23 dezembro, 2016

LOUREIRO, Carlos Gomes de Amorim - A HISTÓRIA DE UM NAVIO : o «Gil Eanes». Por... Lisboa, Gabinete de Estudos das Pescas, 1952 [na capa, 1956]. In-8.º (22cm) de 223, [7] p. ; [1] f. il. ; il. ; B. Col. Subsídios para a História dos Navios Portugueses
1.ª edição.
Importante monografia sobre o «Gil Eanes» (1916-1954) - navio apreendido aos alemães no contexto da 1.ª Guerra Mundial -, que serviu como transporte militar das forças do C.E.P. para França, tendo sido posteriormente utilizado como navio de assistência à frota de pesca longínqua nacional, o primeiro com este nome.
Ilustrado no texto com inúmeras fotogravuras do «Gil Eanes» e outros navios - lugres e navios motor - da frota bacalhoeira portuguesa.
Contém ainda no final do livro, em extratexto, impressa sobre papel couché, uma folha onde são reproduzidas as cores que o «Gil Eanes» usou na chaminé ao longo dos anos, de acordo com as circunstâncias protocolares - civis e militares.
"No dia 29 de Julho de 1914, entrava no porto de Lisboa, vindo de Hamburgo, via Porto e Setúbal, um pequeno navio alemão, completamente novo. Era o vapor «Lahneck», da praça de Bremen, que, na rota que lhe fora destinada, ia percorrendo escalas usuais pelos portos portugueses e se destinava ao porto alemão de Hamburgo. Realizava a sua segunda viagem.
Entrara no Tejo em viagem normal, mas o destino marcara-lhe já o seu termo. A normalidade ia ser alterada por um cataclismo.
Com efeito, a paz europeia, há muito ameaçada, estava comprometida. Os governos não puderam ou não souberam conservá-la e a guerra surdiu como consequência da sua política. A paz acabara na terra e no mar!
Tendo-se iniciado o conflito, nos últimos dias de Julho, os navios mercantes alemães receberam ordem do seu país para se recolherem aos portos neutros e conservarem-se fundeados mas, no entanto, precavidos.
A Alemanha não tinha, então, o domínio dos mares para poder oferecer protecção à sua navegação de comércio e não queria perder tão preciosa tonelagem. [...]
Em 24 de Fevereiro de 1916 - após ter correctamente preparada a situação com o decreto 2.229 de 23 do mesmo mês - publicou o decreto 2.236 que ordenava a requisição dos navios alemães. A medida era grave e acarretou consequências mais graves ainda.
Na manhã desse dia, representantes do governo, acompanhados de forças de marinha, dirigiram-se aos navios, comunicaram aos respectivos capitães a decisão tomada e notificaram-lhes que as tripulações deviam desembarcar. Tudo se passou sem violências nem resistências: mas os alemães tinham cumprido as instruções recebidas do seu país e as válvulas distribuidoras das máquinas de vapor - peças de dificílima substituição - foram todas deitadas ao mar, antes que as forças da marinha pudessem evitar o atentado. [...] Não contavam, porém, com a engenharia portuguesa...
Nos navios foi arvorada a bandeira portuguesa e, tal como os outros, a bandeira alemã foi arriada no «Lahneck» e substituída pela nossa. Tratava-se apenas duma requisição dos navios e a substituição devia ser temporária. Mas, com o desenrolar dos acontecimentos, ia tornar-se definitiva em breve. E não por culpa nossa...
Efectivamente, dias depois, em 9 de Março de 1916, a Alemanha declarava guerra a Portugal. O «Lahneck» não tornaria a sair com a bandeira com que entrara no Tejo!"
(excerto do Cap. I, Os acontecimentos)
Índice:
I - Os acontecimentos. O navio. Mudança de bandeira. Aprontamento dos navios. II - O «Gil Eanes». O cruzador auxiliar «Gil Eanes». Transportes de tropas. O «Gil Eanes» como transporte. 1.ª viagem. 2.ª viagem. 3.ª viagem. Interregno. 4.ª viagem. III - Fretado ao Ministério da Guerra. 1.ª viagem. 2.ª viagem. 3.ª viagem. 4.ª viagem. últimas viagens. IV - Início da exploração directa. Na carreira dos Açores. Fretamento do navio. Liquidação dos Transportes Marítimos. V - Regresso ao Ministério da Marinha. O périplo por África. Viagem ao Oriente. Viagem na costa. VI - Grande reparação do navio. Primeira viagem à Terra Nova. Primeira viagem à Guiné e a Angola. Viagem às ilhas. 2.ª viagem à Terra Nova. Em Lisboa. 3.ª viagem à Terra Nova. Acontecimentos diversos. Viagem ao Extremo-Oriente. Viagem à Inglaterra. Mais viagens. Assistência aos pescadores da Terra Nova. Outras comissões. 5.ª campanha na Terra Nova. Nova viagem à Terra Nova. Nova campanha no Árctico. Algum tempo no Tejo. Última campanha. Última viagem do transporte «Gil Eanes». Últimos dias do transporte de guerra. VII - Mudança de rumo. O «Gil Eanes» na assistência aos pescadores. A assistência. O fim do navio.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Discreta assinatura de posse na capa vfrontal.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

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