÃO-MIXTA PORTUGUEZA E INGLEZA, ESTABELECIDA NAQUELLA COLONIA. O. C. D. Á SOCIEDADE LITTERARIA PATRIOTICA O CIDADÃO... Membro da mesma Sociedade e Ex-Commissario Arbitro de S. M. F. em Serra-Leôa. LISBOA: NA IMPRESSÃO DE JOÃO BAPTISTA MORANDO. ANNO 1822. In-8.º (19cm) de 97, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Importante contributo para a história do tráfico negreiro. Na época em a presente obra foi publicada, o comércio de escravos caminhava para o seu ocaso, fruto das pressões exercidas pela coroa inglesa sobre Portugal e dos tratados celebrados entre os dois países que, a pouco e pouco, apontavam para a abolição geral. Muito interessante pelas descrições geográficas do território colonial, as impressões transmitidas pelo autor do seu dia a dia em Freetown ao longo do tempo que aí permaneceu como representante português na Comissão Mista e pela particularmente curiosa abordagem etno-antropológica dos indígenas que Figaniére descreve com algum pormenor.

Em 1815, foi celebrado um Tratado entre os dois países “para a abolição do tráfico de escravos em todos os lugares da Costa da África ao norte do Equador”. Além dessa medida, o texto bilateral assinala que D. João VI resolvera adoptar ”em seus domínios, uma gradual abolição do comércio de escravos”. Em 1817, não sendo ainda possível ao governo inglês atingir o seu maior objetivo, alcançara pela Convenção que tem por fim “impedir qualquer comércio ilícito de escravatura”, o famoso “direito de visita e busca” nas embarcações suspeitas de tráfico, e a criação de “comissões mistas” para julgarem os navios negreiros apresados, que passaram a funcionar em Serra Leoa e no Rio de Janeiro.
                                             ....................
"Quando tive a honra de ser nomeado, por Sua Magestade Fidelissima, Membro da Commissão-Mixta em Serra-Leôa (Africa) hum meu íntimo Amigo ordenou-me que lhe desse d'aquelle Paiz noticias que interessassem, o que cumprí misturando-as com outras familiares. Tive a fortuna de escapar aos horriveis males daquella terra e cheguei felizmente à minha. Aqui tendo a ventura de encontrar o meu fiel Amigo, e outras pessoas da minha amizade, aconselhárão-me que redigisse das Cartas as noticias Africanas, e que as aprezentasse ao Público, por julgalas dignas d'Elle, visto que podem dar alguma instrucção. Movido, pois, de suas instancias, cumpro com seus dezejos, e accrescento (visto a opportunidade) os trabalhos daquella Commissão em quanto eu tive a honra de lhe pertencer."
(excerto do prólogo)
Joaquim Cesar de Figaniére e Morão (Lisboa, 1798- Brooklin, New York, EUA, 1866). “Filho de Cesar Henrique de la Figaniere, Capitão de mar e guerra que foi da armada real portuguesa e de D. Violante Rosa de Mourão. Foi ministro plenipotenciário de Portugal nos Estados Unidos. Inicialmente, exerceu as funções de cônsul-geral em Norfolk e adido da Legação portuguesa em Washington D.C. até 1823. Posteriormente, passou a ser cônsul-geral em Nova Iorque, entre 1824 e 1829. Ligado à causa liberal, foi nomeado agente da Regência Liberal e em 1834 foi designado encarregado de negócios nos Estados Unidos, cargo que ocupou até 1838. Nesse ano mudou-se para o Rio de Janeiro, igualmente como encarregado de negócios. O regresso à América aconteceu em 1840, quando foi designado ministro residente. Foi promovido a ministro plenipotenciário em 1854, tendo permanecido neste posto até à sua morte em 1866.”
(fonte: SÁ, Tiago Moreira de, História das Relações Portugal EUA (1776-2015), Lisboa, 2016)
Encadernação coeva em meia de pele com cantos, e com rótulo carmim e ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
120€

