06 outubro, 2019

QUEIROZ (Bento Moreno), Teixeira de -  A NOSSA GENTE. Por... Comedia do Campo (scenas do Minho). Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira (Livraria-editora), 1900. In-8.º (18,5cm) de [4], 248, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Colecção de pequenas novelas campestres de cunho naturalista.
Edição original do sexto volume da série «Comédia do Campo».
"Era adoravel no berço pela sua tranquillidade feliz: esse primeiro anno de existencia passou-o a mammar e a dormir, deixando de ammar para dormir, e interrnpendo o dormir só para mammar. Nos curtos intervallos d'estas occupações sérias mostrava pouca vivacidade de caracter: para tudo e para todos olhava com tal incomprehensão, que se julgou que fosse doente, ou de somenos intelligencia. Pouco mais do que a planta que vegéta apegada á terra, e que só estima terra que a nutre; pois o unico apego ou affeição manifestado n'este primeiro periodo de vida, foi pela ama, a Antonia, mulher do caseiro, e desdenhava os afagos da mãe verdadeira, preferindo-lhe os d'aquella que a sustenttava de leite. A boa creatura ufanava-se com isto e no intimo julgava-se com melhor parte na maternidade de Margarida do que a propria D. Claudina, que a déra á luz. Este ciume levou-a a dizer ao seu homem, que mais queria aquella menina que ao seu Zé, cuja creação entregara a uma irmã, para tomar conta da filha dos patrões, como estava assente e ajustado que fosse, mesmo antes dos dois partos."
(Excerto de Santa Margarida)
Indice:
Santa Margarida. | Pastoral. | Fogo do Céu. | Voltou. | Cresce o Mar. | O Gamarrão. | O Calvario do Amor.
Francisco Teixeira de Queiroz (Arcos de Valdevez, 1848 - Sintra, 1919). “Romancista e contista, Francisco Teixeira de Queirós licenciou-se em Medicina, tendo ocupado diversos cargos públicos, entre os quais o de deputado, de vereador da Câmara Municipal de Lisboa e de ministro dos Negócios Estrangeiros, neste caso em 1915. Chegou a ser presidente da Academia das Ciências de Lisboa. Fundou em 1880, com Magalhães Lima, Gomes Leal e outros, o jornal «O Século», tendo também colaborado nos periódicos «O Ocidente», «Revista de Portugal», «Revista Literária», «Arte & Vida», «Ilustração Portuguesa», «A Vanguarda» e «A Luta», entre outros. Em 1876, publicou o seu primeiro romance, «Amor Divino», com o pseudónimo de Bento Moreno, que viria a usar em outros livros. A sua vasta obra está repartida em dois grupos: «Comédia de Campo» e «Comédia Burguesa», imitando assim a «Comédie Humaine», de Balzac, um dos seus mentores. Durante cerca de 40 anos, reformulou o seu plano e a sua doutrinação literária sobre o romance, procurando incansavelmente aplicar o seu programa realista-naturalista de base científica. Cultivou uma escrita de feição realista, fazendo uma crítica constante à alta sociedade lisboeta, evidenciando os seus costumes, os seus modos de agir e de estar perante a sociedade portuguesa em geral. Em algumas das suas obras, por outro lado, retrata de uma forma carinhosa e saudosa os seus tempos de infância, vividos na quietude da sua terra natal.”
Encadernação do editor inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
40€

05 outubro, 2019

OLIVEIRA, Guedes d' - OS VENDILHÕES DO TEMPLO (ao Cardeal-Bispo do Porto). Porto, Typographia da Discussão, 1885. In-8.º (20cm) de 16 p.
1.ª edição.
Violento libelo anticlerical, em verso, dirigido a D. Américo Ferreira dos Santos Silva, Bispo do Porto e cardeal na época.

"Irmãos!
A alluvião invade os Vaticanos,
E o sol que nos dá luz ha tantos centos d'annos,
O bello sol radiante, o nosso anjo da guarda,
Vae a fugir além, pelo horisonte fóra,
Como um pardal fugindo ao chumbo da espingarda,
Ou com um devedor fugindo a uma penhora!
Tudo está pervertido: os santos e o milagre;
A agua benta é choca; o vinho está vinagre;
Com o caruncho, a cruz já não sustenta o Christo;
As bullas já não dão... nem tanto como isto,
E o cofre de S. Pedro, o cofre mais feliz,
Está esgotado já, - não tem uma de X!
É preciso luctar! Luctar para vencer
Tudo isso que ahi surge e que pretende erguer
As garras contra nós, - zombando, amaldiçoado,
De tudo quanto ha de pulha ou de sagrado,
Desde a Virgem Maria á horisontal mignone,
Desde a benção do papa á phrase de Cambronne!

Luctar, irmãos, luctar! E á luz ensanguentada,
Que surge de Gomorra e surge de Sodoma,
Cantemos a victoria ao bispo-Torquemada
Que viu a lua em Braga e viu o sol em Roma!"

(Excerto do poema)

Guedes de Oliveira (1865-1932). "Jornalista, escritor dramático, director da Escola de Belas – Artes do Porto, arquitecto, republicano. Desde os doze aos treze anos colaborou em jornais, fazendo as suas primeiras tentativas em folhas humorísticas e jornais operários, como a Rebeca do Diabo, de Lisboa, e na Voz do Operário e protesto, da mesma cidade, e em O Operário, do Porto, e em outras. Aos 15 anos era nomeado correspondente, no Porto, do velho jornal O Bejense, que representou nas grandes festas do tricentenário de Camões. Pouco depois publicava o seu primeiro livro de versos, com o título: Cáusticos, a que se seguiram vários panfletos, também em verso: Vendilhões do Templo, Os Cafres, e outros."
(Fonte: https://umolharsobreriotinto.wordpress.com/historia-de-rio-tinto/presenca-romana/toponimia/guedes-de-oliveira/)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação. Sem f. anterrosto.

