01 fevereiro, 2016

ALMEIDA, João de - EM PROL DO COMUM... Por... Lisboa, Depositaria: Parceria A. Maria Pereira, [1931]. In-8.º (19cm) de XXI, [1], 204, [2] p. ; E. Col. Ao Serviço do Império, IV
1.ª edição.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa de João de Almeida, o «herói dos Dembos».
Importantes reflexões políticas e militares sobre o estado do país e das colónias na aurora do Estado Novo.
"É este livro o quarto da série «Ao Serviço do Império» em que procuro definir os objectivos fundamentais da nacionalidade, vindos do alto - do alto duma grandeza que é a única que convém e a única que é digna de Portugal, no seu Passado historico e no Futuro que esse Passado determina. [...]
Os homens da minha geração, que em regra geral, que raras excepções honrosas confirmam, são valores negativos, cujo entendimento, espirito e mentalidade não alcançam um sentimento superior de amor pela terra, são no Exercito, como lhes chamou D. Carlos, os ganhões-fardados, são na vida civil os conselheiros balôfos, ardidos e bafientos - todos metidos no casulo incomensuravel do seu egoismo, existencias sem sangue, sem alma e sem virilidade! [...]
Criadores de um sistema de formulas convencionais que teem por fulcro a questão alimentar, organisadores das forças artificiais que as manteem, instalaram na sociedade portugueza essas instutuições de proveito proprio, mas que são um exemplo terrivel para os novos, o comodismo, a intriga e a cobardia.
São homens da minha geração por uma fatalidade do tempo - não são homens do meu sangue, nem do meu espirito, nem da minha raça, por graça de Deus!"
(excerto do prefácio)
Matérias:
Prafacio
Nota
Cap. I - No Campo Politico
I. Programa da Ditadura Nacional. II. Hontem e Hoje. III. Carta ao Sr. Presidente da Republica.
Cap. II - Da Defeza Nacional
I. Politica Internacional. II. O futuro conflito europeu. III. Defeza Nacional Reorganização do Exercito Portuguez.
Cap. III - Aspectos do Problema Colonial
I. A Defeza das Colonias de Portugal. II. O espirito da Raça na sua expansão Alem-Mar. III. O «Acto Colonial». IV. Uma entrevista sobre o Ressurgimento Colonial. V. Uma entrevista oportuna. VI. O nosso Imperio Colonial.
Cap. IV - A Questão Iberica
I. Duas raças, dois caracteres, dois países. II. As relações luso-espanholas. III. A Visão do Crente.
Cap. V - Algarve de Alem-Mar
I. Glorias passadas. II. A Espanha entregará Marrocos á S. D. N.?
João de Almeida (1873-1953). “Nasceu no lugar de Cairrão, freguesia de Vila Garcia, no distrito da Guarda, no dia 5 de Outubro de 1873, e faleceu em Lisboa, no 5 de Maio de 1953. Frequentou a Escola do Exército, da qual saiu com o posto de alferes, em 1896. Em 1901, já como tenente, tirou o bacharelato em Matemática e em Filosofia na Universidade de Coimbra. No ano de 1903, concluiu o curso de Estado Maior. Em 1906, partiu para Angola. No ano seguinte, distinguiu-se nas campanhas do Cuamato. Os sucessos alcançados na campanha contra os Dembos, no norte de Angola (1907), fizeram que passasse a ser popularmente conhecido como “herói dos Dembos”, por ter pacificado esse povo em Angola durante as Campanhas de África, tendo contribuído também para a pacificação da região de Huíla, cidade onde desempenhou as funções de governador interino, reforçando a acção administrativa da província. Por motivos de doença grave, regressou a Lisboa no ano de 1908. No ano seguinte, já curado, volta para Angola, assumindo o cargo de governador de Huíla, tendo conseguido fixar a fronteira sul de todo o território angolano, numa acção militar e de administração verdadeiramente notável. Em simultâneo, realizou levantamentos geográficos regionais. Por ser fiel à Monarquia, em 1912, dois anos após a implantação da República, foi demitido do exército, exilando-se em Paris, onde se licenciou em Engenharia Civil, na Ecole du Genie Civil. No entanto, em 1918, voltou a ser readmitido. No ano de 1919, então com o posto de Coronel e Comandante militar da região de Aveiro, João de Almeida envolveu-se na Monarquia do Norte ao lado de Paiva Couceiro. Após o fracasso dessa tentativa de reimplantar a Monarquia, teve ordem de prisão mas o comissário encarregado da sua detenção, Salvador do Nascimento, permitiu a sua fuga pois ele próprio tinha sido preso político durante a ditadura de João Franco por conspirar contra a monarquia. Na década de 1920, João de Almeida foi um dos oficiais ligados às revoltas que conduziram à implantação do Estado Novo, tendo o seu nome sido proposto, pela ala militar do regime, agrupada na Liga 28 de Maio, para substituir António de Oliveira Salazar. No ano de 1933, foi promovido, por escolha, a general. Ainda que ligado à ala mais conservadora do Estado Novo, João de Almeida sempre mostrou muita sensibilidade social, tendo sido um acérrimo defensor de uma maior intervenção do Estado na área da Saúde, nomeadamente através da implementação de medidas preventivas de saúde pública. João de Almeida recebeu diversas condecorações, entre as quais, a de Grande Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, de que era Comendador desde 1908, depois das operações dos Dembos, a medalha Rainha D. Amélia com a legenda “Dembos”, a medalha de ouro de Serviços Distintos no Ultramar e a Legião de Honra. O distanciamento político com o regime do Estado Novo deu azo a João de Almeida para se dedicar à investigação histórica e à escrita.”
(FERREIRA, Cardoso in www.portal.ecclesia.pt)
Encadernação recente inteira em tela. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Capas oxidadas.
Invulgar.
25€

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