04 julho, 2017

CÔRTES-RODRIGUES, Armando - QUANDO O MAR GALGOU A TERRA : peça regional em três actos. Desenhos de Domingos Rebêlo. Toadas regionais de Licínio Costa. Ponta Delgada : Ilha de S. Miguel dos Açôres, Papelaria Ambar, 1940. In-8.º (18,5cm) de 117, [7] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem do autor "à memória de meu bisavô morto no mar e a meu pai que nasceu no mar".
Peça provada nos Estados Unidos da América do Norte: no Auditorum da Techical Hig School da cidade de Fall River, na noite de 6 de Novembro de 1938 e no Teatro Colonial da cidade de New-Bedford, na noite de 20 de Novembro do mesmo ano, com a seguinte colaboração de cena: Aninhas - Dona Ilda Stichini; Tio João do Braz - João Perry; Miguel - João Perry.
Rara edição original. Ilustrada com um desenho em página inteira, e uma partitura (toadas regionais para os três actos).
A partir desta peça, Henrique Campos realizou um filme (1954) que é uma das raras incursões etnográficas do cinema português no povo e costumes do arquipélago dos Açores. Realizador motivado pela paisagem, Henrique Campos rodou Quando o Mar Galgou a Terra no arquipélago dos Açores, com incidência para as Furnas, em São Miguel. Em causa, a obra de Armando Cortes Rodrigues - “o drama duma rapariga na defesa da sua honra”, esmaltado pelo “amor dos pobres à terra e ao trabalho”. Assim expunha publicitariamente a produtora Filmes Albuquerque. Não ficaram de fora os testemunhos documentais, com realce para a Procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Bravura, exaltação. O mar, a terra; um homem e uma mulher. Campos logra uma dimensão épica instilada no conflito regional - cujo simbolismo esbate, no entanto, quer a conflitualidade inerente à estrutura comunitária, quer a espectacular imponência configurada pela Ilha Verde. Victor Bonjour elaborou o fundo musical, com excertos - caso raro no cinema português da época - de R. Wagner e A. Tchaikovski. O Grupo Coral do Colégio de São Francisco Xavier (Ponta Delgada) entoou as melodias religiosas; com intervenção instrumental por Francisco Sabino, Bento Lima; e cantares folclóricos de Carreiro da Costa e António de Aguiar. A crítica foi condescendente para este modesto sucesso popular.
(Fontes: http://cinecartaz.publico.pt/Filme/19635_quando-o-mar-galgou-a-terra; http://cvc.instituto-camoes.pt/cinema/longas/lon024.html)
Armando César Côrtes-Rodrigues (Vila Franca do Campo, 28 de Fevereiro de 1891 - Ponta Delgada, 14 de Outubro de 1971). "Foi um escritor, poeta, dramaturgo, cronista e etnólogo açoriano que se distinguiu pelos seus estudos de etnografia e em particular pela publicação de um Cancioneiro Geral dos Açores e de um Adagiário Popular Açoriano, obras de grande rigor e qualidade.
Armando César Cortes-Rodrigues nasceu em Vila Franca do Campo, filho do poeta António César Rodrigues, médico e co-fundador do Instituto de Vila Franca, ficando órfão de mãe ao nascer. Frequentou o Colégio Fisher e fez os seus estudos liceais em Ponta Delgada, demonstrando já nos seus tempos de adolescência inclinação para a escrita, sendo-lhe atribuída nos tempos de liceu a escrita de uma opereta. Concluído o ensino secundário partiu para Lisboa, onde se licenciou em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa (1910-1915), tendo, nessa altura, conhecido Fernando Pessoa e feito parte do grupo do Orpheu. Colaborou nos dois primeiros números da revista Orpheu com vários poemas, alguns dos quais assinados com o pseudónimo Violante de Cysneiros. Já nessa colaboração demonstra um modernismo moderado, que viria a abandonar quase completamente ao longo do seu percurso poético, cedendo à tradição de composição lírica e reflectindo na sua obra a sua açorianidade através de um classicismo poético de acentuada vertente humanista. Regressou aos Açores em 1917, dois anos após terminar o curso, ingressando na carreira docente liceal, trabalhando nos liceus de Ponta Delgada e Angra do Heroísmo (nesta última cidade apenas até se efectivar em Ponta Delgada). Apesar de radicado nos Açores, continuou a corresponder-se assiduamente com Fernando Pessoa, partilhando dos ideais da nova estética sem todavia os adoptar por inteiro. Dedica-se então ao estudo da etnografia açoriana, área em que se viria a destacar, e a uma poética de pendor religioso. Os seus estudos etnográficos, para os quais efectuou importantes recolhas, centraram-se na área literatura oral e popular açoriana, das cantigas populares e dos adágios. A sua obra etnográfica está entre o que de melhor nesta área foi produzido na língua portuguesa. Colabora nos periódicos A Águia, Orpheu, Exílio e, posteriormente, em Presença, Cadernos de Poesia, Portucale e Atlântico. Escreve crónicas e teatro, tendo a sua peça Quando o Mar Galgou a Terra sido adaptada para argumento de um bem sucedido filme português. Em 1953 ganhou o Prémio Antero de Quental com o livro Horto Fechado e Outros Poemas, obra em que evoca as suas raízes. Cortes-Rodrigues foi também um importante activista cultural, participando em múltiplas iniciativas e instituições. Foi um dos sócios fundadores do Instituto Cultural de Ponta Delgada, tendo dirigido a sua publicação, a revista Insulana. Armando Côrtes-Rodrigues afirmou-se como um dos maiores intelectuais açorianos do século XX, deixando uma obra cultural marcante. É recordado na toponímia de Ponta Delgada, cidade onde também existe um espaço de memória e de criação estética, a Morada da Escrita/Casa Armando Côrtes-Rodrigues, um equipamento cultural instalado na última casa onde o escritor habitou. Armando Côrtes-Rodrigues foi pai do também poeta Luís Filipe Côrtes-Rodrigues."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Dedictaória (não do autor) na página de ex-libris.
Raro.
Com interesse regional e etnográfico.
Indisponível