Raro.
15€

04 outubro, 2019

FERREIRA, Carlos - OS ALLEMÃES NA BELGICA. A violação da neutralidade e dos direitos das gentes, segundo documentos officiaes. Notas d'uma testemunha presencial. Com uma carta do Ex.ᵐᵒ Sr. Ministro da Belgica em Lisboa. [Por]... Agente Commercial Official da Republica Portugueza em Bruxellas. Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1915. In-8.º (20,5cm) de 216 p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Grande Guerra. Impressões do autor, português residente na Bélgica, que viveu por dentro o flagelo dos primeiros meses do conflito - os abusos e arbitrariedades cometidas pelas forças de ocupação allemãs em território belga.
Obra oferecida pelo autor "a Sua Magestade Alberto I, Rei dos Belgas". Muito valorizada pela sua dedicatória autógrafa ao antigo camarada e amigo Couto Brandão.
"N'um dos ultimos dias de Fevereiro de 1915 sahi de Bruxellas. Haviam decorrido os sete mezes mais dolorosos dos meus 29 annos. Eu que tenho pela formosa capital uma adoração extranha, abandonei-a, carregado de doença, de aflicção e de pavôr. Nunca julguei dizer-lhe adeus n'um estado moral tão desgraçado! [...]
Chegado a Colonia, passava da meia noite, graças á astucia da espionagem, atiraram commigo para um calabouço immundo, sem luz e cheio de frio. Ahi passei oito horas, tendo por companheiro um masso de cigarros que me alimentou até recuperar a liberdade. O caso não foi virgem, pois eu já sabia quanto custa estar aferrolhado á ordem do Kaiser  [o autor refere-se à sua detenção em Liége, a 2 de Novembro de 1914]. [...]
Dias antes da minha partida, percorri a Belgica de 1915. De Liége a Mons e de Arlon a Gand verifiquei que o povo belga está fundido n'um só ente cheio de paciencia e resignação. Desappareceram as luctas politicas, as rivalidades e as rixas occasionadas pelas raças e interesses locaes.. Todos são unica e simplesmente «Belgas», victimas da Honra, do Dever e da Razão, arruinados e massacrados pela deslealdade e pela selvageria."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Carta do Ministro da Belgica em Lisboa]. | [Preâmbulo]. | I - Antes da guerra. | II - A neutralidade da Belgica. | Alberto I perante a nação. | IV - O livro «Gris» belga. | V - Violação do direito das gentes. 1.º Relatorio: Saque de Aerschot - Arredores de Aerschot - Schaffen - Rethy; 2.º Relatorio: Saque de Lovain - Arredores de Louvain e de Malines; 3.º Relatorio: Saque de Louvain - Saque de Visé. Arredores de Louvain, Malines e Vilvorde; 4.º Relatorio: Saque de Aerschot. Constatação de prejuizos; 5.º Relatorio: Saque de Aerschot e de Louvain. Informações complementares; 6.º Relatorio: Proclamações allemãs [XI proclamações e avisos]; 7.º Relatorio: Emprego de balas explosivas. Maus tratos aos feridos e prisioneiros. Ataques ás ambulancias. Os civis obrigados a tomar parte nas operações e a marchar deante das tropas. Bombardeamentos; 8.º Relatorio: Destruições e massacres. Na provincia de Luxemburgo; 9.º Relatorio: Saque de Termonde; 10.º Relatorio: O que diz a Delegação da Commissão de Syndicancia com sede em Londres; 11.º Relatorio: Acontecimento de Namur. Saques e massacres de Tamines, Andeune, Dinant, Hastière, Hermeton e Surice; 12.º Relatorio: Historia dos acontecimentos na comuna de Warsage. | VI - Apontamentos para um relatorio. | VII - Finanças, commercio e industria. | Documentos. | Ultimas paginas.
Encadernação em tela com as capas coladas nas pastas.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com interesse histórico.
75€
Reservado

03 outubro, 2019

DOCUMENTOS DE MARTINA CAROLINA REBOLI DE BULHÕES MALDONADO, Ex-Directora e Professora  do Recolhimento de Nossa Senhora da Serra, em Nova Gôa (India). Concorrente ao premio NOBEL (Partes litteraria e paz e bem da humanidade). [Carta a Sua Magestade o rei Frederico Oscar da Suecia]. Lisboa, [s.n.], 1906. In-8.º (20cm) de [6], 95, [1] p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição.
Processo de concurso de Martina Maldonado ao Nobel, daquela que terá sido a primeira figura portuguesa a concorrer ao prémio, numa época em que esta distinção contava com pouquíssimas edições. Reproduz cartas de apreço e apoio à sua candidatura por inúmeras personalidades da sociedade civil e religiosa portuguesa, incluindo membros da família real. Contém a missiva dirigida pela candidata ao monarca sueco, Frederico Óscar, que não é mais que um resumo da sua vida adulta, contemplando os aspectos literários e religiosos, e de "utilidade à humanidade", procurando dessa forma justificar a pretensão ao prémio atribuído pela Academia Real das Ciências da Suécia.
Livro ilustrado com 4 fotogravuras separadas do texto.
"Venho hoje humildemente apresentar-me por esta forma a Vossa Magestade pedindo-lhe a sua benefica protecção para se dignar conceder-me o premio instituido pelo grande benemerito Nobel para galardoar o merito.
Como os meios me escaceassem, por revezes de fortuna, dediquei-me então ás lettras, a vêr se com ellas poderia conseguir espargir a Crença e o Bem, ainda que limitado."
(Excerto da Carta a Sua Magestade o rei Frederico Oscar da Suecia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa manchada. Contracapa apresenta pequena falha de papel no canto superior esquerdo.
Raro e muito curioso.
Com interesse histórico.
25€

02 outubro, 2019

FERNANDO PESSOA : O Fado e a Alma Portuguesa. Conceito e texto: Samuel Lopes. Produção executiva e selecção musical:  Rui Chen & Samuel Lopes. Ilustração: Miguel Seixas. [Lisboa], Warner Music Portugal, Lda., 2013. In-8.º (20cm) de 57, [1] p. ; [20] p  il. ; [1] CD-ROM ; E.
1.ª edição.
Belíssima edição bilingue (português/inglês), de grande esmero e apuro gráfico, impressa em papel de superior qualidade, ilustrada a cores. Inclui CD-ROM.
“Fernando Pessoa - O Fado e a Alma Portuguesa foi editado numa versão deluxe de CD+livro com 80 páginas em português e inglês com textos que contextualizam a poesia de Fernando Pessoa, os poemas cantados nas versões originais ou adaptadas com traduções para inglês assinadas por Richard Zenith (vencedor do prémio Pessoa 2012) e Alexis Levitin (vencedor do National Endowment for the Arts Translation Fellowship e do Fulbright Senior Lecturer Award), e, ainda, informação detalhada sobre cada um dos temas incluídos no alinhamento.
Em 2013 passaram 125 anos sobre o nascimento de Fernando Pessoa. Para celebrar essa data a Warner Music Portugal com o apoio da Casa Fernando Pessoa e Museu do Fado edita uma colectânea que sob o título “Fernando Pessoa – O Fado e a Alma Portuguesa” reúne um conjunto de poemas de Pessoa que ao longo dos anos foram gravados na voz de vários fadistas e alguns inéditos. O alinhamento do disco incluirá um total de 20 temas interpretados pelas gerações que se afirmaram no fado a partir da década de 1990.
Inicialmente a escolha incidiu sobre temas já editados e conhecidos do grande público de artistas como Camané, Mariza ou Ana Moura porém atendendo à dimensão da obra, os editores decidiram fazer mais do que uma simples recolha de repertório existente, e lançaram o desafio a vários artistas com reconhecido mérito destas novas gerações a gravarem novos temas exclusivos, desafio este que foi aceite com elevado entusiasmo. Os artistas que integram temas inéditos nesta obra são: Ana Laíns, Débora Rodrigues, Mafalda Arnauth, Ana Sofia Varela, Carminho e Ricardo Ribeiro, os três últimos com composição e produção de Diogo Clemente."
(Fonte: fnac)
"Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.
O fado, porém, não é alegre nem triste. É um episódio de intervalo. Formou-o a alma portuguesa quando não existia e desejava tudo sem ter força para o desejar.
As almas fortes atribuem tudo ao Destino; só os fracos confiam na vontade própria, porque ela não existe.
O fado é o cansaço da alma forte, o olhar de desprezo de Portugal ao Deus em que creu e também o abandonou.
No fado os Deuses regressam legítimos e longínquos. É esse o segredo sentido da figura de El-Rei D. Sebastião.
Fernando Pessoa"
(O Fado e a Alma Portuguesa)
"O Fado e a Alma Portuguesa, escrito por Fernando Pessoa em 1929 para o Diário de Notícias, é o mote que inspirou esta obra e originou a união destes dois grandes patrimónios da cultura portuguesa e da cidade de Lisboa: A poesia de Fernando Pessoa e o Fado.
Nesta edição é feita pela primeira vez uma compilação de fados e canções integralmente com poemas do autor. Apesar da poesia de Fernando Pessoa se cantar no fado desde os anos 70 do passado século, são as gerações que têm despontado desde 1990 que mais têm interpretado  poesia homónima e heterónima do multifacetado poeta, fazendo com que actualmente seja um dos poetas mais importantes e interpretados no fado.
O disco exponencia um fado de uma Lisboa contemporânea, muitas vezes retratada na poesia de Pessoa, cujos temas continuam a ser actuais e universais. É pois com naturalidade que a selecção de artistas tenha recaído sobre as grandes vozes das mais recentes gerações do fado, incluindo um total de 20 temas dos quais 6 inéditos."
(Excerto da Apresentação)
Índice:
O Fado e a Alma Portuguesa. | Índice. | Apresentação. | O Fado em Pessoa. | Os Fados e os Artistas. | Ficha técnica.
Encadernação do editor policromada com saqueta e CD-ROM.
Exemplar em bom estado de conservação.
Esgotado.
35€

