27 maio, 2017

PALAVRAS CLARAS. Razões da intervenção militar de Portugal na guerra europeia. Relatório. Publicado no «Diário do Govêrno» n.º 9, 1.ª série : de 17 de Janeiro de 1917 - REPÚBLICA PORTUGUESA. Lisboa, Imprensa Nacional, 1917. In-4º (22cm) de 27, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo explicativo das razões, sob o ponto de vista do governo republicano, para a intervenção portuguesa na Grande Guerra.
"Em Janeiro de 1917, quando as primeiras tropas partiram para o teatro europeu, o governo da União Sagrada definiu os objectivos nacionais. Chamou-lhe Palavras Claras - razões da intervenção militar de Portugal na guerra europeia. Mais do que uma definição de objectivos de guerra, tratava-se de uma justificação nacional para a entrada de Portugal na guerra europeia. Dirigia-se a todos os portugueses, mas dirigia-se, sobretudo, aos soldados que partiam. E recordava "as razões supremas que levavam a Pátria a pedir o seu sacrifício e o seu heroísmo". A retórica heróica era necessária ao moral das tropas. Mas era igualmente necessária à procura de um consenso nacional, que nunca conseguiu."
(in http://www.ipri.pt/investigadores/artigo.php?idi=9&ida=526)
"Assinada a convenção entre Portugal e a Gran-Bretanha, para os efeitos da intervenção militar portuguesa na conflagração europeia; chegada a hora de partirem as nossas tropas para as linhas da frente ocidental, onde irão combater junto dos nossos antigos e liais aliados, encerra-se um período que na nossa situação internacional, em presença do grande conflito que se está desenrolando, podemos considerar decisivo. Êste facto, para sempre notável na história pátria, significa o termo lógico duma cadeia de acontecimentos que o tornavam inevitável, e é tambêm a resultante duma atitude que, assumida logo no princípio da guerra europeia, o povo português, firme e inalterávelmente manteve, aceitando, como lhe cumpria, todas as suas possíveis eventualidades.
O país, o mundo inteiro, sabem qual foi sempre essa atitude e conhecem êsses acontecimentos. O Govêrno Português nada ocultou à Nação, de que é representante..."
(excerto do Cap. I, O que diz o Govêrno da República...)
Matérias:
- O que diz o Govêrno da República aos homens de bem do seu país, e para que as suas palavras ecoem amanhã em todo o mundo civilizado.
- O Govêrno honrou todos os compromissos, inspirados nos interêsses da Nação.
- Esta guerra é fundamentalmente de alianças, e quási todas as nações nela envolvidas nada tem com a questão inicial do conflito.
- Recorda-se a História e verifica-se que o pacto internacional entre Portugal e a Inglaterra é o mais antigo.
- De 7 a 24 de Agosto de 1914 a Alemanha prepara contra nós o primeiro cobarde acto.
- O sangue de portugueses foi derramado sem que os alemães houvesses sido hostilizados. Factos eloqüentes.
- O ex-ministro alemão em Portugal deturpou a verdade: Portugal, ao contrário do que êle disse, nunca escondeu o seu apoio à Inglaterra.
- O combate de Naulila, o afundamento de navios portugueses e outras agressões germânicas.
- A utilização dos navios alemães foi um dever a que a situação económica de Portugal obrigou o Govêrno.
- Uma nota impertinente da Alemanha acusa de «singular quebra de direito» a requisição dos barcos boches.
- Como surgiu a declaração de guerra a Portugal e como a Alemanha procurou apresentar-se com ares de «vítima».
- As operações militares na África Oriental. A bravura tradicional da nossa marinha.
- A Inglaterra e o seu apoio financeiro a Portugal. Far-se hão tantos empréstimos quantos forem necessários.
- Uma saudação calorosa às tropas que vão partir. O Govêrno confia na intrepidez e no patriotismo do exército.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com manchas e pequenas falhas de papel. Assinatura de posse na capa.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

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