02 julho, 2017

LIMA, Marcelino - POR CAUSA DUM RAMALHETE. A caça da baleia - Um duelo de John Bull e Uncle Sam em águas portuguesas. Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1933. In-8.º (19cm) de 189, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com bonitos desenhos nas páginas de texto.
Obra composta de três textos: 1.º - Por causa dum ramalhete. Trata-se de uma novela histórica vertida por Marcelino Lima de um documento original redigido pelo protagonista da história - D. João de Almeida Portugal (1726-1802) - militar que, sob o comando do Conde de Lippe, participou na Guerra Fantástica - nome pelo qual ficou conhecida a participação de Portugal na Guerra dos Sete Anos (1756-1763). Tem por enredo, o amor proibido entre D. João de Almeida e uma moça da velha nobreza minhota. 2.º - À caça da baleia. Narrativa da caça à baleia, perigosa faina marítima que se desenrola ao largo da Ilha do Pico. Em rodapé, contém numerosas explicações sobre o rico vocabulário picuense que enriquece o texto - as suas expressões típicas e linguajar. 3.º - Um duelo de John Bull e Uncle Sam em águas portuguesas. Narrativa baseada em documentos coevos, do episódio naval ocorrido no Porto da Horta (Faial) entre o navio corsário americano General Armstrong e três navios de guerra da Royal Navy, que entenderam violar a neutralidade do porto português para capturar o veleiro yankee. Esta recontro causou centenas de baixas do lado inglês, e prenunciou o início do fim da guerra civil americana.
Marcelino de Almeida Lima (Horta, 1868 - Lisboa, 1961). “Foi um jornalista, romancista e historiógrafo açoriano, autor dos Anais do Município da Horta e de vasta bibliografia sobre a ilha do Faial. Marcelino Lima nasceu na cidade da Horta, onde frequentou a instrução primária, ingressando em 1879 no Liceu da Horta. Empregou-se como funcionário dos Correios e Telégrafos, atingindo o posto de chefe da Estação Telégrafo-Postal da Horta. Ingressou muito cedo nas lides jornalísticas, pois com apenas 17 anos de idade já dirigia, com Júlio Lacerda, o semanário literário da ilha do Faial intitulado O Bibliófilo. Dirigiu também, e foi redactor principal, da Revista Faialense, um semanário literário, e da segunda série do semanário literário e noticioso O Faialense (1899). Foi colaborador assíduo de múltiplos periódicos, com destaque para os jornais faialenses O Telégrafo, A Democracia, Correio da Horta e Arauto. Embora mantivesse activa colaboração na imprensa periódica, a partir de finais da década de 1920 passou a dedicar-se a estudos históricos e genealógicos, com especial incidência sobre as questões relacionadas com as famílias e a história faialense. Fixou-se em Lisboa a partir de 1927, dedicando-se então ao estudo da história faialense. Quando a Câmara Municipal da Horta resolveu elaborar os Anais do Município, um trabalho que andava em preparação há mais de meio século, resolveu, em sessão de 14 de Agosto de 1939, convidar Marcelino Lima para os redigir. Este aceitou o convite, conseguindo levar a termo, em 1943, a produção dos Anais, naquela que é a sua obra de maior vulto."
(fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
30€

