23 julho, 2016

CRUZ, Graça e - ALMAS TORTURADAS : contos simples. Porto, Livraria Figueirinhas (Editora), 1908. In-8.º (18cm) de [4], 79, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de três contos de teor francamente pessimista sobre o 'destino', dois deles, do género histórico, dada a época em que decorre a acção (primeiros anos do século XIX).
"No livro que vae ler-se, elaborado em algumas horas que a vida atrophiadora do jornalismo me deixou livres, eu não tive a pretensão, que seria ridicula, de apresentar um trabalho de vulto ou isento, sequer, de defeitos. Move-me tão somente o intuito de apresentar alguns quadros da vida real, revestindo-os de ligeira urdidura de molde a provocar no espirito do leitor o interesse pela leitura.
Dei ao meu trabalho o titulo de Almas Torturadas já que na convicção estou de que a vida não vale, na maioria dos casos, o sacrificio de viver, pois que ella constitue uma permanente tortura com ligeiras clareiras de supposta felicidade, que de facto não existe, por que no mundo só a Dôr é positiva.
É que a felicidade é uma utopia e só a Dôr e a Tortura são companheiras inseparaveis da existencia!
As paginas do meu livro são o reflexo d'essa Dôr, são a significação d'essa Tortura."
(excerto do prefácio)
"Margarida viera ao mundo envolta n'um sudario. Ao seu primeiro vagido responderam lagrimas da Dôr mais intensa, da innenarravel Dôr que mais póde ferir o coração humano e uma familia no que ella tem de mais caro. A mãe de Margarida, ao dar-lhe a vida, envolvera-a a aza negra da Morte.
Margarida era o primeiro fructo d'um enlace feliz, de um amor purissimo. Regada de lagrimas ao entrar na vida, devia estar-lhe reservada uma existencia dolorida, com pequenas clareiras em que a felicidade transparecesse, só para mais sentidos se tornarem os golpes fundos que a sua má estrella lhe reservasse...
Cada creatura é a portadora do seu destino. Perladas de lagrimas as faxas da primeira infancia de Margarida, de lagrimas seria constituida a sua vida. Não ha maneira de cortar a implacavel garra do destino, e muito mais quando persistentemente nos vigia cuidadosamente desde o berço ao tumulo. E Margarida não poderia fugir ao seu tragico destino."
(excerto do Cap. I, Orae por Margarida - a Martyr!..)
Contos:
- Voar... para o céo. - Orae por Margarida - a Martyr!... - O futuro commendador.
José Fernandes da Graça e Cruz (1866?-1916). “Mais conhecido como Graça e Cruz, foi um escritor, jornalista e militar português. Natural de Lamego. Exerceu como jornalista, tendo escrito em vários periódicos de Lisboa e do Porto, e sido sub-chefe da redação do jornal O Século. Em Lamego, fundou o periódico Voz Pública, e dirigiu o Democrata da Beira. Publicou, igualmente, vários livros [apesar de não existem referências ao seu nome na Biblioteca Nacional]. Participou na Revolta de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, como tesoureiro do comité revolucionário, possuindo, nessa altura, a patente de Primeiro-sargento. Faleceu em Lisboa, em 1926, com 60 anos de idade. Tinha o posto de Major.”
(fonte: wikipédia) 
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

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