29 junho, 2017

O CORONEL BENTO ROMA (1884-1953) : homenagens e consagrações em 1954 e 1955. Prefácio do General Ferreira Martins. Lisboa, [s.n. - impresso nas oficinas gráficas da «Gazeta dos Caminhos de Ferro», Lisboa, [1955]. In-8.º (21,5cm) de [10], 234, [8] p. ; [30] p. il. ; B.
1.ª edição.
Muito ilustrada com fotogravuras em folhas separadas do texto.
Homenagem a Bento Roma, insigne militar português, que se distinguiu em combate, nas campanhas do sul de Angola, em 1915 e, mais tarde, a partir de 1917, em França, integrado no C.E.P.
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"Há indivíduos que a morte faz desaparecer, sem que, da sua efémera passagem por este mundo, fique qualquer rasto por onde se verifique que a sua existência não foi inteiramente inútil para a sociedade em que viveram. Outros há que, pelo contrário, deixaram vestígios fundos de que, em sua vida, longa ou curta, alguma coisa de útil fizeram em prol da Humanidade ou, pelo menos, da Pátria a que pertenceram.
Inclui-se neste último grupo o grande Português que em vida se chamou Bento Esteves Roma."
(excerto do prefácio)
"Bento Roma, que era o comandante da primeira companhia, quis ir comandar os seus serranos do Marão e compartilhar com eles dos perigos e das vicissitudes da luta nas trincheiras, desprezando as comodidades e a segurança do seu aboletamento à retaguarda.
Foi promovido no lugar de 2.º comandante do batalhão, onde revelou excepcionais qualidades de dirigente e condutor de soldados.
Ali, a ordem e a disciplina eram perfeitas, e nenhum subordinado deixava de cumprir os seus deveres perante a presença constante, rígida e austera do Capitão Bento Roma.
Entretanto, chega o 9 de Abril, e o bombardeamento de artilharia do adversário, que foi um dos mais intensos e devastadores da primeira Grande Guerra, desorganiza as comunicações e as ligações com o Comando da Brigada, deixando o 13 entregue aos seus próprios destinos.
O Capitão Bento Roma não esmorece: multiplicando-se em actividade, dispõe as tropas para o combate, e Ele próprio dá-nos o formidável exemplo de desprendimento pela vida, subindo ao parapeito, debaixo da chuva intensa de estilhaços de granada, no momento em que os soldados têm que deixar os entrincheiramentos para avançar, em terreno raso, ao encontro do inimigo.
A luta no Reduto de Lacouture é titânica, e aquele pequeno núcleo de portugueses, envolvidos pela avalanche germânica, resiste, durante 31 horas, ao apertado cerco, só se rendendo depois de esgotamento total das munições. É o maior exemplo de como os soldados portugueses sabem combater, quando têm chefes da têmpera de Bento Roma!
Parte para o cativeiro da Alemanha, de fronte erguida, e suporta, com estoicismo e dignidade, a fome e as misérias da vida do prisioneiro de guerra."
(excerto da alocução do Dr. Sá Vieira)
Índice:
Prefácio
I - Solenidades realizadas
a) Em Lisboa. B) Em Vila Real de Trás-os-Montes. C) Em Chaves. D) Em Angola. E) Em França.
II - Artigos comemorativos publicados na imprensa
Seguem-se 15 artigos.
III - Outras manifestações
De diversas personalidades civis, eclesiásticas e militares.
Bento Esteves Roma (1884-1953). “Natural de Chaves. Foi um militar português. Assentou praça, como voluntário, no Regimento de Cavalaria n.º 6, a 5 de Agosto de 1903 e, até 1906, tirou as preparatórias na Universidade de Coimbra e nas Escolas Politécnicas de Lisboa e do Porto. Frequentou a Escola do Exército, entre 1906 e 1909. Foi promovido a alferes, em 1909, atingindo o posto de coronel, em 1933. Depois de prestar serviço em várias unidades no continente, participou no combate às incursões monárquicas. Foi mobilizado para Angola em 1912, onde permaneceu até ao ano seguinte, tendo comandado o posto de Binde, no distrito de Benguela e posteriormente o de S. João do Pocolo. Em 1915, participou nas campanhas militares do sul de Angola. Regressou em 1916, sendo enviado a França para preparar a participação portuguesa na frente ocidental, junto das forças inglesas. Foi para a Flandres com o C.E.P., no qual se destacou por actos de bravura. Foi feito prisioneiro, na Batalha de La Lys, a 9 de Abril de 1918, e libertado depois do Armistício. Comandou a companhia portuguesa na parada da vitória no 14 de Julho, em Paris. No pós-guerra, organizou e instalou, em Tancos, a Escola de Instrutores de Infantaria, com o objectivo de preparar grupos de instrutores para as escolas de recrutas. Entre 1920 e 1923, foi governador dos distritos de Cubango, Lunda, que acumulou o com o de governador interino de Moxico. Foi neste período que consolidou a ocupação de todo o território, em operações militares, numa das quais foi ferido. A 5 de Fevereiro de 1922 foi feito Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Exerceu ainda o cargo de governador do distrito da Huíla, e, em 1930, ocupou o cargo de Governador-Geral de Angola de 31 de Março a 3 de Julho de 1930, pedindo nesta data a sua demissão. Em 1929, entrou ao serviço da Companhia de Moçambique onde prestou serviço até 1933, data em que regressa definitivamente a Portugal. A 5 de Outubro de 1932 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Império Colonial. É, então, nomeado sub-director do Instituto Feminino de Educação e Trabalho, actual Instituto de Odivelas, tendo ocupado o cargo até 1938. Em 1949, apoiou a candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República, fazendo parte da sua Comissão Central. Faleceu em Lisboa, a 23 de Dezembro de 1953."
(fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas ligeiramente manchadas; com defeitos.
Invulgar.
15€

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