29 novembro, 2016

SIMÕES, Luiz José - 200 MILHAS A REMOS. Narrativa tragico-maritima publicada em folhetins no Diario de Noticias sobre o feito heroico do caça-minas "Augusto Castilho". Lisboa, Emprêsa Diario de Noticias, 1920. In-8.º (22,5cm) de 79, [3] p. ; il. ; B.
Capa e desenhos no interior de Francisco Valença.
1.ª edição independente.
Ilustrada com desenhos e fotogravuras nas paginas do texto.
Narrativa da tragédia do NRP Augusto de Castilho, caça-minas português afundado por um submarino alemão em pleno Atlântico, menos de um mês antes do final da 1.ª Guerra Mundial. Este episódio custou a vida ao seu comandante, Carvalho Araújo, e a outros membros da tripulação, que fizeram frente ao U 139, numa batalha desigual, para permitir que o San Miguel, navio mercante que comboiava, se pusesse a salvo do ataque. O relato é da autoria do maquinista do Augusto de Castilho, que tomou parte nos acontecimentos, e que também descreve a empresa aventurosa do salvamento dos sobreviventes deixados num bote à deriva pelos alemães.
“Pelas 6 horas da manhã, um submarino de enormes dimensões, conforme o relato dos sobreviventes, atacou o paquete: era o U-139, um cruzador-submarino armado com duas peças de 150 mm, cujo alcance era muito superior às do Augusto Castilho, tendo-se este colocado entre o paquete e o submarino apesar da sua manifesta inferioridade. Os sobreviventes, alguns deles feridos, embarcaram no salva-vidas e no bote do navio e conseguiram percorrer os cerca de 370 quilómetros que os separavam da ilha de São Miguel."
(fonte: www.publico.pt)
O Augusto Castilho era o antigo barco de pesca Elite, um dos melhores que no genero existiam na nossa praça. Magnificos porões, frigorificos, uma esplendida maquina triplice-expansão, e razoaveis alojamentos. Um belo dia, ei-lo sem as suas rêdes de arrasto, mais umas ligeiras alterações indispensaveis, colocada uma peça de 47mm na pôpa, e outra de 65mm á prôa, e aí temos o caça-minas Augusto Castilho. [...]
Iamos agora a 9 milhas, conforme as ordens que anteriormente haviamos recebido do comandante.
A nosso lado, pela amura de estibordo, navegava airosamente o S. Miguel que, com a sua preciosa carga e as duzentas e tantas vidas que conduzia, devia aproar a Ponta Delgada na manhã seguinte, com uma pequena paragem na Ilha de Santa Maria.
Nisto, lugubre, ameaçadoramente tragico, um tiro ressoou ao longe como um sinistro eco de morte! Eram 6 horas e 15 da manhã!
Logo as vozes dos homens de quarto bradam, correndo aos seus postos: - submarino pela pôpa! - e todos instintivamente se dirigem aos seus postos de combate numa ansia febril de se defenderem do terrivel inimigo que se aproxima emquanto a sineta de bordo alarma a guarnição de folga. Já na peça de ré o artilheiro de quarto dispara o primeiro tiro, alvejando o clarão de tiro produzido pelo tiro do inimigo, que se conserva fora do alcance da nossa pobre artilharia."
(excerto do Cap. II, Submarino pela pôpa)
Matérias:
Primeira parte - Luta de gigantes. I. A quarentena. II. Submarino pela pôpa. III. Vencidos! IV. C'est la guerre! Segunda parte - Diante da morte! I. Á mercê de Deus! II. Outra vez o monstro! III. Primeira noite. IV. Tempestade! V. Terra! Fumo! e.. Nada! VI. A sêde. Terceira parte - Salvos! I. Terra pela prôa! II. A Ponta do Arnel! III. A recepção! IV. A canhoneira Ibo. V. Em Ponta Delgada. VI. Fome! Peste! e Guerra! VII. Para a Patria!
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€

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