12 novembro, 2016

NORONHA, Eduardo de - O LÔBO DA REBOLEIRA. Por... I Volume [II Volume]. Pôrto, Livraria Civilização, 1938. 2 vols in-8.º peq. (14cm) de 227, [1] p. e 241, [3] p. ; B. Colecção Civilização : Série Amarela, 97, 98
1.ª edição.
Romance histórico. Biografia romanceada de António da Cunha Sousa Lobo (1785-1866), comerciante portuense, também conhecido por "Lobo da Reboleira", alcunha atribuída pelo facto de ter morado na Rua da Reboleira, na cidade do Porto.
"A nova que correra com insistência, e com iniludível fundamento, da expedição liberal, comandada pelo imperador D. Pedro IV, estar prestes a desembarcar, junto com as medidas militares extraordinárias tomadas pelo general Póvoas, na época, à frente das tropas do rei D. Miguel, no Pôrto, tinham tornado as ruas desertas, como se à guisa de um êxodo bíblico, tôda a população da cidade, que, em curto prazo mereceria a denominação de invicta, se escoasse por mar e por terra em caudalosa torrente.
A patrulha não encontrava viva alma durante os primeiros passos. Havia alguma coisa de simultâneamente grandioso e cómico neste grupo de cinco homens, fardados, armados, de aspecto marcial, quatro dos quais escoltavam aquele que transportava ao colo, junto dos botões do uniforme, um ser infantil, quási nu, a quem prodigalizava doces cainhos, traduzidos em imagens ingénuas, em voz forte, roufenha, quási gutural nalguns sons emitidos.
O arvorado ou anspeçada teve a noção exacta da realidade dos factos e gracejou:
- Louvado seja Deus! Se o coronel ou nosso capitão ou qualquer dos camaradas nos vissem neste preparo, estávamos arranjados. [...]
A patrulha dobrava agora a esquina duma rua. O soldado, transformado em ama sêca, de ouvido mais apurado ou mais atento, distinguiu ao longe o ruído de passos repercutindo nas pedras da calçada.
- Esperem aí, rapazes. - solicitou.
- Não podemos esperar; as cornetas cada vez ressoam com mais intimativa, parece que estão a tocar à carga!
- É só um instante.
A patrulha estacou.
As passadas aproximavam-se.
- Que demónio se te meteu na cabeça?
- Calem-se. Não abram bico.
Destacou-se dos camaradas, o da criança, e postou-se de emboscada perto da esquina. O sonoro andar de um transeunte descuidado acercava-se compassado, sincrónico. Então o da esculca com o ímpeto de um selvagem, a acometer um inimigo, avizinhou-se do desprevenido noctâmbulo, passou-lhe para os braços, suspendeu-lhe, por assim dizer, ao pescoço, entregou-lhe, o humano fardo, e recomendou-lhe:
- Tome lá. Leve-o para a Roda, que nós não temos tempo para isso."
(excerto do Cap. I, A orfã)
Exemplares brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, e pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
Indisponível

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