07 abril, 2017

REGO, José Teixeira - NOVA TEORIA DO SACRIFÍCIO. Lisboa, Assírio & Alvim, 1989. In-8.º (22cm) de 203, [5] p. ; il. ; B.
Conjunto de ensaios histórico-filosóficos sobre Religião.
"Teixeira Rego (1881-1934) escreveu a sua nova teoria do sacrifício em fascículos entre 1912-1915 publicados como artigos na revista Águia. Três anos depois foram editados em livro na Renascença Portuguesa [cujo registo a BNP não possui]. Este trabalho foi levado a cabo na condição de autodidata com todos os riscos que isso comporta.
A sua teoria do sacrifício tenta contestar as teses do fervoroso portuense Roberto Guilherme Woodhouse (1828-1876) presidente da Associação Católica em 1872 que tentava adequar as teorias evolucionistas com o livro dos Génesis. Teixeira Rego serve-se das investigações que se tinham começado a desenvolver com a história comparada das religiões a partir do final século XIX. Ao ler os seus textos saltam imediatamente à vista a sua cultura e a abrangência de pontos de interesse, de curiosidade e de leituras. No caso que aqui nos atém, Teixeira Rego tenta aplicar ao texto genesíaco os novos conhecimentos da história comparada das religiões. A este nível considerámo-lo verdadeiramente inovador na medida em que conseguiu sair do panbabilonismo da exegese bíblica de então e espelhar o texto bíblico numa enorme variedade de tradições literárias e culturais que não apenas as do médio oriente antigo2 , contexto mais próximo (e normalmente até o único) a ser considerado quando se trata de aplicar os métodos histórico-críticos ao texto bíblico. A teoria do sacrifício de Teixeira Rego tenta compaginar os pontos comuns de várias tradições culturais e literárias. [...]
A sua grande tese, enquanto mitólogo e filósofo da história comparada das religiões, leva-o a considerar o mito apenas do ponto de vista fenomenológico enquanto repetição ritual de uma ação, «a reprodução mais ou menos alterada de um facto»."
(fonte: http://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/19008/1/A%20teoria%20do%20sacrif%C3%ADcio%20de%20Teixeira%20Rego%20revisitada.pdf)
"O rito do sacrifício, já de si singularíssimo, ainda apresenta de estranho o ser praticado por todos os povos, desde os tempos mais remotos até hoje. A causa, pois, que o determina deve ser universal, impressionante, terrível, para produzir tal duração e generalidade. As hipóteses tendentes a explicá-lo, embora algumas engenhosíssimas, com indiscutíveis verosimilhanças, tais as de Tyler, Robertson Smith e escola de Durkheim, têm o direito comum de justificarem o sacrifício em alguns povos somente, pois que não é de crer que as mesmas aproximações, mais ou menos remotas, mais ou menos subtis, fossem feitas em toda a parte; e, se se recorre à irradiação dessas ideias do povo ou povos que as pensaram para os restantes povos, não se vê em tais ideias suficiente importância e evidência para serem universalmente adoptadas com um cerimonial rigoroso e complexo, e acatadas com o máximo respeito."
(excerto do Cap. I, O problema do sacrifício)
José Augusto Ramalho Teixeira Rêgo (1881-1934). "Nascido em Matosinhos em 1881, conviveu desde jovem com algumas das mais importantes figuras do círculo intelectual portuense, tornando-se discípulo de Sampaio Bruno e aprofundando a sua predileção intelectual no âmbito das línguas orientais, da filosofia, da religião e dos temas da cultura geral em sentido lato. Diretor do jornal "O Debate" e membro da "Renascença Portuguesa", movimento cultural que despontara no Porto, estreitou laços de amizade com Leonardo Coimbra, de quem partiu o convite para exercer o magistério na recém-criada Faculdade de Letras do Porto. A sua entrada como Professor Contratado do 2.º Grupo (Filologia Românica), em 1919, rodeou-se de polémica nos meios académicos portugueses, uma vez que José Teixeira Rêgo apenas possuía os estudos liceais. Porém, essa questão foi facilmente resolvida com os argumentos de se tratar uma nomeação governamental e de se basear no critério legal do reconhecimento da idoneidade científica e cultural do candidato."
(fonte: sigarra.up.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta canto sup. dto vincado.
Invulgar.
Indisponível

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