01 outubro, 2019

OLIVEIRA, Fialho de - VOANDO COM O PAPA. Lisboa, Editorial Pórtico, 1967. In-8.º (20cm) de 63, [1] p. ; mto. il. ; B.
1.ª edição.
"Sois filhos de uma nobre Nação que tanto se distinguiu pelos serviços prestados à Igreja, abrindo os Caminhos do Mar aos seus intrépidos Missionários portadores do Evangelho de Cristo do Oriente e do Ocidente."
(Paulus PP. VI)
"Vivi seis horas com o Papa, a meia dúzia de metros, separado apenas por uma cortina. Voei de Roma para Monte Real e de Monte Real para Roma com Sua Santidade. Registei imagens difíceis de reproduzir. As palavras não traduzem tudo. Não existe mesmo para certas emoções da vida."
É com emoção que Fialho de Oliveira (n. 1933), jornalista do «Diário de Notícias», abre o livro, ponto de partida para a narrativa pormenorizada da viagem de Paulo VI a Fátima, em 1967, - a 1.ª de um Papa ao nosso país, - assinalando o cinquentenário das Aparições.
Esta foi uma viagem marcada pela polémica, dado o frio relacionamento entre Portugal e a Santa Sé, motivado pela visita do mesmo Papa, a Bombaim, em 1963, episódio visto pelo Estado Novo como o reconhecimento implícito do Vaticano pela anexação das possessões portuguesas pela União Indiana, em 1961, e que mereceu o mais veemente protesto do regime. No entanto, a deslocação papal revelou-se um sucesso - os serviços de propaganda do regime aproveitaram as celebrações e a presença do Papa entre nós com vantagem para a imagem exterior do país.
Bonita edição, por certo de curta tiragem, totalmente impressa sobre papel couché, profusamente ilustrada com fotografias a p.b. do Sumo Pontífice em viagem, descontraído, e na Cova da Iria, onde dirigiu as cerimónias. Contém ainda imagens do interior e exterior do Caravelle CS-TCC da TAP, e os retratos e testemunhos da tripulação da que transportou o Papa.
"Não consigo dormir. São duas horas e ainda há pouco acabei de telefonar a minha crónica para Lisboa. No quarto ao lado, Fernando Teixeira não se deitou sequer. Prepara o serviço para o seu jornal. Também ele, apesar de há 35 anos ter chegado aos jornais, sente que vai viver a reportagem que tantos sonharam mas que bem poucos vão ter oportunidade de realizar. Os nossos nomes figuram na lista dos privilegiados que acompanham o Papa na sua peregrinação à terra portuguesa da Cova da Iria.
Só ontem, quando no Vaticano quando me entregaram um minúsculo cartão amarelo com o meu nome e o número catorze, só ontem quando, na «Catholic Internacional Tours», recebi o bilhete para o voo charters da TAP Roma-Monte Real-Roma, tive a certeza que viajaria com o Papa."
(Excerto da narrativa)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e jornalístico.
50€

30 setembro, 2019

OLIVEIRA, José Osório de - O ROMANCE DE GARRETT. Pôrto, Livraria Tavares Martins, 1935. In-8.º (19cm) de 292, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Biografia romanceada do insigne vate português.
"É grande a agitação em casa do selador da Alfândega do Pôrto, António Bernardo da Silva. Êste homem austero e rigoroso deixou o emprêgo para acorrer ao chamamento da mulher, D. Ana Augusta de Almeida Leitão. Ao subir a rua do Calvário, o senhor António Bernardo nem corresponde aos cumprimentos respeitosos da vizinhança. A mulher está com as dores do parto, e o digno funcionário esquece a sua costumada solenidade. Ao chegar diante de casa, um prédio estreito e alto, olha para as janelas do primeiro andar com um vago temor. Entre essas janelas será um dia colocada uma lápide vistosa, comemorando esta data: 4 de Fevereiro de 1799."
(Excerto do Cap. I)
"Instala-se a família de António Bernardo numa casa da rua de São João, na cidade de Angra, onde dois irmãos do selador da Alfândega do Pôrto são dignatários da Sé. A êles se vem juntar o bispo de Angola, que pouco depois, a-pesar-da idade avançada, vai ao Rio-de-Janeiro onde está a Côrte. Protector da família, leva-o ao Brasil o desejo de obter do príncipe regente para o filho mais velho de António Bernardo o lugar do pai. Do Rio volta com a satisfação do que desejava para o sobrinho Alexandre, e mais com o encargo da diocese de Angra, que não pretendia."
(Excerto do Cap. II)
"João Baptista tem quási dezoito anos quando chega a Coimbra e se matricula  no curso jurídico. Aluga um quarto na rua do Borralho mas, espírito inquieto, todos os anos mudará de casa. [...]
Na cidade universitária definirá a sua personalidade, adoptando o nome de Garrett, mas por emquanto é ainda o jovem João Baptista."
(Excerto do Cap. III)
José Osório de Castro e Oliveira (1900-1964). "Ficcionista, poeta e crítico literário, filho de Ana de Castro Osório e Paulino de Oliveira, nasceu em Setúbal e estreou-se aos dezassete anos, nas páginas de A Capital. Em 1919, seguiu para Moçambique a exercer funções públicas e, logo em 1922, publicou o seu primeiro ensaio sobre Oliveira Martins e Eça de Queirós. Estanciou várias vezes no Brasil, Cabo Verde e África ocidental portuguesa como editor e funcionário do Ministério das Colónias. Tornou-se, desde os anos trinta, um dos maiores divulgadores da literatura cabo-verdiana e defensor da aproximação literária entre Portugal e o Brasil."
(Fonte: http://acpc.bnportugal.gov.pt/colecoes_autores/n24_oliveira_jose_osorio.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas plastificadas. Rubrica de posse na f. anterrosto.
Invulgar.
15€