25 junho, 2017

ESTUDOS FLAVIENSES - N.º 1. O CICLO DO NATAL NA REGIÃO FLAVIENSE. Chaves, Associação Cultural dos «Amigos de Chaves», 1963. In-4.º (23,5cm) de 55, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudos Flavienses, publicação não periódica, editada pela associação cultural «Amigos de Chaves» e dirigida, como determinam os Estatutos, pelo presidente da direcção, Francisco Gonçalves Carneiro. 
Revista dedicada à cultura transmontana, cujo 1.º número é dedicado ao Natal. Com a colaboração de conhecidas personalidades da região de Chaves, incluindo ainda textos de ilustres flavienses do passado. Ilustrada com bonitos desenhos e gravuras no texto.
Na capa: Varandas do Arrebalde - desenho de Nadir Afonso.
Sumário:
F. Gonçalves Carneiro - Apontamento folclórico; - O Regresso do Menino Jesus. João da Ribeira - Um olhar sobre o passado. António Granjo - A minha consoada. Heitor Morais da Silva - Autos do Natal em Casas de Monforte. Adolfo Magalhães - Gastronomia do Natal; - Noite de Reis. Fernão Lopes - O cerco de Chaves. Montalvão Machado - Noite à lareira... com o Capitão Vila Frade. Jesus Taboada - Folclore Verinense. Luís Chaves - A recordar se vai a vida. Sousa Costa - Natais em Trás-os-Montes.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Carimbo oleográfico na capa frontal.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e etnográfico.
25€

18 junho, 2017

NIEUPOORT - USOS E COSTUMES DOS ROMANOS. Por... Versão feita sobre o original latino, acompanhada de notas e da trucção dos termos gregos por Manuel Bernardes Branco. Lisboa, Editor - José Rodrigues, 1865. In-8.º (16,5cm) de [2], 395, [1], XII p. ; E.
1.ª edição.
Tratado sobre a organização civil, política e militar dos romanos, e sobre os seus hábitos, costumes e rituais. Originalmente publicado em latim, na Holanda, em 1712, passou por numerosas edições até 1802, sendo justamente considerada uma das mais completas obras que sobre este tema se publicou. A presente edição de Usos e costumes dos Romanos foi publicada entre nós em 1865, não tendo sido reeditada; a BNP tem recenseado um exemplar, e a Biblioteca da Marinha tem um outro (com data ed. incorrecta).
"Os gladiadores n'outro tempo eram d'entre os escravos, e dos que eram condemnados ou ao espectaculo, ou á espada; entre as quaes duas coisas ha esta differença, que os condemnados á espada deviam ser mortos dentro d'um anno; porém os condemnados aos espectaculos podiam ser livres depois de certo tempo. Havia ainda os que eram tomados d'entre os captivos, ou dados pelo imperador, ou comprados pelo lanista. Porém depois tambem homens livres pelejaram na arena, por dinheiro, ou por gosto de lutarem, e finalmente tambem homens nobres em obsequio ao principe chegaram a este ponto de indignidade, e o que mais é para surprehender, até mulheres foram accommettidas deste furor. E por um desgraçado desejo de novidade, até desejavam ver na praça lutarem anões: mas comtudo, todos foram tidos por infames. Os homens livres, que se vendiam a si proprios para a luta, eram chamados propriamente auctorati, e sua paga auctoramentum, ou gladiatorum. Estes auctorati davam juramento de que haviam de cumprir tudo, quando convinha a legitimos gladiadores cuja formula existe no cap. 117 de Pretonio Arbitrer: «Consentimos sermos queimados, presos, açoutados, e mortos a ferro; e a respeito de qualquer outra coisa que Eumolpo tenha ordenado, como legitimos gladiadores, entregamos reliogisissimamente os corpos e almas ao nosso senhor.»
Os gladiadores  differençavam-se pelas armas, e pelo modo de combater. Em poucas palavras explicaremos cada um d'este genero. Uns certos eram chamados Secutores, cujas armas eram um capacete, um escudo, e uma espada, ou maça de chumbo: e com estes a maior parte das vezes combatiam os Retiarios, os quaes pretendiam embaraçar os adversarios, attirando-lhes com uma rede, e matal-os com uma fisga, ou tridente: a estes, tendo-lhes sido atirada em vão a rede, emquanto a apanhavam fugindo pela arena, perseguiam os secutores, e d'aqui lhe provinha o nome. Os Threces tinham escudo redondo, ou em fórma de meia lua, e uma sica, ou harpen, que é uma espada curva; com as quaes, pouco mais, ou menos, eram ornados os Mirmillones, os quaes no capacete tinham a figura de um peixe: pelo que pelejando um Reciario com um Mirmillão, (pois estes pelejavam muitas vezes) cantava-se: «Não te procuro a ti: procuro o peixe: porque foges de mim ó gallo?» Os Samnitas, que depois foram chamados Hoplomachos, tinham escudos com enfeites de prata, um talabarte, ou tecido de feltro, a que Tito Livio chama spongia, cobertura para o peito, bota na perna esquerda, e, finalmente, um capacete com plumas, ou pennas. Os Essedarios pelejavam de cima de um carro, a que davam o nome de Essedum, á maneira dos Gaulezes e Britannos. [...]"
(excerto do Cap. V, Dos jogos dos romanos - Dos Gladiadores)
Willem Hendrik Nieupoort (c.1670-1723). Foi um jurista, historiador e professor holandês. Lecionou na Universidade de Utrecht, Holanda. Publicou Rituum romanorum explicatio (1712), - traduzida para o francês pelo abade Desfontaines (1741), e um Reipublicae Historia et imperii Romanorum ex Monumentis (1723). A primeira destas obras é considerada um "clássico" da bibliografia histórica sobre os Romanos.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Rubrica de posse na folha de guarda (em bco) e na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
30€

