07 setembro, 2017

CARDIA, Dr.ª Amélia - VISIONÁRIO : romance psicológico. Lisboa, Edição da Autora, 1932. In-8.º (19cm) de XII, 196 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com um retrato da autora em extratexto.
"«Ao escritor da hora presente», - deixei-o dito há muito - «incumbe orientar as vagas tumultuosas do pensamento incerto dos novos, empunhando o facho que deve iluminar a derrota a esses mareantes sem bússula.»
Penetrada desta convicção, jamais esqueço o cumprimento de tão sagrado dever em tudo quanto escrevo para ser interpretado: «Por aqui» - quer seja para entregar à publicidade, quer para ficar inédito entre a papelada dispersa, de poucos lida, que nehum valor taem a não ser a coerência das afirmações que nela se encontram com a norma prescrita pela voz da Realidade Espiritual que vem ditar a cada um de nós a lei da nossa peculiar actuação no mundo, norteando-nos pelo ideal do bem comum, no grupo social de que fazemos parte.
É assim que nos integramos harmonicamente no complexo dinamismo do Universo.
Quando, pelo exercício das faculdades superiores do nosso espírito - núcleo de forças de um potencial espantoso - atingimos o conhecimento da nossa telepatisação com a ambiência etérica do meio em que banham todos os seres, de contínuo atravessado pelas suas ideias, as suas sensações, as suas volições, é que nos apercebemos da reciprocidade das acções telepáticas, moderadoras acidentalmente da corrente de perpétuo movimento em que se revela a Vida. [...]
Resultou destas considerações a contextura do presente romance «VISIONÁRIO» personalidade de alma cândida e generosa que na perfeita integração do seu dever moral e cívico de homem, desenvolveu, mercê de circunstâncias imperiosas, tendências congénitas intelectuais e sensitivas que o divinisariam se tivesse vindo ao mundo em tempo próprio."
(excerto do prólogo) 
Amélia Cardia (Lisboa, 1855 - Lisboa, 1938). “Médica e escritora. Dedicou-se ao estudo dos clássicos e da filosofia, após o que se formou em Medicina com brilhantes classificações, tendo sido a primeira mulher licenciada em Medicina em Lisboa e a primeira mulher interna nos Hospitais Civis. Fundou uma casa de saúde na Estrela, que abandonou passados oito anos para se dedicar a estudos de filosofia e espiritismo. Pertenceu à Associação das Ciências Médicas e à Federação Espírita Portuguesa. Colaborou assiduamente em diversos jornais e revistas - Ilustração Portuguesa, O Século, Revista de Espiritismo, Diário de Notícias, etc. –, tendo dirigido O Mensageiro Espírita.”
(fonte: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990)
Exemplar brochado, em bom estado de conservação. Capas apresentam picos de acidez. Páginas levemente enrugadas no início do livro.

Invulgar.
Indisponível

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