29 setembro, 2019

KEYNES, J. H. - AS CONSEQUENCIAS ECONOMICAS DA PAZ. Por... Professor da Universidade de Cambridge. Lisboa, Tipografia Manuel A. Pacheco, 1921. In-8.º (21,5cm) de 34, [2] p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
"As Consequências Económicas da Paz (em inglês: The Economic Consequences of the Peace) é uma obra de John Maynard Keynes escrita e publicada em 1919, [em Portugal, 1921]. Keynes participou da Conferência de Paz de Paris (1919) como representante do Tesouro britânico e foi defensor duma paz muito mais generosa. O livro teve um grande sucesso em todo o mundo e foi fundamental para criar a opinião geral de que o Tratado de Versalhes (1919) estabelecia condições rapaces para os derrotados. Ajudou a consolidar a opinião pública americana contra o Tratado e o envolvimento na Sociedade das Nações. A percepção, por sua vez, por grande parte do público britânico de que a Alemanha tinha sido tratada injustamente foi um factor crucial no apoio público à política de apaziguamento de antes da II Guerra Mundial. O sucesso do livro estabeleceu a reputação de Keynes como um dos principais economistas, especialmente à esquerda. Quando participou como elemento chave no estabelecimento do sistema de Bretton Woods em 1944, Keynes teve presente as lições de Versalhes, bem como as da Grande Depressão. O Plano Marshall após a II Guerra Mundial é um sistema semelhante ao proposto por Keynes em As Consequências Económicas da Paz."
(Fonte: wikipédia)
"A paz que impuzemos ao inimigo, pode encarar-se sob dois aspectos: o da justiça e o da conveniencia e utilidade. A minha attenção concentrou-se  principalmente no ultimo ponto de vista. Mas, nem por isso o primeiro aspecto deixa de suscitar em mim considerações, que julgo do meu dever analysar cuidadosamente.
As condições, dictadas ao inimigo, foram justificadamente baseadas nas responsabilidades, que elle teve no desencadear da horrivel calamidade, que foi a guerra, e nos acordos que precederam o armisticio. [...]
As provas, que nos foram apresentadas o anno passado, convenceram-me de que a guerra foi pensadamente provocada pelos dirigentes da Allemanha, nas semanas que precederam o mez de agosto de 1914, com o proposito de a fazer rebentar n'um determinado momento. [...]
Mas, para garantia da paz, era dever nosso olhar mais para o futuro do que para o passado, e distinguir entre os governantes, que até á data tinham dirigido os destinos da Allemanha, e o povo, a nova geração do futuro. Se assim tivessemos procedido, teria predominado a generosidade e a elevação de espirito, e não o instincto de vingança e de odio."
(Excerto do Cap. I, A justiça da paz)
Matérias:
Introdução. | I - A justiça da paz. | II - O tratado e a honra. | III - As condições do armisticio. | IV - O enigmatico Wilson. | V - Será o tratado conveniente? | VI - A Europa Central abalada. | VII - Carvão. | VIII - Ferro. | IX - Indemnisações. | X - O cheque em branco. | XI - A avalanche da divida. | XII - A capacidade de pagamento da Allemanha. | XIII - O commercio de exportação da Allemanha. | XIV - Um tratado morto. | XV - A situação da America. | XVI - Remedios. | XVII - O futuro. | Appendice - Resumo do Capitulo III das Consequencias Economicas da Paz. A Conferencia. | Os quatorze pontos. | Discurso do Presidente Wilson ao Congresso em 11 de Fevereiro. | Artigo 297.º do Tratado de Paz : Annexo.
Exemplar em brochura bem conservado. Rasgão na última folha (contracapa), sem perda papel.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
25€
Reservado

28 setembro, 2019

ARAUJO, Luiz de - CONTOS E HISTORIAS. De... Dedicados a Sua Magestade El-Rei o Senhor Dom Fernando. Lisboa, Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, Impressor da Casa Real, 1871. In-8.º (17,5cm) de [8], 215, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de contos, em número de 30, sobre usos e costumes referentes na sua maior parte a Lisboa.
"Publicando este volume dos meus contos, Historias e narrativas portuguezas, levo em mira uma só ambição: mostrar que o estudo investigador das scenas e dos costumes populares é o melhor meio de poderem reproduzir-se os usos, a indole, o progresso, e as feições typicas de quasquer povos; o que, a meu vêr, não é desserviço feito á historia caracteristica da feição e vida popular dos mesmos povos."
(Prologo)
Luís António de Araújo (1833-1908). "Jornalista e funcionário do Ministério das Obras Públicas, grande observador do quotidiano, colaborou em vários periódicos, escreveu diversas comédias e até manteve um almanaque humorístico com o seu nome. Quem actualmente procurar as obras de Luís de Araújo, deparar-se-á imediatamente com os Contos e Histórias (1871), especialmente por ter uma edição moderna (1984). Este livro é uma sucessão de frescos, em que os costumes oitocentistas são captados nos seus traços fundamentais."
(Fonte: armariumlibri.blogspot.com)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. As primeiras 22 páginas do livro foram deficientemente abertas, razão pela qual, se encontram mais "estreitas" que as restantes.
Raro.
30€

