CARDIA, Dr.ª Amélia - VISIONÁRIO : romance psicológico. Lisboa, Edição da Autora, 1932. In-8.º (19cm) de XII, 196 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com um retrato da autora em extratexto.
"«Ao
escritor da hora presente», - deixei-o dito há muito - «incumbe
orientar as vagas tumultuosas do pensamento incerto dos novos,
empunhando o facho que deve iluminar a derrota a esses mareantes sem
bússula.»
Penetrada
desta convicção, jamais esqueço o cumprimento de tão sagrado dever em
tudo quanto escrevo para ser interpretado: «Por aqui» - quer seja para
entregar à publicidade, quer para ficar inédito entre a papelada
dispersa, de poucos lida, que nehum valor taem a não ser a coerência das
afirmações que nela se encontram com a norma prescrita pela voz da
Realidade Espiritual que vem ditar a cada um de nós a lei da nossa
peculiar actuação no mundo, norteando-nos pelo ideal do bem comum, no
grupo social de que fazemos parte.
É assim que nos integramos harmonicamente no complexo dinamismo do Universo.
Quando,
pelo exercício das faculdades superiores do nosso espírito - núcleo de
forças de um potencial espantoso - atingimos o conhecimento da nossa
telepatisação com a ambiência etérica do meio em que banham todos os
seres, de contínuo atravessado pelas suas ideias, as suas sensações, as
suas volições, é que nos apercebemos da reciprocidade das acções
telepáticas, moderadoras acidentalmente da corrente de perpétuo
movimento em que se revela a Vida. [...]
Resultou
destas considerações a contextura do presente romance «VISIONÁRIO»
personalidade de alma cândida e generosa que na perfeita integração do
seu dever moral e cívico de homem, desenvolveu, mercê de circunstâncias
imperiosas, tendências congénitas intelectuais e sensitivas que o
divinisariam se tivesse vindo ao mundo em tempo próprio."
(excerto do prólogo)
Amélia Cardia
(Lisboa, 1855 - Lisboa, 1938). “Médica e escritora. Dedicou-se ao
estudo dos clássicos e da filosofia, após o que se formou em Medicina
com brilhantes classificações, tendo sido a primeira mulher licenciada
em Medicina em Lisboa e a primeira mulher interna nos Hospitais Civis.
Fundou uma casa de saúde na Estrela, que abandonou passados oito anos
para se dedicar a estudos de filosofia e espiritismo. Pertenceu à
Associação das Ciências Médicas e à Federação Espírita Portuguesa.
Colaborou assiduamente em diversos jornais e revistas - Ilustração Portuguesa, O Século, Revista de Espiritismo, Diário de Notícias, etc. –, tendo dirigido O Mensageiro Espírita.”
(fonte: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990)
Exemplar brochado, em bom estado de conservação. Capas apresentam picos de acidez. Páginas levemente enrugadas no início do livro.
Invulgar.
Indisponível

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