17 maio, 2017

MATTOSO, José - SEIA NA IDADE DAS TREVAS. [Seia], Edição da Câmara Municipal de Seia, 1987. In-8.º (21cm) de 23, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Conferência proferida no dia 4 de Abril de 1987 no Cine-Teatro Jardim integrada no Programa das Comemorações dos 850 Anos do 1º Foral de Seia (1136-1986/7).
"As origens de Seia perdem-se num tempo obscuro que nos aparece efectivamente repleto de lutas, de sangue e de morte.
Fora dos tempos de guerra, pouco ou nada sabemos. Mal podemos imaginar os começos desta vila senão como os de uma povoação onde os guerreiros determinavam quase em absoluto a vida colectiva. [...]
Reportemo-nos, antes de mais, à época da fundação do reino, ou meados do século XII, quando o fragor das armas começa a deslocar-se mais para sul, a seguir à conquista de Lisboa, em 1147. Os intensos combates que antes se concentravam em torno de Coimbra e obrigavam o monarca, antes príncipe, a rodear esta cidade de um aro de fortalezas que ele próprio mandou construir desde que aí se fixou, em 1131, transferiram-se então para a linha do Tejo. Durante algumas dezenas de anos, raramente atingiram a rectaguarda, uma vez que a agressividade de D. Afonso Henriques pouco descanso deixava às guarnições almóadas mais próximas da linha de fronteira. [...]
É muito provável que Seia fosse um lugar habitado desde tempos remotos. Assim nos persuade o facto de, no seu foral, Afonso Henriques lhe chamar civitas, o que sugere uma origem anterior à ocupação muçulmana. É possível que corresponda a uma das antigas paróquias suévicas que nessa época pertenciam à diocese de Viseu, quem sabe à de Osania. [...]
O lugar tinha, portanto, uma organização colectiva, muitos anos antes de ser sancionada pelo nosso primeiro rei, em 1136, no foral que esta vila hoje mesmo comemora. Este diploma confirma efectivamente a predominância do ambiente militar e a autonomia dos seus cavaleiros vilãos face ao poder senhorial, aqui exercido directamente pelo rei, ou pelo senhor da terra seu representante. [...] De facto, mencionam-se no foral as expedições de ataque, com o nome de fossado de Maio, a que todos os cavaleiros estavam obrigados a ir, assim como as operações de defesa, aqui chamadas de apelido, e que envolviam todos os habitantes, mesmo os peões. [...]
O foral sanciona, portanto, a autonomia do concelho. Esta, por sua vez, baseia-se na supremacia dos cavaleiros sobre toda a vida social da vila."
(excerto da conferência)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com os cadernos completos, no entanto, a numeração das páginas tem início na 3 (gralha?).
Invulgar.
Com interesse histórico e regional.
10€

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