27 setembro, 2019

VITERBO, Sousa - INVENTORES PORTUGUESES. Segunda Série (obra póstuma). Propriedade e edição da família do autor. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1914. In-8.º (22,5cm) de [4], 38, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Dêste opúsculo, primitivamente publicado no volume 61.º do Instituto, se tiraram 50 exemplares em Separata, que não foram postos à venda.
Importante subsídio para a história dos inventores portugueses. Anteriormente, em 1902, foi publicada a 1.ª Série.
Obra organizada por ordem alfabética dos apelidos, Sousa Viterbo dá notícia dos inventores do seu conhecimento, incluindo uma breve nota biográfica e os respectivos "inventos".
"Teem aparecido há tempos entre nós bastantes individuos que pretendem ter inventado ou modificado para melhor diversos aparelhos e processos industriais e scientificos.
Inegavelmente nem todos possuirão a mesma competência, embora não lhes falte habilidade. O curioso é um produto indigena muito frequente e pena é que ele, em vez de dar melhor rumo à sua aptidão, a consuma em futilidades e bugigangas, ou em produtos que só se tornam recomendaveis pelos extremos duma paciência chineza. Convêm da mesma forma joeirar os ingenuos e os lunaticos, que ainda pensam na quadratura do círculo e no moto contínuo, e os charlatães, que procuram iludir a boa fé dos outros, envergonhando-nos aos olhos dos estrangeiros. [...]
Seguem-se alguns nomes de inventores que pude respigar na reduzida ceara das invenções."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado, por abrir, em razoável estado de conservação. Capas apresentam sinais de humidade no corte lateral e pequenas falhas de papel do mesmo local.
Raro.
20€

26 setembro, 2019

O COMETA DE HALLEY E O FIM DO MUNDO. Porto, Typographia da Empreza Litteraria e Typographica, 1910. In-8.º (15,5cm) de XV, [1], 32 p. ; B.
1.ª edição.
Publicação pseudo científica de propaganda algo alarmista.
Ilustrada com desenhos no texto.
"Notícias especulativas sobre o suposto efeito letal do gás da cauda do Cometa Halley causaram uma onda de pânico, por volta de 1910, que culminou com a morte de várias pessoas que, não querendo morrer "(es)gaseadas", preferiam suicidar-se. [...] Houve tentativas de explicar que, mesmo ao aproximar-se mais da Terra - na noite de 18 para 19 de Maio -, o cometa não envenenaria ninguém, mas o estrago estava feito. O que aconteceu a partir daí foi uma bola de neve de superstições, especulação e exploração comercial e religiosa."
(Fonte: https://www.jn.pt/sociedade/interior/halley-semeou-em-1910-onda-de-panico-global-1573023.html)
"No dia 19 de maio proximo, a causa do cometa de Halley ha de ser atravessada pela terra. Os espiritos começam a preocupar-se com o annunciado acontecimento, e se é certo que ha muito quem se ria dos perigos em que não acredita, tambem ha quem se funde em muito boas razões para receiar um cataclismo. 
Pela nossa parte, confessamos sinceramente, e desde já, que pertencemos a este ultimo numero. Nas paginas que vão seguir-se a esta rapida introducção, encontrarão os leitores vasta materia para satisfazer a sua curiosidade scientifica a respeito dos cometas em geral e em especial do cometa Halley. Aqui, é nossa intenção consignar umas leves considerações de ordem philosophica relativamente á possibilidade de se acabar o mundo no dia 19 de maio ou, pelo menos, de succederem tremendas desgraças, em razão da passagem do cometa."
(Excerto da Introducção)
Matérias:
Introducção. | Póde acabar o mundo? | Pode acabar a terra? | Pode acabar a vida na terra? | O perigo do Cometa. | Poderá o cometa influir nos actos humanos, de maneira a produzir tragedias, crimes, desgraças? | Qual deve ser a nossa attitude  d'aqui a até 19 de maio? | A ideia do fim do mundo é antiquissima. | Que são cometas - Cometas periodicos e não periodicos. | Encara-se a possibilidade de uma collisão entre a terra e um cometa - Alterações dos periodos e orbitas cometarias. | Catastrophes, mortes, guerras e outros acontecimentos de valor historico que coincidiram com o apparecimento de cometas - Effeitos meteorologicos da passagem d'estes astros. | O diluvio explicado pela influencia d'um cometa - O fim do mundo prophetisado e attribuido aos cometas. | Quaes serias as consequencias d'uma collisão entre terra e um cometa - A destruição do genero humano - Fim tragico da terra. | Duas palavras sobre aerolithos - Mais um argumento em favor da destruição da terra por um choque no espaço. | A morte natural da terra - O fim do mundo segundo uma outra opinião.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro e muito curioso.
Sem registo na BNP.
Indisponível

25 setembro, 2019

SILVA, Rebelo da - CONTOS E LENDAS. Edição revista pela de 1873. Porto, Livraria Civilização - Editora, 1970. In-8.º (16,5cm) de 296 p. ; B.
Reedição desta conhecida obra de Rebelo da Silva (1822-1871) - conhecido escritor, professor e homem público oitocentista -, muito valorizada pela belíssima capa da autoria de A. Bastos. Compilação póstuma de narrativas históricas, anteriormente publicadas em periódicos como O Panorama, O Cosmorama Literário, a Revista Universal Lisbonense e o Arquivo Universal. Na «Introdução» à colectânea, o autor apresenta a personagem do velho e solitário padre Vigário, a quem atribui a autoria dos contos que compõem o volume e que incluem o célebre «Última corrida de touros em Salvaterra», um dos mais famosos textos do Romantismo português.
"O monge começou assim a sua história:
No tempo em que os valis de Córdova tinham quase todo o reino sujeito, é que sucedeu o que vou contar. Estava o conde D. Henrique a entrar por dias, e com ele vinham boas lanças para o ajudarem a resgatar do poder dos infiéis as províncias de Portugal. A essa hora nos castelos da fronteira não se descansava de dias, nem de noite; ninguém despia as armas; e quer luzisse a manhã, quer cerrasse a tarde, o clarão das almenaras, ou o rebate das trombetas não consentia nem leve repouso aos defensores da verdadeira lei."
(Excerto de A Torre de Caim)
"O Senhor D. José, primeiro do nome, era em Salvaterra um rei em férias. A verdade é que os malditos notavam, em segredo, que Sua Magestade em Lisboa estava sempre ao torno e o marquês de Pombal no trono. O prolóquio fundava-se na habilidade mecânica do monarca como torneiro, e no carácter dominador do marquês como ministro.
Vicejavam os campos em plena Primavera. A amendoeira cobria-se de flores, os bosques emfolhavam-se, as veigas vestiam-se e matizavam-se, e a brisa doudejava indiscreta arregaçando o lenço à donzela que passava, ou roubando um beijo à rosa perfumada. Tudo eram alegrias e cânticos... os rouxinóis nas moutas, o coração nos amores, e a natureza nos sorrisos ao sol esplêndido que a dourava.
Uma tourada real chamara a corte a Salvaterra. Os fidalgos respiravam nestas ocasiões menos oprimidos. Não os assombrava tão de perto a privança do ministro. Os touros eram bravos, os cavaleiros destros, o anfiteatro pomposo, e o cortejo das damas adorável. O prazer ria na boca de todos. Por cúmulo de venturas o marquês de Pombal ficara em Lisboa, retido pelo conflito com o embaixador de Espanha."
(Excerto de Última corrida de touros em Salvaterra)
Contos e Lendas:
A Torre de Caim. | Última corrida de touros em Salvaterra. | Tomada de Ceuta: I. Em que todos falam e poucos se entendem; II. Nem preto nem branco; III. Armas e amores; IV. O reverendo abade de Alcobaça; V. Quem é o rei aqui?
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