08 junho, 2017

AMICIS, Edmundo de - CONSTANTINOPLA. Com 200 illustrações de E. Ussi e C. Biseo. Traducção de Manuel Pinheiro Chagas. Lisboa, Companhia Nacional Editora, 1889. In-fólio (31cm) de 481, [3] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Bonita monografia sobre Istambul e o povo turco. Obra imponente, impressa em papel de superior qualidade, profusamente ilustrada com belíssimas gravuras no texto e em página inteira.
"Para se ver a população de Constantinopla é mister percorrer a ponte fluctuante, de um comprimento de cerca de um quarto de milha, que se estende desde a ponta mais avançada de Galata até á margem opposta do Corno Aureo, defronte da grande mesquita da sultana Validé. Ambas as margens são terra europeia; mas póde-se dizer que a ponte une a Europa á Asia, porque em Stambul não ha de europeu senão a terra, e têem côr e caracter asiatico até os poucos arrebaldes christãos que a cingem como uma corôa."
(excerto de, A Ponte)
"É uma grande surpreza para quem chega a Constantinopla, depois de ter ouvido fallar tanto na escravidão das mulheres turcas, vêr mulheres por tosa a parte e a todas as horas do dia, como em qualquer cidade européa. [...] A primeira impressão é curiosissima. O estrangeiro pergunta a si proprio, ao vêr todas as mulheres com aquelles véus brancos e aquellas longas capas de côr charlatanescas, se são mascaras, ou freiras, ou doidas; e como se não vê nem uma só acompanhada por um homem, parece que não devem pertencer a ninguem, que são todas ou viuvas ou solteiras, ou que pertencem todas a algum grande convento de «mal-casadas». [...]
É difficil definir a belleza da mulher turca. Posso dizer que quando n'ellas penso, vejo um rosto alvissimo, dois olhos neros, uma bôcca purpurea, e uma expressão de doçura. [...] A maior parte têem um bello contorno oval, um nariz um pouco arqueado, os labios grossos, o queixo redondo com a covinha; muitas têem tambem covinhas nas faces, um bello pescoço compridito e flexivel; e mãos pequenas, quasi sempre cobertas, que pena!" [...]
O que assombra ao principio é a maneira que ellas têem de olhar e de rir que auctorisaria qualquer juizo mais temerario."
(excerto de, As Turcas)
Índice:
- A chegada. - Cinco horas depois. - A Ponte. - Stambul. - No Corno Aureo. - O Grande Bazar. - A vida em Constantinopla. - Santa Sophia. - Dolma Bagcé. - As Turcas. - Ianghen-Var. - As muralhas. - O antigo Serralho. - Os ultimos dias. - Os Turcos. - O Bosphoro.
Edmundo De Amicis (1846-1908). “Foi um escritor e militar italiano. Frequentou a escola militar de Modena, saindo em 1865 como oficial. Em 1866 tomou parte da batalha de Custozza. Em 1867, dirigiu o diário La Itália Militare, de Florença. As suas obras, hoje traduzidas em muitas línguas, gozam de grande prestígio, sobretudo no seu país natal. A sua estreia literária deu-se em 1866, com o livro La Vita Militare."
(fonte: wikipédia)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a seco na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequenas manchas de oxidação e um ténue ondulado de humidade no canto inferior direito, visíveis apenas nas primeiras folhas.
Invulgar.
20€

