18 abril, 2016

VIEIRA, Alves - DE ARTILHARIA 1 A CAXIAS. Sentido protesto de uma victima que a demagogia tratou como réu. Guimarães, Edição do Auctor, 1918. In-8.º (19cm) de 185, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Relato dos acontecimentos - "agitados e tormentosos dias" que tiveram início a 5 de Outubro de 1910, com a implantação da República, - por um religioso jesuíta do Colégio de Campolide, prisioneiro dos revolucionários.
"Em 5 d'Outubro de 1910, Lisboa presenceiava a dentro de seus muros um espectaculo jámais visto, e que pela novidade fez pulsar de jubilo e esperança mais de uma alma de patriota. A cidade como despertada de longo e pesadissimo lethargo, movimentava-se numa ancia febril, e das mãos «callejadas» das creanças e.. dos que nada fazem, cahiam alfim as gargalheiras da ominosa escravidão. Podia-se respirar livremente, agora. Raiara na rainha do Tejo a aurora brilhante da Republica, que no seu cofre inexhaurivel trazia riqueza, amor e felicidades para todos... e para mais alguem.
E era bello de ver, logo nas primeiras horas da manhã, as creanças em pé de guerra, trauteando o hymno redemptor e fitando de lagrimas nos olhos (o caso era triste!) um farrapo verde e encarnado, emquanto que os cidadãos de pé descalço, pouco teres e muito pouca vergonha, de carabina a tiracollo, pistola ou espada á cinta, se aventuravam por casas religiosas e companhias da Guarda Municipal á cata da infallivel recompensa.
Foi um delirio, aquella triumphal jornada.
Havia porém nos heroes, quando a multidão da Travessa da Palha e alfurmas similares os acclamava delirante, uns longes de sombra que inquietavam as potencias todas de terra e mar. O seu triumpho não fôra completo; o seu gozo fôra cerceiado pelos abutres: nas horas pavorosas e negras, quando a fuzilaria recrudescia innocente e inoffensiva, em obediencia ao programma de comedia que era a «sangrenta» revolução, vós podereis ver, de batina arregaçada, de olhar furibundo e tragico, uma legião de Jesuitas encaminhando as hostes monarchicas. Fôram elles, os terriveis Jesuitas, que puzeram em fuga, na rua Ferreira Borges, os heroes de mar e terra, que até «por esquecimento» deixaram alli duas peças de artilharia; elles, que montaram no Pateo do Thorel a artilharia de Queluz e armaram o braço «ás armas feito», de Paiva Couceiro; elles, que tomaram em plena Rotunda, a 3 metros dos heroes, duas peças d'estes; elles, que teriam abortado o movimento, se nessa hora não vem ordem do Quartel General para cessar fogo."
Matérias:
- Anteloquio. - Servindo de prologo. - A desforra. - Uma pergunta. - No nosso Colegio. - Em Artilharia 1. - Os meus companheiros. - Os nossos guardas. Como passavamos o tempo. - O tigre. Noite tragica. - Porque não fomos fuzilados. - As meretrizes no quartel. Attentado nefando de um heroe. - Fctos e considerações. - Ordinario, marche! - Em Caxias. - Em Caxias (continuação). - Confrontando. - Favores do Céu. - Bons amigos e maus inimigos. - Eis-nos livres!. - Appendice.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Mancha de humidade junto do corte inferior, visível nas primeiras folhas do livro.
Invulgar.
Indisponível

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