24 setembro, 2019

SAGUER, Teophilo - MONARQUICOS E REPUBLICANOS. (Analise psico-social da familia portugueza apoz a aventura de Monsanto). Lisboa, [s. n - Composto e impresso no Centro Typographico Colonial, Lisboa], Fevereiro de 1919. In-8.º (21,5cm) de [2], 27, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Violento libelo anti-monárquico tendo como pano de fundo o fracassado movimento de Monsanto, que precedeu o final da Monarquia do Norte.
"É interessante uma análise psico-social à família portugueza, que, após 8 anos de República, novamente voltou a bater-se em duelo pelas suas convicções.
De um lado os monárquicos, de outro os republicanos. Os primeiros, defendendo 8 séculos de tradições; os segundos, a emancipação política e moral do povo que deseja caminhar.
Afinal quem nos fala verdade? Quem tem razão e direito? [...]
É indispensável saber que a significação das palavras é variável nem só no sentido em que se empregam, como no terreno em que se encontram, e são especialmente um poderoso e hábil elemento para dissimular o pensamento (hipocrisia) e para inverter a essência das leis.
Assim o teem confirmado muitos factos da história, e, entre êles, o célebre discurso do antigo chanceler prussiano Bismark, em 1888. Mascarando-se de pacifista, arrancou ao Reichstag a votação de 300 milhões de marcos para aumento dos exércitos, e últimamente, entre nós, Sidónio Pais, que, dizendo-se republicano, organizava dentro da República um Império. Império em que só havia uma vontade: a dêle.
Êste facto, pela gravidade das circunstâncias que reveste, impéle-me a sair um pouco da índole dêste pequeno e modesto trabalho.
Sidónio Pais, uma figura completamente apagada na política portuguesa, apesar de ter feito parte das constituintes e ter sobraçado pastas de ministro onde nunca se evidenciou com um facto que o distinguisse, lançou-se na revolução de 5 de Dezembro com o pretexto de não continuarmos a ir para França combater ao lado dos aliados. - Prova-o o facto de nunca mais ter partido nenhuma expedição, dando motivo, segundo as declarações do general Gomes da Costa, um dos comandantes das nossas forças no front, ao desastre de 9 de Abril."
(Excerto do texto)
Teófilo Saguer (1880-1954). "Filho de João Saguer Carbonell, natural de Peratallada, província de Girona (Catalunha) e de Francisca Antónia, filha ilegítima de João Alexandre Guerreiro Barradas, nasceu em Grândola em 1 de dezembro de 1880. Demonstrando, desde cedo, dotes musicais, assentou praça em Caçadores 5 e matriculou-se no Conservatório Nacional. Integrou a banda da Guarda Nacional, ingressou nas orquestras dos Teatros de São Carlos e da Trindade e, mais tarde, como trompista, nas orquestras sinfónicas de Lambertini, Blanch, Cardona e David de Sousa. Em 1912, casou com a violoncelista Adelaide Guerreiro Saguer e, nas palavras da filha Albertina Saguer, com ela viveu uma vida de perfeita comunhão de ideais, a par tocando, ensinando e escrevendo. 4 Em março de 1915 estreou-se como compositor no Teatro Politeama com o poema sinfónico Ode à Bélgica e, no mesmo ano, apresentou e dirigiu em São Carlos a Abertura Sinfónica. Quatro anos depois, tornou-se professor de Composição no Conservatório onde regeu as cadeiras de Ciências Musicais, Piano e Instrumentos de Sopro e Metal, atingindo o grau de professor de Alta-Composição. Dedicou-se ao estudo da musicologia e exerceu crítica musical publicando artigos em diversos jornais. Foi autor das seguintes obras: Monárquicos e Republicanos, Falemos da Guerra, A Entoação, A Anarquia dos Sons, Pedagogia Musical e A Radiotelefonia, para além de outras que deixou inéditas. Segundo sua filha, quando a doença o acometeu, veio despedir-se de Grândola, que entre todos os lugares da terra, ele, Teófilo, a conservou sempre no lugar que lhe cabia, e que para ele, seu filho distante e sempre presente, foi sempre o primeiro. Faleceu em Lisboa, em 1 de dezembro de 1954."
(Fonte: http://arquivo.cm-grandola.pt/_docs/Os%20Guerreiro%20Barradas%20e%20a%20M%C3%BAsica.pdf)

Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa apresenta mancha de humidade antiga à cabeça.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

23 setembro, 2019

RODRIGUES, Thomás - OS CRIMES DOS PADRES E A LUXÚRIA DAS FREIRAS. Pelo ex-capelão... (Ilustrado com sugestivas aguarelas). Os Devassos da Igreja. [Romance Sugestivo]. Lisboa : Rio de Janeiro, Empreza Literaria Universal, [1912?]. In-8.º (19cm) de 88, [2] p. ; [2] f. il. B.
1.ª edição.
Espécie de romance/ensaio contra o clero, mas sobretudo um violento libelo anti jesuíta.
Ilustrado com duas estampas separadas do texto.
"O presente trabalho não é um insulto á Igreja Católica, nem a nenhuma outra.
Respeitamos o pensar e as ideias de todos, desde o momento em que êste modo de pensar e estas ideias sejam consentáneas com a moral e com o dever.
Não queremos, porêm, deixar no silêncio sepulcral da tumba do esquecimento os abusos, a imoralidade e os crimes que os falsos ministros da Religião cometem, invocando o nome do Creador do Mundo, e de Jesus, e da própria religião que espesinham, em vez de defender, abusando da crèdulidade, da ignorância e da boa fé dos pobres crentes, obcecados pelo temor do Inferno, pelo receio do castigo de Deus e por mil outros temores que lhes metem na alma, desde criancinhas, em vez de os educarem mais cientificamente e com maior utilidade prática.
Os crimes cometidos pelos diversos padres da multiplices seitas que por esse mundo teem existido e ainda existem, havendo ainda países onde imperam como senhores das almas, das consciências, das vidas, e dos bens alheios. [...]
D'entre todas as seitas religiosas uma das mais numerosas, de maior e mais omnipotente poder e tambem de maiores roubos e maiores crimes tem sido indubitavelmente a dos jesuítas, chamada tambem Companhia de Jesus."
(Excerto da Introdução)
Indice: Introdução. | Parte Primeira - Sacerdotes e Sacerdotizas da Antigùídade. Egipto e Grécia. Parte Segunda - A Companhia de Jesus. Parte Terceira - A Inquisição. Seus crimes em nome da Religião. Parte Quarta - O crimes dos padres e principalmente dos jesuítas. - Em França. Parte Quinta - Em Espanha. Parte Sexta - Em Portugal. Parte Sétima - Luxúria das freiras. Parte Oitava - Mais crimes dos jesuítas. Violação e envenenamento de Sarah de Matos e outros crimes diversos.
Tomás Rodrigues. Pouco se sabe a respeito do autor, a não ser que utiliza a referência “ex-capelão”, e a existência de uma outra obra da sua lavra registada na Biblioteca Nacional com o título Os misterios da Inquisição : os crimes da egreja. Será o seu "nome" uma alusão ao cristão-novo Tomás Rodrigues que com a sua família morreu ás mãos da Inquisição portuguesa no séc. XVII? (v. «Razia de uma família inteira», http://www.arlindo-correia.com/021212.html)
Exemplar em razoável estado geral de conservação. Cansado. Capa frágil com defeitos; sem f. anterrosto; sem contracapa.
Raro.
45€