12 maio, 2017

AMARAL, Abílio Mendes do - OS PASTORES DA SERRA DA ESTRELA : Etnografia - Foro - Privilégios - Transumância. Viseu, Separata da Revista «Beira Alta», 1970. In-8.º (22,5cm) de 44, [4] p. ; [5] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante monografia sobre o pastoreio e os pastores da Serra da Estrela. Ilustrada em extratexto com bonitas estampas a p.b. impressas sobre papel couché.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor ao Prof. Amorim Ferreira.
"Os nossos pastores tinham o privilégio de usar armas. Evidentemente, o cajado seria a sua primeira arma... e até talvez a única de qua agora se sirvam. Toda a gente conhece a significação desta frase corrente, a propósito de qualquer barulho ou alvoroço: «ele andava armado».
E assim, os pastores foram andando com os tempos, fazendo uso, dentro dos seus privilégios, das armas que os fabricantes iam aperfeiçoando e chegavam ao mercado. O arcabuz era arma de fogo e devia ser terrível no seu tempo. Os pastores foram autorizados a servir-se dele.
Naturalmente, sem preconceito ou esforço, em muitos aspectos da vida, toda a gente se mantém a la page. Por necessidade ou para não ser estorvilho dos outros. Nessa ordem de ideias, aí temos a espingarda de pederneira, mais rápida e mais cómoda (façam ideia!), por dispensar a corda ou o morrião.
Ao restabelecer-se a nossa independência, logo D. João IV manda passar o Alvará de 20 de Fevereiro de 1641, autorizando que os nossos pastores possam munir-se, além dos arcabuzes, das ditas espingardas de pederneira. E, para sua segurança, que os Oficiais de Justiça, Alcaides mores, Capitães mores lhes dêem todo o favor de que para isso tiverem necessidade." [Segue-se a reprodução do Alvará].
(excerto do Cap. IV, Armas para defesa e segurança)
MatériasI - Estruturação e Etnografia. II - Vida difícil da transumância mas amparada por magistratura privativa. III - As cortes e os reis concedem privilégios. IV - Armas para defesa e segurança. V - Pela Conservatória e Desembargo do Paço. VI - E tinham o seu alcaide. VII - Havia um Recebedor dos dinheiros pagos pelos sorianos vindos de Castela. VIII - Já D. Afonso V tomou sérias e duras providências. IX - As cartas régias eram publicadas nos povos sitos no caminho.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico, etnográfico e social.
indisponível