22 setembro, 2019

CARDOSO, Julio Arthur Lopes - HYPNOTISMO E SUGGESTÃO. Por... Medico e Professor. Lisboa, David Corazzi - Editor, 1888. In-8.º (17cm) de 64 p. (inc. capas). Col. Bibliotheca do Povo e das Escolas, 20.ª Série, Numero 157
1.ª edição.
"Hypnotismo e Suggestão: - tal é o interessantissimo assumpto que todos hoje discutem, que os proprios jornaes exploram largamente, e que modernamente veio dar um impulso enorme ás sciencias psychologicas e á medicina mental.
Nos tribunaes e nas academias procura-se determinar a responsabilidade criminal do hypnotizado, verdadeiro automato sem consciencia nem liberdade, obedecendo á vontade a só á vontade de quem lhe suggere a idéa do acto criminoso; a sciencia procura avidamente estabelecer de um modo positivo as condições physiologicas e pathologicas d'estes phenomenos tão extraordinarios; finalmente, nos theatros surgem a todos os momentos hypnotizados e hypnotizadores, deslumbrando o publico com as suas experiencias tão maravilhosas - como, até certo ponto, verdadeiras e sinceras. [...]
O assumpto é, com effeito, tão interessante, tão palpitante de actualidade, tão cheio de elementos imprevistos, que, acreditamos piamente, não pranteará o curioso leitor como perdido o tempo que gastar em ler o presente livrinho."
(Excerto da Introducção)
Indice:
Introducção. | I - O Magnetismo e o Hypnotismo no passado. II - Que é o Hypnotismo? III - Phenomenos geraes do Hypnotismo. IV - Suggestão. V - Suggestões no estado de vigilia. Dupla vista. VI - Fascinação. VII - Theoria do Hypnotismo. VIII - Applicação do Hypnotismo á cura das doenças. IX - Suggestão e criminalidade.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
20€

21 setembro, 2019

PORTELA, Fr. Marcos - CATECISMO DO CAMPONÊS. Tradução e prefácio de Viale Moutinho. Lisboa, Editorial Futura, 1975. In-8.º (16cm) de 40 + 41, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Primeira edição portuguesa deste curioso e original Catecismo do Labrego (bilíngue - português/galego).
"Frei Marcos da Portela puxa pela língua a um camponês e percorremos com um travo de humor amargo as páginas deste catecismo. A demonstração do homem sob os impérios infernais os denominados impostos, serviço militar, o poder central de Madrid, os esbirros locais, os tribunais, uns quantos profissionais de mas artes ou artes desviadas para malas partes, a ronha sacana dos caciques e seus mandatários, de braço dado com as pragas naturais, precipitando o homem do campo em estádios cada vez mais dolorosos da existência. A actualidade do Catecismo do Labrego poderia traduzir-se em números: editado pela primeira vez no jornal «O Tio Marcos da Portela», de Orense (Galiza), em língua vernácula, saiu em volume em 1888, e entre este ano e 1930, foi reeditado mais de vinte vezes, não contando com as reproduções totais ou parciais feitas através de jornais e revistas. Não sabemos se entre esse último ano e 67 a obra de Frei Marcos da Portela esteve proibida ou não, a verdade é que nos anos do pós-Guerra Civil que enlutou a Espanha o jugo imposto aos povos galego, catalão, basco e outros foi pesado e duro. As línguas vernáculas foram mesmo proscritas."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa vincada no canto inferior direito.
Invulgar.
15€

20 setembro, 2019

SEGURADO, Jorge - BOYTAC E A CAPELA DE NOSSA SENHORA DO PÓPULO. [Por]... Da Academia Nacional de Belas-Artes. Lisboa, [s.n.], 1977. In-4.º (28,5cm) de [4] p. ; [1] f. il. (15-18 pp) ; B.
1.ª edição independente.
Separata de Belas-Artes N.º 31.
Ilustrada extratexto com uma bonita estampa da capela impressa sobre papel couché.
"É na verdade uma sucinta comunicação que faço no intuito de contribuir para o esclarecimento da génese da Capela que a Rainha D. Leonor mandou erguer na notável instituição do Hospital das Caldas da Rainha. [...]
Havendo como há, bem patentes duas unidades de traças com díspares escalas, feições e até de espírito criador, é lógico deduzir-se que dois homens, duas distintas personalidades de artistas, aqui actuaram. O primeiro, naturalmente estabeleceu a traça do conjunto, nas duas fazes de trabalho, quer da planta quer de alçados e ainda, ergueu a Capela-mor como habitualmente se fazia ao iniciar-se a fábrica de uma igreja.
É de supor que esse primeiro mestre do serviço régio de D. João II tenha sido de facto, Mateus Fernandes... [...]
Na realidade, a obra do Hospital de D. Leonor iniciou-se em 1485. Dois anos depois já funcionava. E entretanto Mateus Fernandes em 1497 já está a dirigir as obras do Mosteiro da Batalha. Assim nas Caldas até o final da construção em 1500, alguém na ausência de Mateus Fernandes continuou a ordenar e a erguer o que faltava à capela de Nossa Senhora do Pópulo. Boytac deve ter sido esse alguém e até com autoridade de superintendência nas obras do Rei e completando o que faltava fazer: o corpo da nave e todos os acabamentos exteriores. [...]
Em conclusão: A Capela de Nossa Senhora do Pópulo foi obra, presumivelmente traçada pelo Mestre Mateus Fernandes, tendo tido interferência complementar de Diogo Boytac, patenteando o seu conjunto de personalidades, bem distintas dos dois mestres."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

19 setembro, 2019

RODRIGUES, Augusto - NA INDIA REVOLUCIONÁRIA. Lisboa, Casa Editora Nunes de Carvalho, [19--]. In-8.º (19,5cm) de 438 p. ; [8] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção principal decorre em Goa. Obra muito rara, acerca da qual não existem referências bibliográficas, incluindo na Biblioteca Nacional.
Livro ilustrado com capitulares e bonitos desenhos assinados por Silva e Souza assinalando o início e final de cada capítulo, e ainda oito belíssimas estampas impressas sobre papel couché intercaladas no texto.
"Encostadas á amurada do brigue «Senhora do Livramento», a baroneza de Pedronelo e Ermelinda contemplam com os olhos razos de lagrimas a linda paisagem de Lisbôa, da qual se afastam lentamente.
Ermelinda, limpando os olhos, diz numa voz repleta de saudade:
Não tornarei a vêr o meu querido Portugal!
Por detrás dela, uma voz masculina, responde-lhe:
- Quem poderá determinar o futuro?
As duas senhoras voltaram-se surpresas, e maior foi a admiração de Ermelinda ao deparar com a insinuante figura do senhor de S. Martinho."
(Excerto do Cap. VII, A caminho da India e do amôr).
Índice dos capitulos: I - O misterio da simpatia. II - A casa do misterio. III - Em carcere privado. IV - Nas garras do bandido. V - Emparedado vivo. VI - Preparativos de viagem. VII - A caminho da India e do amôr. VIII - Mãe e filho. IX - Para que serve um cadaver? X - Salvo! XI - A dama do veu negro. XII - Sepultura reveladora. XIII - Na cela de Ermelinda. XIV - O cinismo de Raul Castro. XV - Planos que falham. XVI - O sósia de Raul Castro. XVII - Entrevista. XVIII - O ciume. XIX - A hora tragica. XX - Um tiro. XXI - A grande infamia. XXII - Sinistra revelação. XXIII - Instante de horrôr. XXIV - O olhar de veludo. XXV - Compromisso forçado. XXVI - A obra do fogo. XXVII- A ameaça. XXVIII - Casanova desconfia. XXIX - O desejo carnal. XXX - Amor á força. XXXI - Mafoma tem vocação para a policia. XXXII - O ataque. XXXIII - Mafoma outra vez em campo. XXXIV - Surpreza. XXXV - Outra surpreza. XXXVI - O Segredo do cofre. XXXVII - O cavaleiro da Sombra. XXXVIII - Subtileza. XXXIX - Os conjurados. LX - A Miragem da Independencia. XLI - A caminho do templo. XLII - Ancia de liberdade. XLIII - A fuga. XLIV - Ante o perigo. XLV - Á merçê do sátiro. XLVI - Estranhas revelações. XLVII - O segredo do Kala-Xan. XLVIII - Os Deuses Vivos. XLIX - Pal-War, o sem mêdo. L - Uma paixão singular. LI - A paixão cresce. LII - Intervenção misteriosa. LIII - Raul de Castro e a sua sombra. LIV - A tragedia do barão. LV - Negocio urgente. LVI - Onde Jania começa a ser derrotada. LVII - O reforço. LVIII - Por um triz. LIX - A vingança de Calir. LX - Gigantes e bruxas. LXI - A obra de Raul de Castro. LXII - Boa nova. LXIII - A Reconciliação. LXIV - Os alcaides de Faria.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado.
Muito raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

18 setembro, 2019

DISCURSO SOBRE OS ACONTECIMENTOS DO DIA 30 DE MAIO DE 1823. Lisboa, Na Typographia de J. F. M. de Campos, 1823. In-8.º (21cm) de 8 p.
1.ª edição.

Inflamado opúsculo anónimo de forte pendor absolutista, anti-liberal e maçónico, publicado na sequência da “Vila-Francada”, golpe de Estado ocorrido entre 27 de Maio e 3 de Junho de 1823, e que pôs fim à primeira experiência liberal em Portugal.
“Graças, Portuguezes, à benéfica providencia, com que o Altissimo nos singulariza e protege! […] A infame vergonhosa e desgraçada escravidão, a que hum bando de egoístas miseráveis, tão ignorantes como malvados e atrevidos tinha reduzido esta ínclita nação, fingindo querer regenera-la […] essa infame escravidão ou Rebellião Maçonica, de que resultou a separação do Brasil […] quando ella se preparava para reproduzir no meio de nós os últimos horrores da Revolução de França e nos tinha conduzido á borda do precipício, expirou e desappareceo, como e quando menos se esperava. […] Cessou, expirou esse tyrannico Imperio da impostura liberal, que por 3 annos tem flagellado a nossa desgraçada Nação com huma impudência e iniquidade apenas própria de Cannibais! Está patente que essa liberdade, e igualdade que nos promettião, he mil vezes mais insuportável do que esse monstruoso despotismo, que eles fingião e se gloriavão de vir destruir. […] Consolai-vos, Portugueses honrados, estaes livres do jugo desse bando de impostores Liberaes. Voltareis cedo á fruição de vossos Empregos e Bens, e não sereis mais excluidos d’elles, ou inhibidos de fazer fortuna, só pelo motivo de não terdes o vosso nome escripto na matricula de alguma Loja de Pedreiros Livres…”
(Excerto do texto)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação.
Raro.
20€

17 setembro, 2019

MONIZ, Dr. Egas - O PAPA JOÃO XXI. Lisboa, Casa Ventura Abrantes, 1930. In-4.º (26cm) de 23, [1] p. ; B. (Separata da revista Biblos. vol. VI, n.os 1-2, págs. 1-17)
1.ª edição independente.
Egas Moniz traça um interessante paralelismo entre Pedro Hispano (João XXI) e Santo António de Lisboa, seu contemporâneo, em conferência pronunciada no terceiro Jubileu da Academia das Ciências de Lisboa, a 9 de Dezembro de 1929.
Opúsculo muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Xavier da Costa.
"Conhecido no mundo da sciência medieval pelos nomes de Petrus Lusitanus, Petrus Hispanus, Petrus Hispanus Portugalensis, ou ainda Petrus Juliani, foi uma das grandes individualidades scientíficas do século XIII.
A sua obra é tão vasta, especialmente no campo médico e filosófico, que se tem discutido se, de feito, foi só um Petrus Hispanus que escreveu todos os valiosos tratados conhecidos, ou se houve nessa época outros portugueses ou hespanhóis, que usassem nomes similares, de invulgar envergadura scientífica, especializados respectivamente nos domínios da medicina ou nos arcanos e subtilezas da filosofia medieval, de sorte a produzir toda essa importante bibliografia que hoje admiramos. [...]
Façamos o esfôrço de nos trasladar ao século XIII, quando reinava em Portugal o rei Afonso III e a realeza, o clero e os grandes senhores se debatiam em contendas aceradas.
Portugal não se mantinha inactivo no campo da sciência; antes procurava acompanhar, por alguns dos seus filhos mais ilustres, o movimento que se desenhava no coração da Europa.
Duas altas figuras atravessam a scena da vida intelectual dêsse século. Uma, que a lenda ligou para sempre ao solo, aos costumes e às crenças populares, Santo António de Lisboa; outra, que, não tendo menos mérito, os portugueses deitaram ao mais condenável esquecimento, Pedro Julião, mais tarde Papa, sob o nome de João XXI."
(Excerto da conferência)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
30€
Reservado