11 maio, 2017

VASCONCELLOS, D.or J. Leite de - FILOLOGIA BARRANQUENHA. Apontamentos para o seu estudo publicados pelo... Lisboa, Imprensa Nacional, 1955. In-4.º (23cm) de XVII, [1], 217, [1] p. ; B. História - Ciência - Arte : Colecção de estudos publicados pela Imprensa Nacional de Lisboa, V
1.ª edição.
Edição original deste importante trabalho filológico sobre Barrancos, vila raiana portuguesa do concelho de Beja.
"Barrancos, no Alentejo Baixo, está pôsto em sítio montuoso, e de constituição xistenta, a 300 ou 400 metros de distância da raia, tomada em linha recta; e o seu território, ou concelho de Barrancos, penetra na Hespanha, como uma cunha, que fica pois delimitada por território hespanhol ao Norte, Nascente e Sul, e tem de superfície 189,5 quilómetros quadrados. Do que resultam, naquele ponto, especiais relações sociais entre as duas nações vizinhas, e acção recíproca, maior, já se vê, da de lá na de cá, do que ao invés, atenta a pequenez e insulamento do nosso rincão."
(excerto do Cap. I, Informação geográfico-histórica)
José Leite de Vasconcellos Pereira de Melo (1858-1941). "Foi a maior autoridade do seu tempo, a nível nacional e internacional, nos domínios da Etnologia e Filologia. Nasceu em Ucanha (ao tempo vila de Ucanha, concelho de Mondim) no actual concelho de Tarouca, a 7 de Julho de 1858. Embora descendente da Casa Nobre de Resende, dificuldades económicas impediram a continuação dos estudos, após o ensino primário. Frequenta, no entanto, a biblioteca de um seu tio, adquirindo conhecimentos que lhe servirão para o seu posterior trabalho de etnólogo. Consegue emprego como amanuense, no Porto, e completa o curso do liceu. Forma-se, depois, em Medicina, na Escola Médica da mesma cidade com a tese A Evolução da Linguagem (1886). Dedica-se aos estudos etnográficos e funda a Revista Lusitana (1887), a revista O Arqueólogo Português (1895) e o Museu Nacional de Etnografia e Etnologia, instalado em dependências do Mosteiro do Jerónimos (1893), catalogando pessoalmente os 20 mil objectos que constituíam o espólio do museu. Aos 40 anos, fixa-se em Paris onde prepara o doutoramento em Filologia Românica que tem por título Esquisse d'une Dialectologie Portugaise, aprovada «avec la mention très honorable». Em 1887, é Conservador da Biblioteca Nacional. A sua obra fundamental – Etnografia Lusitana – é a história do Povo Português. Só começou a ser escrita aos 70 anos, tendo, até então, compilado todos os elementos que lhe serviram de suporte. Tem mais de trezentos títulos, alguns deles inéditos. Faleceu, em Lisboa, a 17 de Janeiro de 1941."
(fonte: www.quintadoterreiro.com/j-leite-de-vasconcelos)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

19 abril, 2017

LOURES NO TEMPO E NA MODA. Exposição etnográfica : 17 de Julho a 16 de Novembro 1992.  Realização dos textos do catálogo - Ana Paula Assunção, Francisco Sousa e Eugénia Correia. [Loures], Museu Municipal de Loures : Departamento Sócio-Cultural : Câmara Municipal de Loures, 1992. In-4.º (27x27cm) de 48 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Livro muito ilustrado com bonitos desenhos e fotogravuras.
"Fala-se da(s) moda(s) entre finais do século XIX (1870) e princípios do seguinte (1906), tendo presente todo o contexto de mudança que envolveu o indivíduo e a sociedade foi o pretexto para esta abordagem da Etnografia Local Saloia, pondo o acento no ritual da moda que embora apresentando traços próprios e tradicionais para os Saloios, não deixou, no entanto, de ser contaminada pelo contacto obrigatórios como o «outro» com quem se relacionou no espaço público ou privado, na oficina, no comércio, no campo, na cozinha, no salão ou teatro, ou na política. [...]
Para este tema - a procura da inovação é obrigatória - a História tinha de apresentar o diálogo da aproximação, o reflexo deste naquele, do laço na touca, do chapéu no barrete, do sapato na bota.
Espaços comuns mas também individuais e/ou privados.
Paralelamente, as Cidades vão-se afirmando; o município é o espaço onde o cidadão se identifica com o Poder; as estradas aproximam gentes e costumes, o comboio traz as notícias de Paris, a cultura, enfim, a moda."
(excerto de Considerações gerais)
Matérias:
I - Considerações gerais. II - A cidade e o campo - traços gerais de hábitos, memórias. Debaixo da Regeneração, a caminho do Capitalismo; A euforia da alta burguesia: uma história de hábitos; Memórias de Loures; O campo está na moda; A moda às mãos da modista, do alfaiate. III - Sobre o gosto e o trajar : os alfacinhas e os saloios. Fins do séc. XIX - Inícios do séc. XX. Sobre o trajo; Sobre a moda; Sobre a difusão dos gostos e da moda; Sobre os alfacinhas e os saloios - o seu trajar. IV - Modos de trajar na região saloia. Período de 1870 a 1906: Características gerais do trajo; Variações do trajo deste período; Descrição detalhada de alguns trajes: o testemunho da peça de vestuário e da fotografia.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€